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ABC do aquário Tanganyika
César da Silva

Vai iniciar-se na manutenção de espécies de ciclídeos do Lago Tanganyika? Óptimo! Chegou ao sítio certo!

1. Considerações Iniciais

Antes de sequer pensar em que espécies manter, algumas considerações devem ser feitas.
Estas considerações prendem-se principalmente, com os parâmetros e a qualidade que a água deve apresentar para uma manutenção saudável dos ciclídeos do Tanganyika. A água no lago é alcalina e fortemente mineralizada, resultando assim numa água de elevada dureza. Os parâmetros a manter no seu aquário deverão estar dentro dos seguintes limites:

  • pH – 8 a 9
  • gH – 11 a 17º
  • kH – 16 a 19º
Desde que os valores se encontrem dentro destes limites, o importante é mantê-los o mais estável possível. Naturalmente que a água que sai na sua torneira em casa, não apresentará estes valores; para os atingir deverá acrescentar um “buffer”, que tanto pode ser adquirido na sua loja de aquariofilia, como o pode você mesmo fazer com base na informação que encontra neste artigo.
Outro factor de grande importância é a temperatura. A água no Lago apresenta um valor médio de 26ºC; em aquário deve tentar manter um valor estável dentro dos 24 e os 27ºC. Água acima dos 28ºC pode tornar-se fatal para os ciclídeos do Tanganyika pelo que este factor é tão importante como os demais já referidos. Para obter valores de temperatura desta ordem terá que utilizar um termóstato com uma potência em Watt próximo do valor da litragem do aquário (Ex. aquário com 300 litros – termóstato de 300W).
O ciclo do azoto. Mais um factor de extrema importância. Não coloque os seus ciclídeos no aquário, se o ciclo não estiver realizado. Numa água alcalina como é a do Tanganyika, a amónia mesmo em valores residuais é fatal para os peixes. Para obter mais informação sobre o ciclo do azoto não deixe de ler o seguinte artigo.
Por último, mas não menos importante – a filtragem. Os ciclídeos na sua generalidade precisam de uma filtragem forte e efectiva; os ciclídeos do Tanganyika não fogem à regra. Como tal, e considerando que a filtragem em excesso não existe, podemos considerar um valor mínimo de filtragem na ordem das 8x o volume do aquário por hora.

2. Espécies e Populações

Agora que a água já apresenta os parâmetros correctos, podemos começar a pensar nas espécies e em possíveis combinações/populações para o aquário.
Um aquário bem definido e que garanta as mínimas condições para a(s) espécie(s) a manter, torna-se sem dúvida num desafio aliciante e compensador. No entanto, se não se tiverem cuidados iniciais na selecção das espécies e nesta sequência na dimensão e configuração dos vários elementos do aquário, as coisas podem rapidamente evoluir para finais menos felizes.
Dada a grande especificidade das espécies de ciclídeos endémicas do Lago Tanganyika mais atenção devemos ter. Cada espécie tem as suas próprias necessidades territoriais, tanto em espaço disponível como na sua disposição/configuração.
Outro factor que resulta desta especificidade consiste na alimentação; cada espécie tem as suas próprias necessidades no que concerne ao seu regime alimentar. A grande maioria dos ciclídeos do Tanganyika apresenta uma alimentação de cariz carnívoro/omnívoro, no entanto existem também espécies essencialmente herbívoras. Para qualquer uma destas situações o mercado oferece uma grande variedade de flocos e granulados; a comida congelada (artémia, krill, etc) é uma outra boa opção que facilmente pode ser encontrada, e que as espécies carnívoras apreciam. Aquando da planificação de um aquário comunitário, também este factor deve ser levado muito em conta. Apesar de ser possível manter espécies com regimes alimentares distintos, como é facilmente perceptível e de forma que nenhuma espécie fique com uma alimentação deficitária, a situação ideal será manter espécies com regimes alimentares semelhantes.

A manutenção de ciclídeos do Tanganyika não é uma ciência exacta, pelo que aquilo que pode resultar numa boa experiência para uma pessoa, pode resultar num menos boa para outra pessoa. Como tal, as possíveis populações que serão aqui apresentadas serão propostas minimamente consensuais e com espécies bastante presentes no nosso pequeno mercado.
Partindo do princípio que a maioria das pessoas se inicia no hobby com aquários de pequena/média dimensão, as populações serão apresentadas para aquários entre 60 e 120cm de frente.

2.1 Aquário com 60cm (mínimo 60l)

Com aquários desta dimensão apenas deve ser mantida uma espécie (aquário mono-espécie).

2.1.1. Conchícolas (colónia)

- Lamprologus multifasciatus ou Lamprologus similis

Iniciar com um grupo de jovens ou com um macho e duas/três fêmeas; colocar areia de granulometria fina e o máximo de conchas vazias de caracol.

2.1.2. Conchícolas (harém)

- Lamprologus ocelatus ou Lamprologus speciosus ou Lamprologus stappersi

Iniciar com um casal ou com um trio (mais arriscado); colocar areia de granulometria fina e uma ou duas conchas por indivíduo, espaçadas no mínimo cerca de 10cm. As conchas excedentárias serão enterradas pelo macho. Em caso de trio, afastar as conchas das fêmeas o máximo possível.

2.1.3. Conchícolas (casal)

- Lamprologus brevis

Iniciar com um casal; colocar areia de granulometria fina e duas ou três conchas com dimensão suficiente para que se possam aí refugiar ambos os membros do casal.

Lamprologus ocellatus Lamprologus brevis

- Neolamprologus kungweensis ou Neolamprologus signatus

Iniciar com um casal; colocar areia de granulometria fina e três ou quatro conchas. Estas espécies cavam túneis no seu habitat natural, pelo que também aceitam como refúgio e local de desova pequenos tubos em PVC enterrados na areia a 45º.

2.1.4. Conchícolas (petrícolas)

- Lamprologus caudopunctatus

Iniciar com um casal; colocar areia de granulometria fina, duas ou três conchas e algumas rochas. Espécie petrícola no seu habitat natural, que aceita conchas como refúgio/local de desova. A desova pode ocorrer numa concha ou por baixo de uma rocha.

- Altolamprologus sp.”comprecisseps shell”

Iniciar com um casal; colocar areia de granulometria fina, duas ou três conchas e algumas rochas. As conchas devem ter uma dimensão suficiente para que só a fêmea (mais pequena que o macho) consiga entrar no seu interior. O macho ocupará como seu território uma toca num pequeno aglomerado de rochas.

- Telmatochromis sp.”temporalis shell”

Iniciar com um casal; colocar areia de granulometria fina, duas ou três conchas e algumas rochas. A fêmea ocupará uma concha enquanto que o macho tenderá a ocupar uma toca num pequeno aglomerado de rochas.

Altolamprologus compressiceps "Sumbu" Telmatochromis sp. temporalis shell

2.1.5. Petrícolas

- Julidochromis transcriptus ou Julidochromis ornatus

Iniciar com um casal ou com um grupo de juvenis até se formar um casal (remover os excedentários); colocar areia e rochas formando fendas e tocas a meia altura do aquário. Uma rocha que funciona muito bem com estas espécies é o xisto, visto que empilhando lajes em altura conseguem-se formar fendas e esconderijos com facilidade.

2.2. Aquário com 80cm (mínimo 80l)

Com aquários desta dimensão apenas deve ser mantida uma espécie (aquário mono-espécie).

2.2.1. Petrícolas

- Neolamprologus brichardi ou Neolamprologus pulcher ou Neolamprologus splendens ou Neolamprologus gracilis ou Neolamprologus helianthus (espécies pertencentes ao Complexo Brichardi)
Iniciar com um casal ou com um grupo de juvenis até se formar um casal (remover os excedentários); colocar areia e muitas rochas formando fendas e tocas.

- Julidochromis marlieri ou Julidochromis regani

Iniciar com um casal ou com um grupo de juvenis até se formar um casal (remover os excedentários); colocar areia e rochas formando fendas e tocas a meia altura do aquário (ex. lajes de xisto empilhadas).

2.3. Aquário com 100cm (mínimo 120l)

Com aquários desta dimensão podem ser mantidas 2 espécies (aquário comunitário)

2.3.1. Petrícola + Conchícola (colónia)

- Julidochromis transcriptus + Lamprologus multifasciatus ou Lamprologus similis

Iniciar com um casal ou com um grupo de juvenis até se formar um casal de Julidochromis (remover os excedentários) e com um grupo de juvenis ou com um macho e duas/três fêmeas de L.multifasciatus ou L.similis. Colocar areia de granulometria fina e criar duas zonas distintas em ambos os extremos do aquário; de um dos lados um amontoado rochoso (ex. lajes de xisto empilhadas) a formar fendas e tocas para os Julidochromis; no lado oposto o máximo de conchas vazias de caracol para os conchícolas. No sentido de criar barreiras visuais entre os dois territórios podem e devem ser colocadas plantas aquáticas que suportem águas alcalinas e duras.

Lamprologus similis Lamprologus multifasciatus

2.3.2. Petrícola + Conchícola (casal)

- Julidochromis transcriptus + Lamprologus brevis ou Neolamprologus kungweensis ou Neolamprologus signatus

Iniciar com um casal ou com um grupo de juvenis até se formar um casal de Julidochromis (remover os excedentários) e com um casal de conchícolas. Colocar areia de granulometria fina e criar duas zonas distintas em ambos os extremos do aquário com uma separação visual constituída por plantas aquáticas; de um dos lados um amontoado rochoso (ex. lajes de xisto empilhadas) a formar fendas e tocas para os Julidochromis; no lado oposto colocar três ou quatros conchas vazias de caracol para os conchícolas.

2.3.3. Petrícola + Conchícola (petrícola)

- Julidochromis transcriptus + Lamprologus caudopunctatus ou Altolamprologus sp.”comprecisseps shell”

Iniciar com um casal ou com um grupo de juvenis até se formar um casal de Julidochromis (remover os excedentários) e com um casal de conchícolas. Colocar areia de granulometria fina e criar duas zonas distintas em ambos os extremos do aquário; de um dos lados um amontoado rochoso (ex. lajes de xisto empilhadas) a formar fendas e tocas para os Julidochromis; no lado oposto colocar três ou quatros conchas vazias de caracol e um pequeno agrupado de rochas para os conchícolas. Também aqui será importante criar barreiras visuais entre os dois territórios.

2.3.4. Conchícola (petrícola) + Conchícola (colónia)

- Lamprologus caudopunctatus ou Altolamprologus sp.”comprecisseps shell” + Lamprologus multifasciatus ou Lamprologus similis

Colocar um casal conchícola (petrícola) e um macho e duas/três fêmeas de conchícolas de colónia; será conveniente colocar em primeiro lugar os conchícolas de colónia no sentido destes ocuparem a zona que lhes está destinada, e só após lançar a outra espécie. Colocar areia de granulometria fina e criar duas zonas distintas em ambos os extremos do aquário; de um dos lados colocar três ou quatros conchas vazias de caracol e um pequeno agrupado de rochas para os conchícolas (petrícolas); no lado oposto colocar o máximo de conchas vazias de caracol para os conchícolas de colónia. Rochas e/ou plantas aquáticas devem ser colocadas no sentido de delimitar os territórios.

2.3.5. Conchícola (petrícola) + Conchícola (casal)

- Lamprologus caudopunctatus ou Altolamprologus sp.”comprecisseps shell” + Lamprologus brevis / Neolamprologus kungweensis / Neolamprologus signatus

Iniciar com um casal conchícola (petrícola) e com um outro casal de conchícolas. Colocar areia de granulometria fina e criar duas zonas distintas em ambos os extremos do aquário; de um dos lados um colocar três ou quatros conchas vazias de caracol e um pequeno agrupado de rochas para os conchícolas (petrícolas); no lado oposto colocar três ou quatros conchas vazias de caracol para os conchícolas de casal. Colocar barreiras visuais para melhor definição dos territórios.

Neolamprologus kungweensis Lamprologus caudopunctatus

2.4. Aquário com 120cm (mínimo 200l)

Com aquários desta dimensão podem ser mantidas 3 espécies (aquário comunitário)

2.4.1. Petrícola + Conchícola (colónia) + Meia água

- Julidochromis transcriptus + Lamprologus multifasciatus ou Lamprologus similis + Cyprichromis leptosoma “Mpulungu” ou Cyprichromis leptosoma “Utinta”

Iniciar com um casal ou com um grupo de juvenis até se formar um casal de Julidochromis (remover os excedentários), com um grupo de juvenis ou com um macho e duas/três fêmeas de L.multifasciatus ou L.similis e com um grupo de Cyprichromis leptosoma constituído por dois machos e quatro fêmeas. Colocar areia de granulometria fina e criar duas zonas distintas em ambos os extremos do aquário; de um dos lados um amontoado rochoso (ex. lajes de xisto empilhadas) a formar fendas e tocas para os Julidochromis; no lado oposto o máximo de conchas vazias de caracol para os conchícolas. Colocar algumas plantas, tipo Vallisneria gigantea, Vallisneria spiralis ou Ceratophyllum demersum para funcionarem como refúgio/esconderijo para as fêmeas Cyprichromis em incubação.

2.4.2. Petrícola + Arenícola + Meia água

- Julidochromis transcriptus + Callochromis pleurospilus + Cyprichromis leptosoma “Mpulungu” ou Cyprichromis leptosoma “Utinta”

Iniciar com um casal ou com um grupo de juvenis até se formar um casal de Julidochromis (remover os excedentários), com um grupo de Callochromis pleurospilus constituído por um macho e três ou quatro fêmeas e com um grupo de Cyprichromis leptosoma constituído por dois machos e quatro fêmeas. Colocar areia de granulometria muito fina e criar num dos lados do aquário um amontoado rochoso (ex. lajes de xisto empilhadas) a formar fendas e tocas para os Julidochromis; Deixar uma ampla zona livre com areia para os Callochromis. Colocar algumas plantas, tipo Vallisneria gigantea, Vallisneria spiralis ou Ceratophyllum demersum para funcionar como refúgio/esconderijo para as fêmeas Callochromis e Cyprichromis em incubação.

2.4.3. Arenícola + Conchícola (casal) + Meia água (Petrícola)

- Xenotilapia flavipinnis + Lamprologus brevis ou Neolamprologus kungweensis ou Neolamprologus signatus + Paracyprichromis nigripinnis

Iniciar com um casal de conchícolas, um casal de Xenotilapia flavipinnis e um grupo de Paracyprichromis nigripinnis constituído por dois machos e três ou quatro fêmeas. Colocar areia de granulometria muito fina e criar num dos extremos do aquário o território para os conchícolas com três ou quatro conchas vazias de caracol. Colocar rochas/lajes no fundo do aquário com pequenos aglomerados de rochas na base, formando tocas para os Paracyprichromis. Deixar uma ampla zona livre com areia para os Xenotilapia.

3. Considerações finais

O objectivo deste pequeno texto consistiu em dar as primeiras orientações para quem se pretende iniciar na manutenção de ciclídeos do Lago Tanganyika. Conforme já anteriormente referido, muitas outras combinações e informações ficaram por referir, no entanto, espero que vos tenha sido útil.

Posto isto, resta-me desejar-vos boa sorte e que se divirtam com os vossos ciclídeos do Tanganyika! Toca a molhar as mãos!

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