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Lago Victória
Duarte Seabra

Localiza-se na parte meridional da África, compondo também o chamado Complexo ou Sistema Great Rift Valley. Em relação aos Lagos Malawi e Tanganyika, o Lago Victoria é o que se localiza mais a norte do Complexo Great Rift Valley. O Lago ocupa uma larga depressão próxima do equador, entre o leste e o oeste do Great Rift Valley. Entre os Lago Tanganyika, Malawi e Victoria, o Victoria é o mais novo.
O Lago Victoria é o maior de todos os lagos africanos. É o segundo Lago mais comprido do mundo. É o lago tropical maior do mundo.
A sua extensão atinge 3 países: parte setentrional com a Uganda, parte meridional com a Tanzânia e o sector nordeste com o Quênia.
Existem inúmeras cidades costeiras que circundam o Lago Victoria, tais como: Kisumu (Kenya), Entebe e Jinja (Uganda), Bukoba, Muwanza e Musoma (Tanzania).
O Rio Nilo recebe água do Lago Victoria. Este, despeja a sua água dentro do Rio Nilo pelo Owen Falls (que corresponde a uma barragem artificial).

Quanto às dimensões:
A área de superfície do Lago Victoria corresponde a 69481 Km². O Lago tem aproximadamente 400 km de comprimento e 240 km de largura. A sua profundidade máxima atinge os 84 metros e a média, 40 metros, aproximadamente. O seu volume corresponde a 2750 Km³. Possui uma linha costeira medindo 3440 Km. A altitude do Lago, em relação ao nível do mar, é de aproximadamente 1134 metros.

O Lago Victoria possui um litoral irregular, com reentrâncias, possuindo muitas ilhas, tais como Ukerewe, Sesse, Ukara, Kome, Lolui and Mfanganu. Tais como os Lagos Malawi e Tanganyika, o Lago Victoria formou-se por meio de abalos símicos e vulcânicos que provocaram bruscas deslocações e decorrentes fendas na crosta da terra e que, através do tempo, foram preenchidas por meio de águas provenientes de correntes e de rios. Portanto, o relevo que cerca e atinge o Lago Victoria corresponde a uma zona montanhosa, com inúmeras pedras e rochas.

A temperatura correspondente às águas do Lago Victoria é a de um clima moderado, com uma média anual por volta de 23° C. Sendo que, em épocas mais frias, como Julho por exemplo, a temperatura poderá diminuir para 21 ou 22° C, e em época mais quentes, como Janeiro por exemplo, a temperatura poderá alcançar 24 a 26° C. Não há períodos de congelamento do Lago. No Lago Victoria, a temperatura da água mantém-se homogénea até por volta de uns 30 a 40 metros, em geral, de profundidade. Contudo, por um período breve e uma vez por ano, mais propriamente ao final de Julho, uma completa e profunda mistura vertical ocorre em todo o corpo das suas águas. Nesta época o Lago torna-se isotermal. Misturas parciais que proporcionem homogenizações mais profundas do que a regra geral, em relação à temperatura das águas, poderão ocorrer em inúmeros outros momentos do ano, mas para que isto ocorra será preciso:

  • Ventos intensos: Quanto mais intensos forem os ventos, mais profunda será a mistura vertical.
  • Ventos frequentes: Quanto maior for a frenquência dos ventos, mais vezes esta mistura ocorrerá.

Podemos citar como exemplo da questão acima mencionada, o período de Junho a Julho, que corresponde à chegada da estação dos ventos alísios. Portanto, períodos de calmaria são inversamente proporcionais à promoção de misturas verticais.

Quanto ao nível de água do Lago Victoria, ele é regular. A média anual de precipitação no Lago fica entre 1000 e 1300 mm. Sendo que nos meses mais secos, como Janeiro, a incidência de chuva ocorre por volta de 55 mm, e nos meses mais chuvosos, como em Abril, poderá alcançar o valor de 180 mm.

Quanto à transparência da água, depende da época do ano. Poderá ser muito pouca ou alcançar uns 2,5 a 3 metros de profundidade. A água do Lago Victoria é menos transparente do que a dos Lagos Malawi e Tanganyika.

O pH da água do Lago Victoria encontra-se, em média, entre 7,5 a 8,6. E sua dureza em carbonatos varia entre 2 a 8 dH. Dependendo da época do ano e ponto do Lago, o oxigênio poderá ser encontrado entre 1,5 a 40 metros de profundidade. A concentração de clorofila encontrada no Lago tem um índice variável, dependendo da parte do Lago e da profundidade da água. Em toda a superfície, por volta 18 micro g é a média de concentração encontrada. A meio metro de profundidade, 14 micro g. A 1 metro de profundidade, 15 micro g. A 2 metros de profundidade, 15.5 micro g. A 3 metros de profundidade, 16.5 micro g. A 4 metros de profundidade, 15.5 micro g. A 10 metros de profundidade, 7.5 micro g. A 15 metros de profundidade, 17.8 micro g. A 20 metros de profundidade, 5.1 micro g. A 25 metros de profundidade, 6.1 micro g. A 30 metros de profundidade, 1.8 micro g.....

Quanto à concentração de nitrogênio do Lago, os índices encontrados variam também conforme o ponto do Lago.

NH4:
Na superfície, 0.4 mg é a média de concentração encontrada. A meio metro de profundidade, 0.15 mg. A 1 metro de profundidade, 0.27 mg. A 15 metros de profundidade, 0.37 mg. A 20 metros de profundidade, 0.30 mg. A 30 metros de profundidade, 0.35 mg.

NO3:
Na superfície, a meio metro de profundidade, a 1 metro, 3 metros, 15 metros e 20 metros o índice de concentração é de 0.1 mg. A 30 metros de profundidade, 0.2 mg.

Concentração de fósforo na superfície do Lago: 0.002 mg. Igual índice a meio metro de profundidade. A 1 metro de profundidade, 0.004 mg. A 2, 3 e a 15 metros de profundidade, 0.002 mg. A 20 metros de profundidade, 0.003 mg. A 30 metros de profundidade, 0.01 mg.

Concentração de cloro: 21 mg em dezembro e 9.5 mg em fevereiro.

No lago Victoria é possível encontarmos a seguinte biologia:

Flora:

Macrophytes emersas: Typha spp., Phragmites spp., Cyperus papyrus, Potamogeton spp.
Macrophytes flutuantes: Vossia.
Macrophytes submersas: Ceratophyllum demersum, Hydrilla verticillata, Polygonum spp.
Phytoplankton: Melosira nyassensis, Lyngbya contorta, Spirulina spp., Anabaena spp., scillatoria spp., Pediastrum clathratum, Fragillaria spp., Cyclotella spp., cenedesmus spp., Glenodinium spp.

Fauna:

Zooplankton: Daphnia spp., Chydorus sp., Leptodora sp., Cyclops sp., Diaptomus, Caridina nilotica, Philodina spp., Keratella sp., Asplanchna brightwelli, Limnocnida victoriae.
Bentos: Melania tuberculata, Bellamysa sp., Corbicula sp., Caelatura sp., Chaoborus sp., Chironomus sp.
Espécies de peixes: Niloticus, Tilapia spp., Haplochromis spp., Labeo victorianus, Alestes baremose, Clarias spp., Bagrus docmac, Protopterus aethiopicus, Barbus, Scibe....

Observação:

É dito que 95% de Ciclídeos endêmicos do Lago Victoria pertencem ao gênero Haplochromis.
E que existem mais do que 500 espécies de Ciclídeos no Lago, ou seja, tal Lago hospeda mais biodiversidade do que toda a Europa ocidental, que mantém apenas cerca de 60 espécies de peixes de água doce.

Outra: Estas inúmeras espécies de Ciclídeos evoluíram a partir de um único progenitor: Astoatilapia Nubile. Portanto, quaisquer espécies de ciclídeos do Lago Victoria possuem, em algum grau mesmo que distante, parentesco.

Informações gerais :

Além da pesca desportiva e profissional, que hoje atinge uma média anual de 120000 toneladas, o Lago Victoria também é utilizado como meio de transporte e fornecedor de eletricidade e água para locais como Uganda e Quênia.

Problemas ambientais referentes ao Lago Victoria:

Embora a contaminação do Lago Victoria não esteja num ponto crítico, o desenvolvimento crescente da região, o uso maior de pesticidas e de fertilizantes na agricultura e a pesca predatória, estão proporcionando cada vez mais a degradação do solo e do relevo pré-histórico, a erosão, a contaminação das águas, a perda de muitas espécies de peixes, a afloração e a mudança na composição das algas, o desequilíbrio de nutrientes, etc.

Algumas informações são pertinentes:

Embora com todas as características acima mencionadas sobre a grandiosidade de sua área geral, o escoamento da bacia fluvial do Lago Victoria é relativamente pequeno, sendo pouco menos do que 3 vezes o valor da superfíce do Lago em área. Melhor dizendo: as águas do Lago Victoria são escoadas por volta de 600m³/segundo, em Jinja na costa setentrional, em Victoria Nilo, ao qual flui em direcção ao norte via Lago Nilo Alberto, e em Nilo Branco. Formando a mais importante área extensa do Rio Nilo.

E mais: O Lago Victoria, a pesar de sua área imensa, é um lago relativamente baixo, possuindo um volume muito lento de ventos.
Tais informações, além de conhecimentos geográficos, servem para termos consciência de que as contaminações do Lago Victoria podem alí permanecer por um tempo muito grande, pelo menos de 20 anos.

Outro agente causador da deterioração do Lago Victória:

O Lago Victoria era antigamente lar de mais de 500 diferentes espécies de Ciclídeos. Contudo, para aumentar o abastecimento de peixe local, dieta básica da população nativa, e desenvolver o comércio pesqueiro regional, introduzidas foram, no Lago Victoria, inúmeras espécies de peixes pertencentes ao Rio Nilo. Contudo, uma espécie em principal, deve chamar nossa atenção! Pois tem sido responsável, dentre outros fatores acima mecionados, por ser causadora do desequilíbrio biológico nativo. Tal espécie é denominada de Perca, ou também conhecida como Lates Niloticus.
Tal peixe, além de ser predador, desenvolveu-se tanto no Lago Victoria que chegou a atingir aproximadamente 1,50 a 2 metros de comprimento.

Resutado: aproximadamente 250 dessas mais de 500 espécies de Ciclídeos foram dizimadas.


Bibliografia:

Questionnaire filled by Dr. P. B. 0. Ochumba, Kisumu Laboratory, Kisumu.
Questionnaire filled by Dr. M. Nakashima, International Development Centre, Tokyo.
Serruya, C. & Pollinger, U. (1983) Lakes of the Warm Belt. p. 569. Cambridge University Press, Cambridge.
Talling, J. F. (1957) Comparative problems of phytoplankton production and photosynthetic productivity in a tropical and temperate lake. Mem. Ist. Idrobiol., 18, Suppl.: 339-424.
Shimonaka, K. (ed.)(1984) Grand World Atlas (Sekai Dai Chizu-cho). p. 273. Heibon-sha, Tokyo.*
Payne, A. I. (1986) The Ecology of Tropical Lakes and Rivers. John Wiley and Sons Ltd., New York.
Ochumba, P. B. O. (1987) Water Quality Bulletin, 12(3): 119-122.
Ssentongo, G. W., Durand, J. R. & Harbott, B. (1981) The rational exploitation of African aquatic ecosystems. The Ecology and Utilization of African Inland Waters (ed. Symoens, J. J., Burgis, M. & Gaudet, J. J.), pp. 167-175. United Nations Environment Programme, Nairobi.
Lake Basin Development Authority (1985) The Technical Annex to the Final Report on the Current and Future Implications of Development to the Aquatic Environment of Lake Victoria.
Chabeda, P. I. M. (1983) A Survey of Eutrophication and Water Pollution Load in Four Rivers of the Northern Half of the Lake Basin Development Authority.
Water Quality and Pollution Control Section (1978) Limnological Investigation of Lakes in Kenya 1976-1977. Technical Report No. 6. Resource Section, Water Department of Kenya, Nairobi.


Escrito por: Ana Cláudia

Fonte: www.aquaonline.com.br

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