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Lago Tanganyika – Versão de Bolso
César da Silva

1. Considerações Gerais

O Lago Tanganyika com uma profundidade máxima de 1470m, é o mais profundo Lago Africano e o segundo mais profundo em todo o mundo. Estende-se por cerca de 600km com uma largura média de 50km pelo “Great Rift Valley”. A sua linha costeira atravessa quatro diferentes países, com o Congo e a Tanzânia a possuírem a maior parte do Lago. A parte Nordeste pertence ao Burundi e a zona mais a sul encontra-se em território da Zâmbia. Estimativas recentes, falam em 20 milhões de anos como sendo a idade do Lago Tanganyika.


(Foto de satélite)

O clima é tropical com uma longa estação seca de Junho a Outubro, uma curta estação seca entre Dezembro e Janeiro, e estações de chuva durante o resto do ano.

A linha de costa é variável na sua composição ao longo dos aproximadamente 2000km de perímetro, sendo que para os aquariofilistas as costas rochosas são as mais importantes, em virtude destas albergarem a maior parte das espécies de Ciclídeos mantidas em aquário.

As três maiores bacias do Lago Tanganyika são, respectivamente, a de Zongwe, Kalemie e Kigoma. A costa entre estas 3 bacias inclui áreas rochosas, mas a maioria consiste em praias de areia fina. A maioria dos rios e riachos que afluem ao Lago são de carácter temporário, trazendo água apenas nas estações da chuva.

Os rios de maior dimensão e com carácter permanente, têm também um grande impacto na distribuição de Ciclídeos que habitam os habitats intermédios ou rochosos, visto formarem fronteiras entre populações adjacentes mas morfologicamente diferentes.

Os rios mais importantes são o Malagarasi (Tanzânia), o Rusizi (Burundi), o Lukuga (Congo), e o Lufubu (Zâmbia). O rio Lukuga, na zona central da costa é o único canal de saída de água do Lago, pelo menos no actual nível da água. O nível da água foi sujeito a várias flutuações ao longo dos anos, pelo que o rio Lukuga pode no passado ter fluído em sentido inverso ou mesmo ter secado.

2. A Água

A água do Lago Tanganyika é normalmente cristalina com uma visibilidade superior a 20m. Naturalmente em zonas arenosas ou lamacentas a visibilidade é reduzida em virtude das partículas de sedimento em suspensão. A precipitação nas estações de chuva, aumenta consideravelmente o nível das águas e arrasta para o Lago uma grande quantidade de sedimentos. No extremo norte do Lago a longa estação de chuvas causa frequentemente um grande “bloom” de plâncton que reduz também a extensa visibilidade que as águas normalmente apresentam.

A temperatura da água no Lago Tanganyika, é em média de 26ºC com ligeiras flutuações em função das estações. Na estação seca pode baixar entre um ou dois graus, sendo que na estação das chuvas a temperatura pode subir um ou dois graus. No aquário é importante tentar manter a temperatura num valor constante entre os 25 e os 27ºC. Sobreaquecer a água a uma temperatura de 30ºC, pode ser o suficiente para a morte dos ciclídeos.

A água do Lago Tanganyika é alcalina apresentando um pH de 9,2. Os ciclídeos do Lago são suficientemente robustos, e podem suportar alguma variação no pH, mas ao nível do aquário, é importante manter um valor de pH constante entre os 7,5 e 8,5.

Outra característica muito particular da água do Lago Tanganyika, está relacionada com o facto de apresentar uma grande concentração em sais minerais. Com isto, os valores da Dureza Total da água variam entre os 11 e os 17 dH e a Dureza Carbonatada entre os 16 e os 19 dH.

Medições realizadas em duas sub-bacias do Lago, Bujumbura e Kigoma, revelaram a presença dos seguintes iões que contribuem para o total da salinidade do Lago:

 

Concentração

(mmol L -1)

Salinidade

( 0/ 00)

Contribuição para a Salinidade ( 0/ 0)

Na + - Sódio

2,638

0,061

10,5

K + - Potássio

0,842

0,034

5,9

Ca 2+ - Cálcio

0,273

0,007

1,1

Mg 2+ - Magnésio

1,611

0,063

10,9

Cl - - Cloro

0,707

0,025

4,3

F - - Flúor

0,044

0,001

0,1

HCO 3 - - Bicarbonato

6

0,366

63,5

CO 3 2- - Carbonato

0,28

0,017

2,9

SO 4 2- - Sulfato

0,036

0,003

0,6

HPO 4 2- - Fosfato

0,007

0,0004

0,1

Salinidade

 

0,577

 

A Salinidade é definida a quantidade em gramas de sais inorgânicos contidos num Kg de solução.

3. Os Habitats

A costa do Lago Tanganyika com os seus cerca de 2000km, consiste em diferentes tipos de substrato, que vão alternando ao longo da sua extensão. A grande especialização que as diversas espécies de ciclídeos desenvolveram, principalmente ao nível da alimentação, fez com que todas as espécies tenham preferência por um certo biótipo, sendo que algumas das espécies se restrinjam apenas ao seu habitat. A avaliação dos dados obtidos em diversas observações realizados ao longo do Lago, revelaram diversos biótipos nos quais comunidades específicas de ciclídeos podem ser encontradas. Cada biótipo tem o seu próprio grupo de habitantes, que não serão encontrados em outros biótipos; no entanto, algumas espécies podem ser encontradas em diversos biótipos distintos.

Um habitat poderá então ser aqui definido como um determinado local no Lago, que tenha a grandeza suficiente para acolher uma comunidade de ciclídeos. Isto inclui o substrato, assim como a coluna de água acima deste, ou por outro lado, no caso de uma costa rochosa escarpada a coluna de água abaixo.

Os seguintes habitats podem então ser designados:

3.1. Baías de Lama

Este é um habitat bastante comum em baías em que desaguam um ou mais rios, arrastando sedimentos para o lago. A lama assenta no fundo e fornece alimento para plantas aquáticas, muito comuns neste habitat, mas cujo crescimento é restrito dada a fraca penetração de luz na água normalmente muita turva. Pequenas rochas assentam no fundo, estando completamente cobertas por sedimentos. Estas fornecem abrigo para a maioria dos habitantes deste habitat. A profundidade máxima raramente ultrapassa os 10m.

3.2. Fundos de Lama em águas profundas

Grande parte do fundo do Lago consiste em lama, por vezes com centenas de metros de espessura. Estes habitats são normalmente encontrados abaixo dos 60m de profundidade. O substrato é normalmente lamacento, e grandes rochas são normalmente encontradas sobre o fundo macio. Estas rochas são provavelmente as únicas partes de um substrato rochoso ainda não coberto por sedimentos.

3.3. Fundos Arenosos

Este habitat alberga relativamente poucas espécies de ciclídeos, pois fornece poucos locais de refúgio. Somente as espécies que vivem em grandes cardumes se aventuram sobre os leitos arenosos. A presença de peixes aumenta consideravelmente quando surgem algumas rochas que possam fornecer abrigo. Este habitat pode então ser definido, como um fundo arenoso em que menos de 1/10 da sua área está coberta por rochas.

3.4. Leitos de Conchas

As conchas de moluscos decompõe-se muito lentamente no Lago, e estas fornecem abrigo para peixes suficientemente pequenos para caberem no seu interior. Este habitat pode ser subdividido em 2 grupos: um em que as conchas formam grandes leitos compactos, e outro em que as conchas são encontradas individualmente sobre o substrato.

3.5. Habitat Intermédio

Este habitat consiste num fundo arenoso com numerosas rochas que fornecem refúgio para uma grande comunidade de ciclídeos. As zonas rochosas podem cobrir cerca de 3/4 da área do fundo arenoso, e uma importante característica é a inclinação gradual do fundo. A camada biológica que cobre as rochas é normalmente coberta por uma fina camada de areia. Não existem restrições de profundidade para este habitat, mas as suas zonas mais populosas encontram-se normalmente entre os 5 e os 40m; a cerca de 25m a maioria dos fundos costeiros inclinam com ângulos acentuados. Este habitat alberga a mais rica comunidade de ciclídeos do Lago.

3.6.Habitat Superior

Os 3m acima dos habitats Rochosos e Intermédio, alberga o seu próprio grupo de ciclídeos. Alguns destes são herbívoros que se alimentam das camadas de algas que se depositam sobre as rochas. A principal característica deste habitat, para os seus habitantes, é a relativa abundância de alimento em combinação com águas turbulentas fortemente oxigenadas resultantes da rebentação de ondas.

3.7. Habitat Rochoso

As rochas deste habitat encontram-se empilhadas umas sobre as outras, formando uma elaborada rede de cavernas e túneis. A camada biológica que reveste as rochas está normalmente livre de sedimentos. Muitas espécies que aqui se encontram surgem também no Habitat Intermédio. As espécies características deste biótipo aparecem no entanto, a maiores profundidades.

3.8. Coluna de Água

Os ciclídeos do Lago Tanganyika que vivem na coluna de água encontram-se na sua maioria restritos a águas costeiras. Não são verdadeiramente espécies pelágicas, no entanto, espécies do Género Bathybates são normalmente encontradas em águas abertas, por vezes a 10 metros de profundidade. As rochas desempenham também um papel importante neste habitat, pois fornecem abrigos em águas abertas, e os peixes nunca se afastam muito delas.

4. Os Ciclídeos

Dada a grande especificidade que as várias espécies de Ciclídeos do Lago Tanganyika desenvolveram, muito poderia ser dito sobre cada uma delas em individual. No entanto, é possível agrupar a sua grande maioria em diversos grupos genéricos, considerando características ou hábitos semelhantes.

É também importante referir, que embora devido a vários factores tais como dimensões ou hábitos, muitas espécies podem ser mantidas no mesmo aquário, mas muitas combinações de espécies poderão não funcionar. Na definição dos vários grupos a seguir apresentados, poderão ser encontradas informações relacionadas com a coabitação entre espécies dos diversos grupos de Ciclídeos.

Sendo assim, poderão ser considerados os seguintes grupos:

4.1. O grupo Tropheus

Uma das espécies mais populares e também uma das mais difíceis de manter: os Tropheus.

Em aquário a maioria das espécies (os Tropheus duboisi podem ser considerados uma possível excepção) têm um comportamento intra-específico bastante agressivo, e a única forma de reduzir o stress dos indivíduos de níveis hierárquicos inferiores, é de os manter em cardume e de lhes proporcionar muitos esconderijos. Os machos são territoriais e vão tentar ocupar um amontoado rochoso no aquário como sendo o seu território. Se o aquário for suficientemente grande é possível (e aconselhável) ter vários machos no grupo.


( Tropheus moorii mpulungo "kasakalawe")

De forma a manter o nível de agressividade ao mínimo será necessário providenciar um grupo de rochas para cada macho. Dependendo da dimensão do aquário, esses amontoados deverão estar separados em cerca de 30cm (no mínimo). Aquários inferiores a 150cm não são adequados para manter Tropheus, considerando que estará presente alguma decoração na forma de rochas. Criadores profissionais mantêm frequentemente Tropheus em aquários sem qualquer tipo de decoração; com isto os machos não conseguem definir territórios, visto não existir qualquer estrutura que lhes possam definir referências. Em aquários com muitas rochas (ou outro tipo de refúgios) é possível manter Tropheus e deixar as fêmeas em incubação com os restantes peixes.


( Tropheus sp. Black "Bemba" )

Os juvenis encontrarão refúgio em pequenos esconderijos entre as rochas, e provavelmente de ano a ano será possível esvaziar o aquário, reduzir a colónia e recomeçar de novo. Os Tropheus são peixes extremamente sensíveis ao stress, que pode estar relacionado com a alimentação ou com mudanças na hierarquia. Sendo assim, devem ser consideradas algumas regras:

  1. Quando uma colónia de Tropheus está equilibrada, nunca devem ser adicionados novos indivíduos;
  2. Os Tropheus nunca devem ser alimentados com comidas de alto teor proteico e de fácil digestão como por exemplo Tubifex e larva de mosquito vermelho. A melhor alimentação para Tropheus consiste em flocos ou granulados de marcas de referência, com base herbívora podendo conter camarão e spirulina. Comidas com presença de compostos resultantes de animais de sangue quente não podem ser utilizados.

Se for de todo necessário alterar uma colónia de Tropheus, então a solução é remover todo o conteúdo do aquário, reformular a configuração das rochas e demais decorações, e então reintroduzir os peixes já com os novos indivíduos.


( Tropheus brichardi )

A única forma de introduzir novos indivíduos numa colónia formada, consiste em adicionar pequenos juvenis aos adultos existentes. Se introduzir Tropheus adultos, a hierarquia pode ser abalada, e com isso é possível que se perca toda a colónia.

Será possível manter outras espécies com Tropheus? Não muitas, mas os ciclídeos Góbios do género Eretmodus, Spathodus e Tanganicodus são possíveis companhias. Todas estas espécies necessitam de uma água completamente limpa e rica em oxigénio, muitos refúgios, e muita atenção. Os Tropheus não são com certeza peixes para principiantes.

4.2. O grupo Brichardi

Felizmente existem muitas espécies de ciclídeos no Lago Tanganyika que podem ser mantidos por aquariofilistas menos experimentados. Uma dessas espécies mais comuns e difundida é a “Princesa do Burundi” (Neolamprologus brichardi) e espécies similares. Um casal formado pode ser mantido num aquário de 75l. Podem também ser mantidos em grupo, desde que o aquário seja suficientemente grande. Cada casal necessitará de aproximadamente um diâmetro de 30cm como território. A partir do momento que um território é ocupado por estes peixes, mais nenhum peixe poderá fazer uso dele, sendo por isso necessário um planeamento cuidado, por parte do aquariofilista.


(Neolamprologus brichardi)

Quando o início é feito com um grupo de juvenis, eles irão formar casal logo que estejam prontos a procriar. Os indivíduos desemparelhados deverão ser removidos uma vez que poderão ser perseguidos pelo casal/casais formado/s. Torna-se muito gratificante manter espécies do complexo Brichardi, pois estes procriam com frequência e os juvenis de posturas anteriores mantêm-se com os progenitores na defesa dos irmãos mais novos e do território contra intrusos. Outra espécie que pode ser mantida de forma similar é o Neolamprologus buescheri, no entanto, estes necessitarão de um pouco mais de espaço entre territórios.

Este grupo inclui, entre outras, as espécies Neolamprologus brichardi, Neolamprologus gracilis, Neolamprologus marunguensis, Neolamprologus pulcher (Daffodil), Neolamprologus buescheri, Lamprologus caudopuntactus e Lamprologus leloupi.

4.3. O grupo Leleupi

Este é um grande grupo de espécies de substrato que necessitam de mais espaço do que as espécies anteriores. Os membros deste grupo são o Neolamprologus leleupi, Neolamprologus cylindricus, Neolamprologus mustax, Neolamprologus nigriventris e Lepidiolamprologus kendalli. É extremamente difícil manter mais do que um macho de qualquer uma destas espécies no mesmo aquário. Sendo assim, é importante saber se tem realmente um par (macho e fêmea); nenhuma destas espécies formará um casal definitivo, pelo que qualquer combinação de um macho com uma fêmea poderá resultar. Enquanto a fêmea não estiver pronta para procriar, ela será constantemente perseguida pelo macho, que vê todo o aquário como o seu território de alimentação e de acasalamento.


(Neolamprologus leleupi)

De forma a salvaguardar a fêmea será necessário criar uma série de esconderijos com a particularidade de somente a fêmea (o macho é mais corpulento) se poder aí refugiar. A maioria destas espécies necessita de um aquário com uma capacidade mínima de 200l.

Os Neolamprologus tretocephalus, podem também ser integrados neste grupo, no entanto uma particularidade os separa dos demais; esta espécie forma um casal definitivo, pelo que nem todos os machos e fêmeas poderão formar um casal. A partir do momento que um casal se forme (começar com um grupo de juvenis), eles irão necessitar de uma grande parte do aquário, de onde todos os intrusos serão perseguidos. Para manter Neolamprologus tretocephalus num aquário comunitário, é necessário que este tenha dimensão suficiente de forma que as demais espécies possam também encontrar o seu território. Um casal pode ser mantido num aquário de 200l.

4.4. O grupo Altolamprologus

Altolamprologus compressiceps e Altolamprologus calvus podem ser mantidos em aquários comunitários, no entanto estes irão tentar alimentar-se de alevins e de ovos de espécies de incubadores bocais. No entanto, como alguns alevins e ovos irão escapar do instinto predador dos compressiceps e calvus, estes poderão ser considerados como controladores de natalidade naturais.


( Altolamprologus compressiceps)

Se o principal objectivo de manter ciclídeos do Lago Tanganyika for a sua reprodução, estas espécies não deverão ser consideradas para partilhar o aquário comunitário. Os ciclídeos deste grupo são predadores especializados e têm um comportamento pacífico junto das outras espécies. A melhor forma de os manter, é providenciar um pequeno receptáculo para reprodução, onde somente a fêmea possa entrar. Não devem ser colocadas grandes conchas marinhas, pois além de se tornar pouco natural, o macho poderá entrar nelas e perseguir a fêmea, que tenderá a entrar cada vez mais na concha, podendo chegar ao ponto de ficar presa e morrer. As melhores conchas a utilizar poderão ser as Lanistes originárias do Lago Malawi, ou conchas grandes de caracol terrestre (escargot).

4.5. O Grupo Julidochromis

As espécies pertencentes a este grupo, possuem todas elas uma configuração esguia, e devem ser mantidos em casais. As espécies mais pequenas, tais como Julidochromis transcriptus e Julidochromis ornatus, podem ser mantidos em aquários com 40l de capacidade. Por outro lado, espécies tais como Chalinochromis brichardi ou Julidochromis regani, necessitam, no mínimo, de aquários com 75l de capacidade.


( Julidochromis transkryptus )

Estas espécies podem ser mantidas com a maioria das espécies do Lago Tanganyika, pois mantêm-se sempre muito próximos das rochas e necessitam de pequenos territórios. Não será boa ideia manter no mesmo aquário J.regani e J.marlieri, e o mesmo também é válido para os J.transcriptus e J.ornatus. Estas espécies são muito semelhantes, e a hibridação deve ser evitada a todo o custo. É também interessante realçar que as fêmeas de J.marlieri e J.regani são consideravelmente maiores que os machos.

4.6. O Grupo Conchículas

Juntamente com as espécies do Grupo Brichardi e do Grupo Julidochromis, os conchículas são dos mais fáceis de manter em aquário. O único requisito, será fornecer conchas de caracol vazias, e um substrato de areia de granulometria fina. A cada indivíduo deste grupo deverá ser fornecido, no mínimo, uma concha vazia. Os Lamprologus brevis são a única espécie, em que o macho e a fêmea, ocupam a mesma concha. Todas as outras espécies, ocupam as conchas individualmente.


(Lamprologus brevis)

Algumas espécies, tais como os Lamprologus multifasciatus, Lamprologus similis, vivem em grandes colónias, e devem ser preferencialmente mantidos em grupo. Para estes últimos, as conchas devem ser colocadas próximas, umas das outras, no entanto, para as outras espécies de conchículas, o melhor é colocar as conchas com uma separação entre 20 a 25cm.


(Neolamprologus signatus)

Os conchículas podem ser mantidos com a maioria das outras espécies do Lago Tanganyika.

4.7. O Grupo “Sand-dwellers”

As espécies deste grupo necessitam de um grande espaço aberto no aquário com um substrato de areia de granulometria fina. Não é conveniente utilizar areia de coral, pois esta tem demasiadas arestas que podem ferir as guelras os peixes. Não é muito difícil manter “sand-dwellers” desde que lhes seja facultado muito espaço. Em aquários pequenos, eles ficam demasiado “nervosos” e podem acontecer situações de pânico que podem resultar em ferimentos – esta situação é mais ou menos comum nas espécies deste grupo. Os “sand-dwellers” não podem ser mantidos juntamente com espécies predadoras de grande porte, no entanto, podem ser mantidos com a maioria das outras espécies originárias do Lago Tanganyika. Os machos Enantiopus melanogenys ou Xenotilapia ochrogenys não são muito agressivos entre eles, e com isso podem ser mantidos em aquários de grande dimensão vários machos da mesma espécie. Xenotilapia flavipinnis é preferencialmente mantida em pequenos grupos que se separarão em casais quando estiverem prontos a acasalar. Outras espécies deste grupo são Xenotilapia sima, Xenotilapia papilio, Xenotilapia spilopterus, Xenotilapia sp.”sunflower”, Callochromis macrops e Callochromis pleurospilus.

4.8. O Grupo Cyphotilapia

Cyphotilapia frontosa é uma das espécies de ciclídeos do Lago Tanganyika mais decorativa e esplendorosa, e pode ser mantida em aquários relativamente pequenos, considerando a sua dimensão; isto é, um só indivíduo com cerca de 30cm não se dará bem num aquário de 200l, mas por outro lado, será possível manter cerca de 12 indivíduos num aquário de 750l.


(Cyphotilapia frontosa Burundi)

Cyphotilapia frontosa é um ciclídeo muito tranquilo e resistente, e é frequentemente possível manter vários machos adultos sem que surjam problemas de maior. Cyphotilapia frontosa é uma espécie piscívora, mas no entanto, não será comum que se verifique alguma perseguição a peixes de espécies mais pequenas no aquário. Naturalmente de um dia para outro poder-se-á verificar o desaparecimento de peixes mais pequenos. Aparentemente os C.frontosa alimentam-se ao amanhecer, enquanto os outros peixes estão ainda adormecidos, sendo apenas necessário engolir as presas adormecidas. No Lago Tanganyika, os C.frontosa são sempre encontrados debaixo de cardumes de Cyprichromis, que são também o seu alimento; naturalmente esta é uma mistura que se deve evitar em aquário.

4.9. O Grupo Cyprichromis

Estes Ciclídeos coloridos necessitam de mais espaço do que aquilo que os seus pequenos corpos possam sugerir. Os machos são sempre muito activos na defesa dos seus territórios, que se localizam na coluna de água do aquário. Cada macho em altura de acasalamento necessita de cerca de 60cm de espaço no aquário; as fêmeas não necessitam de tanto espaço pois normalmente andarão em cardume. A capacidade mínima do aquário deverá ser de 250l. Os Paracyprichromis nigripinnis necessitam também de um refúgio escuro no aquário de modo a que possa revelar as suas cores esplendorosas. Em aquários com iluminação muito forte, eles apresentarão uma coloração castanha deslavada, mas no entanto, poderão procriar e ter criações como se estivessem em condições naturais.


( Cyprichromis leptosoma )

Em aquários com apenas P.nigripinnis, não será necessário separar as fêmeas em incubação, pois os alevins não serão incomodados pelos adultos. Neste grupo são também incluídos C.leptosoma, C.microlepidotus, C.pavo e P.brieni, e podem ser acompanhados em aquário pela maioria das espécies de ciclídeos do Tanganyika, excluindo C.frontosa e outros predadores de grande dimensão.

4.10. O grupo “Featherfins”

Neste grupo são incluídas espécies como Ophtalmotilapia ventralis, O.nasuta, Cyathopharinx furcifer e Benthochromis tricoti, e não são espécies para aquariofilistas com pouca experiência. Todos eles necessitam de aquários de grande dimensão, e um cuidadoso planeamento da decoração do aquário, assim como das espécies que compartilharão o aquário. O tamanho do aquário é muito importante para a maioria destas espécies e terá que ter uma capacidade mínima de 800l. Apesar da grande dimensão dos aquários, para a maioria destas espécies, será difícil manter mais do que um macho no aquário.

 


(Ophtalmotilapia ventralis “Isanga”)

Os machos Ophtalmotilapia têm uma grande agressividade intra-específica e os seus territórios deverão estar separados entre 180 a 240cm. As fêmeas de todas estas espécies andarão juntas em cardume, e nunca serão suficientes para espalhar a atenção dos machos. As fêmeas incubadoras bucais necessitam de um refúgio seguro, ou terão que ser removidas, sob pena de morrerem de exaustão dada a perseguição a que serão sujeitas pelos machos, aquando da incubação. Em aquários maiores que 750l, será por vezes possível manter dois machos C.furcifer ou B.tricoti, sem que macho dominante elimine o outro. Se for facultado espaço suficiente e areia para que possam preparar o seu local de acasalamento, dois machos C.furcifer poderão exibir as suas belas cores.


(Bentochromis tricoti)

B.tricoti não deve ser mantido juntamente com O.ventralis ou Tropheus moori ou grandes Lamprologus, pois este facilmente se intimidará, fazendo com que passe todo o tempo encostado a um canto do aquário. Poderá ser mantido com outros ciclídeos de temperamento calmo como C.frontosa ou E. melanogenys.

Bibliografia

  • Konings, Ad , 2003, Beginners’ guide to keeping cichlids, part4: Tanganyika cichlids, pp. 4-11, The Cichlid Room Companion.
  • Konings, Ad, 2005, Back to Nature Guide to Tanganyika Cichlids 2 nd Edition, pp. 08-37, Cichlid Press.
  • Branchu, Philippe & Bergonzini, Laurent, 2004, Chloride concentrations in Lake Tanganyika: an indicator of the hydrological budget?, pp. 259, Hydrology and Earth System Sciences.

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