1ª Fase - escolha do local na sala - e um esboço 3D, para ver como a coisa iria ficar:

2ª Fase - Construção do aquário
Aqui vou usar fotos de um aquário que construí a um amigo, mas todo o processo foi semelhante à construção do meu, e as fotos estão mais detalhadas.
O meu aquário ficou com as dimensões de 133 x 51.5 x 51.5 (cm), em vidro de 8mm, foi feito com estas medidas, porque o vidro foi arranjado de borla e eram o tamanho das placas.
O método que uso na construção dos aquários que faço, consiste em o vidro de fundo ficar por dentro de todos os outros vidros à volta, esteticamente acho que é como fica melhor e facilita o trabalho, além de que torna a colagem do fundo mais resistente.

Temos então 2 vidros com as medidas de 1330 x 515 (Frente e trás)
2 vidros com as medidas de 515 - laterais
1 vidro com 1313 x 515 para o fundo, aqui o vidro como fica por dentro tem menos 17 mm - 2x8mm da espessura das laterais mais 0.5 mm para cada lado para o espaço ocupado pela silicone.
1 vidro com 1313 x 60, travamento francês frontal que entra igualmente em cima e fica por dentro.
1 vidro com 1213, travamento francês traseiro que fica com menos 100 mm de cada lado para passagem de tubagens, etc.
Finalmente temos dois vidros de 515 x 130 para os dois travamentos transversais.
Etapa 1 colamos a fita para que o silicone depois de aplicado fique certo.
Colocamos o vidro do fundo em cima de uma mesa protegida com papel, e passamos à colagem dos vidros laterais, aplicando um fio certo de silicone cobrindo toda a aresta:


Se tivermos alguém a ajudar, segura-nos os vidros laterais, senão usamos garrafões de água cheios para segurar os vidros laterais, enquanto vamos colar o frontal e o traseiro, seguindo o mesmo processo.
Aplicamos o silicone em U nas arestas do vidro de fundo e laterais e aplicamos o vidro da frente, o mesmo processo utilizasse para o vidro traseiro.

Fica a secar 24 horas e passamos para os travamentos franceses:

O da frente apanha todo o comprimento, enquanto o de trás, fica mais curto dez centimetros de cada lado para passagem de tubagens e acessórios. Os travamentos franceses devem acompanhar pelo menos 70% da longitude total do aquário.

Deixamos mais 24 horas a secar e passamos aos travamentos transversais - dividimos o aquário em 4 partes 1330/4 = 332.5 cm a contar dos topos e é esse aproximadamente o ponto onde vamos colar os transversais, sempre colocando fita, para que o trabalho fique perfeito:



E finalmente o meu aquário depois de pronto:

3ª Fase - Construção do background 3D
Depois do aquário, parti para a construção do background. Fiz um esboço aproximado do que queria para efeito final - pretendia criar uma espécie de vale com uma ilhota no meio, a ilhota acabou por sair mais tarde, roubava muito espaço ao aquário.

De seguida criei umas cotas no esboço a partir do bloco que comprei, para situar melhor os cortes e as fendas que iria fazer, é mais fácil iniciar os cortes e criar o que pretendemos, se tivermos cotas como base.

Material utilizado:
- um saco de cimento cola (5 Kg)
- um saco de cimento impermiabilizante para piscinas e depósitos de àgua. (5Kg Weber KF – camada fina, é aplicado à trincha em camadas de 1 a 2 mm)
- um saco de corante para misturar no cimento inerte de cor ocre.
- um bloco de esferovite com 1500 x 450 x 200 mm.
Para o corte do esferovite, blocos principais e cortes maiores usei um serrote de madeira, para os cortes mais pequenos, usei um x-acto, para escavar fendas mais profundas podemos usar os próprios dedos, em certas situações a pistola de calor usada com cuidado, também é eficiente. Isso vai do gosto de cada um e do efeito final pretendido, no meu caso para o efeito que queria dar, o serrote e o x-acto foi o mais usado e os dedos para desfazer fendas e arredondar, não precisa de ficar muito perfeito, porque as pedras também não o são.
Importante - devemos exagerar sempre mais do que o queremos em relação às fendas, porque temos de contar sempre com o que o cimento vai encher, cerca de 0.5 a 0.8 mm.
Depois das peças esculpidas vamos iniciar a cobertura das mesmas.
1º Passo - fazemos a massa com o cimento cola ( no mínimo aplicar 3 camadas - entre cada camada esperar pelo menos 24 horas.
Importante - borrifar sempre o cimento antes de cada camada, excepto na primeira em que não molhamos o esferovite. Damos a massa directamente sobre o esferovite, nas outras é importante borrifar, facilita a aderência entre camadas e evita estaladelas.
A massa deve ter a consistência que permita a sua aplicação à trincha.
Pintar bem com a trincha, sem preocupação de falhas porque após as várias camadas, vai ficar bem consistente.
Fotos das peças após a primeira aplicação do cimento cola:


Damos a segunda camada de cimento cola, não esquecer de molhar(borrifar com um borrifador) a camada já seca. Sempre sem querer encher muito, vale mais dar muitas camadas finas, do que grossas que poderão ter tendência a estalar.
Aspecto após a segunda camada:


Seguir sempre o mesmo processo para as camadas seguintes - mínimo 3, mas se quiserem dar 4/5, não faz mal nenhum, antes pelo contrário.
Aspecto com 3/4 camadas:

Finalmente damos as camadas finais com o cimento impermiabilizante para depósitos de água e piscinas, e aqui misturamos um corante para cimento, que seja inerte. No meu caso dei uma cor ocre, uma cor clara mais ou menos da cor da rocha que vamos usar é suficiente, depois, o que vai dar o ar natural, vão ser as algas que ao longo do tempo se vão agarrar ao background e acabamos por deixar de perceber o que é rocha verdadeira e o que é background. Mais à frente vou mostrar como ficou o background depois de pronto ... e passados 10 meses como está, o ar natural foi dado pelo tempo e não pelo corante. O Corante é mais para tirar aquele ar escuro do cimento.
Aqui damos duas camadas finais, seguindo o mesmo processo das anteriores:
Aspecto após as duas ultimas camadas com corante:


De seguida reuni umas lascas de pedra que incrustei para dar um ar mais natural, foram emplantadas com o próprio cimento impermiabilizante, misturado com corante:




O cimento impermiabilizante que usei foi este o KF(camada fina), para dar em camadas de 1/2 mm, senão outro qualquer:

Como eu tinha blocos muito grandes, e a capacidade de flutuação do esferovite é muito grande, tive de retirar esferovite da parte de trás e encher com uns calhauzitos, criei assim um lastro para que os blocos estejam equilibrados dentro de água, acho que aqui vale a pena ter um pouco de trabalho extra, quando os blocos são grandes devemos equilibrá-los, porque assim o silicone só vai fixa-los e a força na colagem é quase nula :

E neste momento o Background fica pronto, um bocado de trabalho e muita porcaria, bolinha de esverovite espalhada por todo o lado, este trabalho deve ser feito em local onde se possa sujar à vontade.
Cura do Fundo.
A cura é feita com ele mergulhado em água, e de 24H em 24 Horas mudamos a água eu no meu mudei umas seis vezes até o ph chegar aos 8, não se assustem, pois a primeira e as segundas águas vão apresentar PH de 10/11, mas que vai descendo à medida que a cura é feita.
Chegou então a fase de colocar o background dentro do aquário e iniciar a cura, água com sal e 6 mudas com espaços de 24h, foi suficiente, se vivermos no campo, e tivermos a possibilidade de colocar o background na corrente de um rio, essa cura seria muito mais rápida e prática:






Depois de montado e já sem estar turvo, o modulo central que fazia a ilhota acabou por sair, porque ocupava muito espaço:

O aspecto passados uns meses , as algas deram o aspecto natural, dai ter dito para não nos preocuparmos muito com o corante, o ideal é uma base clara depois a "natureza" faz o resto de uma forma natural, e ao vivo ainda é mais natural do que nas fotos.

Aqui se repararem, é importante conciliar o aspecto do nosso fundo, com as rochas naturais que vamos colocar, quando as algas começarem a avançar, não vamos notar a diferença entre o natural e o artificial.
4ª Fase - O Móvel
O movel foi feito a partir de uma extrutura metálica forrada a madeira.
Desenhos iniciais:

Projecto em 3D para ver como iria ficar o movel:

Projecto enviado para a carpintaria, para o corte das madeiras:

Este processo de construção do móvel, é bastante fácil, depois de todas as medidas tiradas e da chegada das madeiras já cortadas, é só aparafusar as peças de dentro para fora e está pronto.

Pormenor da fixação das placas de madeira, aparafusamos as madeiras de dentro para fora como se vê na foto.

O móvel já com as placas aparafusadas.

Colocação dos pés niveladores, estes pés revelaram-se bastante importantes, pois permitem nivelar toda a estrutura, independentemente das irregularidades do piso.
As madeiras levaram um envernizamento com verniz de poliurtano, com 4 demãos e sempre uma lixadela com lixa fina entre demãos, tempo de secagem entre cada demão 24 horas.

Pormenor da nivelação, estes niveladores são constituídos por um pé M12 em aço e base em teflon, suportam um peso vertical de cerca de 500 kg cada, temos a vantagem de a estrutura metálica nunca entrar em contacto com o chão, evitando assim qualquer problema com as águas que possam vir a cair durante as manutenções, ao mesmo tempo permite que se possa passar uma esfergona se for necessário, para qualquer limpeza.

Móvel depois de pronto, já com as portas colocadas e envernizado.
O aspecto actual do aquário em funcionamento, assim como e seu setup, pode ser visto na secção de aquários, aqui no portal, com o nome Malawi Valley.
Queria agradecer a todo o pessoal do fórum, que me ajudou, incentivou e me ofereceu peixes e a sua experiência para o início e bom porto a que chegou o meu projecto:
Luis Sousa, Nelson Oliveira, Jacinto Salgueiro, Carlos Valentim, Bruno Nogueira, Adriano Oliveira e Edgar Ribeiro, destaco estes por terem contribuído de uma forma mais directa, para a realização do projecto, a todos os outros um grande abraço.