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Lamprologus ocellatus
Ricardo Pinto

O nome do género Lamprologus deriva do grego “lampro”, de brilhante; e “logus”, do escolhido. Já o nome ocellatus deriva do Latim “ocellus” que significa “pequeno olho”, que se refere à presença de um ponto muito distinto, esboçado a dourado, no opérculo do peixe. Descoberto por Steindachner em 1909 foi primeiro apelidado de Julidochromis ocellatus, passou pelo género Neolamprologus e actualmente classificado dentro do género Lamprologus. Estes cíclideos entram no grupo dos “shell-dwellers”, encontram-se endemicamente junto às zonas costeiras do lago excepto em Kalemié e Moliro a uma profundidade de 5-30m e tal como outros conchícolas de pequeno porte habitam as conchas vazias do caracol Neothauma tanganicensis. Devemos mantê-los a uma temperatura de 25-27ºC, pH 7.8-9.0, GH 12-20, KH 14-20.

Podemos manter um casal num aquário de 60-100L, mas como os ocellatus são polígamos o ideal será manter um harém de pelo menos 5 a 6 indivíduos num aquário de 200L, à condição de se oferecer pelo menos uma concha a cada indivíduo. Cada ocellatus irá monopolizar uma concha. Inicialmente vai escavar a areia para fazer deslizar a concha para baixo e orienta-la de modo a que a abertura seja orientada para cima. Lançará seguidamente sobre a concha areia até a tornar-lhe invisível e libertará a abertura. As conchas vazias são enterradas e preenchidas de areia para torna-las inutilizáveis e evitar a proximidade de outros conchícolas. Uma vez instalado, vai defender o seu pequeno território com obstinação, atacando inclusivamente as nossas mãos quando tentamos mexer na decoração.

A formação dos casais não é o mais fácil e às vezes o macho pode matar as fêmeas que não lhe convêm. A fêmea grávida, é reconhecida por uma cor muito sombria sobre a parte traseira do corpo e nas barbatanas, apresenta o seu ventre ao macho. Este vai introduzir-se sobre o seu território e de barbatanas estendidas, pequenos combates poderão ter lugar. Seguidamente a fêmea entra na sua concha e faz uma postura de 10 a 40 ovos. O macho que montava a guarda fora da concha emite então o seu esperma que é introduzido pela aspiração de água que a fêmea produz saindo da concha. A fêmea vai guardar a entrada da sua concha para perseguir os intrusos até à saída dos alevins. Por entradas e saídas frequentes na concha, ventila os ovos. Se necessário, orientará a concha para receber a corrente de água. Os alevins medem cerca 5 mm ao nascimento e saem dez a quinze dias após a postura. Perto dos dois meses, ou mesmo mais cedo, a fêmea passa os alevins para a alçada do pai, iniciando assim uma nova postura. A fêmea em certas situações poderá comer os primeiros pequenos para poder assegurar a vigilância da geração seguinte. Eu habitualmente retiro os alevins do aquário onde estão com os pais ao fim de uns 3 meses. Normalmente ao fim deste tempo consigo retirar cerca de 5 alevins por postura. Se iniciar este processo um pouco mais cedo penso que se poderão retirar muitos mais alevins, mas com a mudança de aquário alguns poderão não resistir.

Actualmente o meu casal habita, por falta de espaço, um aquário de 40 litros. O início não foi nada fácil, tinha um trio para esta litragem, o macho não aceitava as fêmeas, tendo inclusivamente morto uma. Depois de muitas mudanças de decoração e de ter construído “muros” com pedras, eis que num dia depois de um mês sempre em guerra, o macho deixou de perseguir a fêmea e instalaram-se os dois no mesmo lado do aquário. Depois disso, realizaram várias posturas e tudo decorre dentro da normalidade. Portanto, recomendo que mantenham um casal num aquário de pelo menos 60 litros, para evitarem dissabores, um trio num aquário de 100 litros, ou como referi anteriormente um harém de 5/6 indivíduos num aquário de 200 litros.

Para terminar, permitam-me referir que para mim esta será a espécie ideal para quem se quer iniciar no mundo dos shell-dwellers e dispõe dum aquário de 100*30*40, normalmente encontrado em casa dos aquariófilos portugueses. Um exemplo de população para um aquário desta litragem, atendendo ao nosso mercado, poderá ser:

  • Julidochromis

  • N. leleupi ou Cyprichromis ou Paracyprichromis

  • 3 Neolamprologus ocellatus.

Concluindo, quero apenas salientar que esta espécie tem comportamentos interessantíssimos, sendo mesmo espectacular a coragem com que estes pequenos cíclideos defendem o seu território deixando qualquer aquariófilo entusiasta enternecido.

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