
O primeiro biótopo malawi que montei foi num aquário de 140*50*50. Fica o resumo das conclusões que tire, ao longo de 2 anos de manutenção.
Um aquário deste tipo serve para manter 6 ou 7 espécies de mbunas adultos, criteriosamente escolhidos. Dá para fazer uma recriação bonita do biótopo, se forem cumpridas algumas regras básicas.
Filtragem: mantive durante a maior parte do tempo dois filtros sunsun de 1000l/h. Considero uma filtragem suficiente, desde que acompanhada de uma bomba de circulação com pelo menos 4000 l/h ligada 24h por dia, fazendo TPA\'s semanais de 30 a 40%, sem faltas. Quando adquiri um Fluval FX5, percebi que de facto é um filtro "de outro campeonato". Quando o comecei a usar deixei de usar a bomba de circulação, mantendo as TPA\'s semanais certas, apesar de ficar com a ideia que poderiam ser feitas de 15 em 15 dias, sem que daí adviesse qualquer problema (com a fauna que mantinha).
A manutenção de plantas: com malawis não é mito nenhum. No meu caso, mantive vallisneria gigantea e vallisneria spiralis. Fertilização mensal na raiz, semanal na coluna da água e 36W * 2 a funcionar 7 horas por dia. É vê-las a crescer.
O substrato usado foi areia da praia, recolhida na zona de rebentação numa praia não poluída. A decoração, para além das plantas, pedras recolhidas na praia. Uma breve passagem por água e ficam prontas para inserir no aquário.
Particularidades de algumas espécies:
Metriaclima sp. "zebra chilumba", Maison Reef: uma espécie de eleição. Do mais bonito que se pode ter num aquário. Relativamente calmo e pacificador do aquário, à excepção de quando quer acasalar. Transforma-se completamente, fica completamente descontrolado, fazendo com que os outros companheiros de aquário fiquem encostados a um canto, e pelo meio das plantas. Mantive esta espécie com sucesso pois tinha sempre muitas plantas no aquário, que serviam de refúgio aos restantes mbunas. Caso contrário, esta espécie precisa de pelo menos 150cm de frente e um mínimo de 500L para poder conviver salutarmente num aquário equilibrado. O macho desta espécie foi sempre o líder do aquário.


Labidochromis caeruleus, Nkata Bay: esta espécie serviu para desmistificar a ideia que tinha que os labidochromis caeruleus são peixes pacíficos e que podem ser mantidos em aquários pequenos. Puro engano. Do mais agressivo intra-espécies que eu já mantive. E parece ter um ódio especial por outros Labidochromis que se mantenham no aquário. Este é um género que só pode ver uma espécie mantida num aquário deste tipo. O macho desta espécie apresenta-se como bastante territorialista, mas não muito agressivo e incisivo para acasalar. Espécie a manter dentro dos mesmos moldes da espécie supra-descrita.


Metriaclima sp. "daktari", Hai Reef: o macho é particularmente insistente com a fêmea, mas esta sabe defender-se muito bem. É uma fêmea que já esteve a incubar muitas vezes, e que defende sempre o seu espaço muito bem em qualquer situação. A luta do macho pela hierarquia foi uma constante com peixes do mesmo tamanho, até cada um encontrar o seu espaço. Mas normalmente estas lutas não traziam males maiores. Esta espécie que não deve ser mantida num aquário de 120cm, mas com as companhias e decoração certas pode ser mantida num aquário semelhante a este.


Metriaclimae sp. "membe deep", Maingano Reef: o macho sempre se revelou bastante territorialista, ao ponto de defender o seu pedaço de terra até do líder do aquário. A fêmea que mantive mais tempo neste aquário sempre se soube defender muito bem das investidas (raras) do macho para acasalar. É uma espécie que em termos de cor faz um contraste muito bonito. Espécie a manter nas mesmas condições que os "daktari".


Metriaclima sp. "elongatus chewere", Chewere: ao contrário de muitos outros, o meu indivíduo é extremamente pacífico, muito pouco territorialista, muito pouco insistente com a fêmea, sendo que acasalaram neste aquário 5 vezes. Acasalam num local qualquer, sendo que a fêmea na maioria do tempo apresenta-se com cores extremamente bonitas e uma atitude muito desinibida. As indicações de tamanho de aquário são as mesmas que para o "daktari".



Pseudotropheus flavus, Chinyankwazi Island: é uma espécie extremamente pacífica. Quando mantida num aquário sobrepopulado, tanto macho como fêmea revelam-se pouco à vontade e sem apresentar a sua melhor cor. Esta espécie "brilhou" e muito quando apenas tinha 5 espécies no aquário, "apagando-se" a partir do momento em que foram introduzidas mais espécies. Mantive esta espécie posteriormente num aquário consideravelmente maior, ficando novamente com a ideia que é uma espécie que necessita de espaço para se poder mostrar à vontade. É uma espécie lindíssima. Pode ser mantida perfeitamente num aquário de 120cm com pelo menos 240L.


Labeotropheus trewavasae, Thumbi West: uma espécie particular, sem dúvida. Os espécimens que mantive neste aquário reproduziram-se muitas vezes, como acontece em tantos outros aquários. Tive dois machos diferentes, em diferentes períodos, e nenhum dos dois foi particularmente insistente com as fêmeas. Já as fêmeas são muito violentas entre si, estando ou não a incubar. Se for mantido apenas 1M + 1F, a experiência diz-me que podem ser mantidos num aquário com estas dimensões, mas vai depender muito do "génio" de cada indivíduo.


Cynotilapia sp. “lion”, Lupingu: é uma espécie lindíssima, mas que precisa de poucas companhias no aquário ou muito espaço para se mostrar (à semelhança do Pseudotropheus flavus). Não se sabem defender nem guerrear, e ficarão sempre no fundo da hierarquia. É uma espécie perfeita para manter em 120cm e 240L.


Fica o meu contributo, advindo da minha experiência que é apenas isso mesmo - dados empíricos da minha observação. Alerto mais uma vez que todos os peixes são diferentes, podendo manifestar comportamentos bastante distintos daquilo que acabo de relatar. O que interessa é ir estando atento aos comportamentos dos animais, e honestamente, dar-lhes espaço para nadarem. Eles vão agradecer-vos, de forma muito clara. Podem acreditar.