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Lago Tanganyika
Duarte Seabra

O Lago Tanganyika, localizado na parte meridional da África, também compõe o chamado Complexo ou Sistema Great Rift Valley. Em comparação com o Lago Malawi e o Victoria, o Lago Tanganyika encontra-se mais a oeste. O Lago atinge os países da Tanzânia (a leste), Zaire (a oeste), Zambia (ao sul) e Burundi (a nordeste).
Está a uma altitude aproximada de 700 metros acima do nível do mar. O Lago Tanganyika é destaca-se pela sua extraordinária extensão, de norte a sul, correspondente a mais ou menos 680 Km. Sendo o mais comprido do mundo. O tamanho de sua linha costeira é de 1900 Km. É o 7° Lago mais largo no mundo, tendo em média 72 km de largura. É o 2° maior Lago da África, sendo o Lago Victoria o primeiro. Possui uma área de superfície aproximada de 33000 Km².
É o segundo Lago mais profundo do mundo, depois do Lago Baikal na Rússia, é o mais profundo da África, alcançando uma profundidade máxima correspondente a 1470 metros e uma média correspondente a 572 metros. Tem 17800 Km³ de volume. 1/6 da água doce da Terra encontra-se somente nesse Lago.
O Lago Tanganyika contém três bacias principais. Estas, formaram-se separadamente e posteriormente juntaram-se, quando os níveis de suas águas aumentaram, e assim permanecendo até o presente.
Todos os rios, excepto um, o Lukuga, correm para dentro do Lago Tanganyika. Esse Rio Lukuga, desta forma, é o único local de vazão do Lago. O Rio Lukuga inicia-se na metade da costa oeste, fluí a partir daí para oeste, para juntar-se ao Rio Zaire e escoar no Atlântico. Por este motivo, ou seja, pelo fato de que o Lago Tanganyika tem, ao mesmo tempo, inúmeros rios desaguando nas suas águas e apenas um único lugar para o seu escoamento, elevados níveis minerais permanecem nele.
Podemos concluir, a princípio, que há mais água a entrar no Lago Tanganyika do que a sair... Contudo, existe a evaporação: 95% da água que sai do Lago Tanganyika dá-se através da evaporação. Porém, pela evaporação, não é possível “libertar” minerais. Desta forma, eles acumulam-se no Lago Tanganyika, somente conseguindo ser libertados através do Lago Lukuga. Conclusão: existem mais minerais a entrar do que a sair, por isto a afirmação com relação a encontrarmos altos níveis minerais no Lago.

Em torno do Lago Tanganyika encontramos um relevo, que em geral, é composto por montanhas e rochas. Estas, facilmente alcançam alturas de 2000m. Pobre é o desenvolvimento da planície costeira deste Lago, com exceção do lado leste.
O Lago Tanganyika é o menos acessível dos 3 grandes Lagos que compõem o chamado Complexo Great Rift Valley, pois o caminho que leva a ele é mínimo. A sua origem é muito antiga entre 7 a 12 milhões de anos, competindo apenas com o Lago Baikal na Rússia. Como já foi dito, o Lago Tanganyika formou-se à milhões de anos atrás, muito antes do Lago Malawi ou Victoria (que também são milenares), quando um poderoso vulcão activo na região causou bruscas deslocações na crosta da terra. Por consequência, promovidas foram inúmeras fendas neste solo. Tais fendas, hoje, são conhecidas como Rifts.

Através dos milénios, essas fendas foram preenchidas com água proveniente de inúmeras correntes e rios, formando assim, o Tanganyika. Devido a sua antiguidade, o Lago Tanganyika passou por um longo periodo de isolamento, antes mesmo da existência da raça humana, resultando no facto de que um grande número de organismos nativos evoluíram nele. Como por exemplo: mais de 200 espécies de peixes, crustáceos (tais como o Platytelphusa Armata, e mais umas 8 espécies de caranguejos e umas 15 espécies de camarões), umas 60 espécies de moluscos (tais como o Grandideria Burtoni, Brazzaea Anceyi, Tiphobia Horei, Bythoceras Iridescens, Paramelania Domoni), esponjas, pelo menos uma espécie de cobra d’água, alguns gastrópodes, zooplankton (Cyclops, Diaptomus Simplex, Limnochida Tanganika), etc.

A fauna, devido a idade do Lago, é absolutamente diversa, em relação à escala da história da evolução atual, da dos Lagos Victoria e Malawi. Os representantes maiores e menores da família dos Ciclídeos são endémicos do Lago Tanganyika. Das mais de 200 espécies de peixes nativos no Lago, por volta de 176 são endémicos. E dentro deste número de endémicos, por volta de 30 gêneros são formados por Ciclídeos e 8 por não Ciclídeos. Os Ciclídeos, contudo, foram os que mais densa e extensamente colonizaram o Lago.

Observação interessante:

Qualquer forma de vida que viva no Lago Tanganyika, mesmo que não lhe seja endémica, por fim terminará, vamos dizer assim, por receber esta denominação. E o que quer dizer isto? Quer dizer que espécies que até agora agregaram-se ao Lago Tanganyika, acabaram tornando-se parte integrante de seu ecossistema, ao invés de simplesmente tornarem-se agentes causadores de desestabilização, como geralmente ocorre em outros lagos. Tal característica do Lago Tanganyika não será encontrada em nenhum outro lugar do mundo.

Sobre a flora presente no Lago, podemos citar:

  • Macrophytes emersas: Cyperus papyrus, Thpha, Carex.
  • Macrophytes flutuantes: Nymphaea, Trapa, Azolla, Pistia.
  • Macrophytes submersas: Potamogeton, Ceratophyllum, Utricularia.
  • Phytoplankton: Kirchneriella, Treubaria, Chroococcus limneticus, Chrysochromulina parva, Chromulina sp., Nitzschia, Anabaena, Stephanodiscus sp., Strombidium.

Quanto a outras características do Lago Tanganyika:

O Lago Tanganyika tem por característica possuir bastante movimentação nas suas águas. Contudo, a maior parte do Lago possui pouca oxigenação, abaixo de uns 100 ou 200 metros de profundidade ela já não existe. A vida aquática, geralmente, encontra-se bem acima disto, utilizando como limite em relação à profundidade por volta de uns 40 a 50 metros. O motivo reside no facto de que, até esta profundidade, a oxigenação é maior.

O pH da água do Lago Tanganyika varia entre 8,5 a 9,2. Sua dureza total varia entre 11 a 17 dH e sua dureza em carbonatos, entre 16 a 19 dH.

Quanto à transparência da água, o Lago Tanganyika é um dos mais claros do mundo, possui uma transparência possível de ser alcançada até por volta de uns 20 metros. Mas ela dependerá muito da época do ano em questão, pois muitas vezes poderá ser menor do que este valor, alcançando profundidades de 14 metros ou mesmo menos. Nos meses de Fevereiro a Abril, por exemplo, época de chuvas na região do Lago, a visibilidade da água é provavelmente a pior do ano. Já de Junho a Agosto, época em que a temperatura do ar é mais fresca, o Lago ficará mais claro, embora, às vezes, seja possível ocorrer algum florescimento de algas. De Setembro a Novembro, onde a temperatura do ar é bastante quente, a visibilidade do Lago é muito boa.

Durante todo o ano a temperatura da água variará em média entre 23 a 27° C. Quanto ao equilíbrio da temperatura em relação ao movimento vertical das águas do Lago Tanganyika, esta estabelece-se de forma homogenea por volta dos 50m de profundidade. Quanto às variações sazonais, a temperatura mantém-se homogénea com a superfície até uns 80 metros de profundidade. Nas outras profundidades do Lago, a temperatura mantém-se em média a uns 23 ou 24° C, independente da estação.

As horas diárias de incidência de luz do solar no Lago são por volta de 2 a 3. Não existe período de congelamento no Lago Tanganyika. O Tanganyika possui uma precipitação anual por volta de 750 a 1000 mm. E uma variação entre 5 a 110 mm por ano. É possível informar, desta forma, que o nível anual de flutuação da água do Lago não é regular.
Quanto à concentração de clorofila no Lago: a concentração de clorofila na parte sul do Lago Tanganyika alcança uma média de 0.7 micro g; na parte central, uma média de 4.5 micro g; e na parte norte do Lago alcança em média 1.5 micro g.
Quanto à concentração de nitrogênio encontrada na água do Lago, esta corresponde em média a 85 micro g na parte sul, 72 micro g na parte central e 50 micro g na parte norte.
A concentração de fósforo fica em média em 10 micro g na parte sul do Lago; 4 micro g na parte central ; e 7 micro g na parte norte.

Outras curiosidades:

O Lago, além se ser utilizado para a pesca, também o é para a navegação. Anualmente são pescados 518400 toneladas de peixe. Quanto à deterioração do Lago Tanganyika: Não existe informação sobre sua contaminação tóxica. Nas áreas pesqueiras e habitacionais, não existe poluição considerável que alterasse o equilíbrio biológico do Lago.

Bibliografia:

Serruya, C. & Pollinger, U. (1983) Lakes of the Warm Belt. 569 pp. Cambridge University Press, Cambridge.
Hutchinson, G. E. (1975) A Treatise on Limnology, Vol.1. Part 1, Geography and Physics of Lakes. 540 PP, Wiley-Interscience. New York.
Muller M. J. (1982) Selected Climatic Data for a Global Set of Standard Stations for Vegetation Science. 306 pp. Dr. W. Junk Publishers, The Hague.
Hecky, R. E., Fee, E. J., Kling. H. & Rudd J. W. M. (1978) Studies on the Planktonic Ecology of Lake Tanganyika. 51 pp. Western Region Fisheries and Marine Service, Department of Fisheries and the Environment, Winnipeg.
Readle, L. C. (1981) The Inland Waters of Tropical Africa (2nd ed.). 468 pp. Longman Inc., New York.
Ssentongo. G. W., Durand, J. R. & Harbott, B. (1981) The rational exploitation of African aquatic ecosystems. The Ecology and Utilization of African Inland Waters (ed. Symoens, J. J., Burgis, M. & Gaudet, J. J.), pp. 167-175. United Nations Environment Programme, Nairobi.
Herdendorf, C. E. (1982) Large lakes of the world. J. Great Lakes Res., 8(3): 379-412.

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