Depois de ultrapassadas todas as fases prévias à montagem de um aquário, nomeadamente, no que concerne à sua fauna, flora, decoração e tipo de aquário, estão criadas as condições para a montagem do aquário e de começar a ver ao vivo o trabalho que idealizámos.
Antes de qualquer outro passo, recomenda-se fazer um ensaio de estanquecidade ao aquário para termos a certeza absoluta de que o mesmo não apresenta qualquer fuga de água.
Normalmente coloco o aquário numa zona de menor risco em caso de inundação e encho-o até cima, depois deixo passar 1 a 2 dias para ver se há alguma fuga. Uma boa técnica é colocar o aquário sobre uma folha de papel grande ou cartolina de cor clara para determinar sem margem para dúvidas se existe alguma fuga.
Outro ponto importante a ter em conta antes de se iniciar a montagem é o suporte do aquário. Não poderemos nunca esquecer que um aquário mesmo pequeno, chega com muita facilidade a pesos superiores a 100 kg e, no caso de um aquário de maiores dimensões, 500 ou 600 kg são muito fáceis de atingir.
Assim, o suporte do aquário deve ser suficientemente resistente para poder suportar o peso do aquário sem riscos de colapso. A base de sustentação do aquário deve, também, ser perfeitamente plana para não criar tensões no vidro que possam levar à sua quebra. Um bom princípio é colocar uma placa de esferovite ou outro material macio e maleável entre o aquário e o suporte para atenuar este tipo de situações.
1ªFase - Hardscape
Depois de devidamente limpo o aquário apenas com água e com o objectivo de limpar as maiores impurezas e depois de colocado o aquário no local onde se pretende, chega a hora de começar a montar o nosso biótopo.
Em
primeiro lugar dever-se-á colocar uma placa de esferovite no interior do
aquário e de dimensão ligeiramente menor que o fundo do mesmo. Será sobre esta
placa que irão assentar as rochas prevenindo-se assim possíveis acidentes com
as mesmas em contacto com o vidro.
De
seguida colocar-se-ão as rochas. Este ponto é extremamente importante pois
deveremos ter em atenção à estabilidade das rochas pois uma derrocada acidental
pode causar um desastre se partir um dos vidros do aquário. Assim, as rochas
devem ser bem assentes e a sua estabilidade deve ser verificada uma por uma. Não
nos devemos esquecer que muitos dos ciclídeos habitam nas rochas e alguns
devido ao seu tamanho podem facilmente fazer mover uma rocha menos estável.
Só depois de as rochas estarem no
seu lugar e bem firmes é que se deverá colocar a areia. Tendo em consideração
que muitos dos ciclídeos gostam de remexer a areia, assim evitamos que este
processo interfira com a estabilidade das rochas.
No caso
de se optar pela instalação de um fundo 3D para o vidro traseiro, a sua
colocação deve ser o primeiro passo, antes mesmo da colocação das rochas.
Depois
de colocados e montados todos os equipamentos no interior do aquário
(aquecedores, tubagens dos filtros, filtros internos,…) passaremos ao próximo
passo. Mas não sem antes verificar atentamente todas as ligações de tubagens,
mangueiras e válvulas para evitar surpresas desagradáveis.
É
importante relembrar que é necessário ter corrente eléctrica próxima e que
deveremos ter disponível uma extensão múltipla pois teremos que utilizar, no
mínimo, 3 fichas (com facilidade 6 ou 7 no caso de aquários maiores).
Se
optarem pela colocação de plantas como os Fetos de Java ou as Anubias, que não
poderão ser enterradas, mas antes fixadas às pedras deverão fazê-lo agora antes
do próximo passo. A forma mais simples de prender estas plantas é atando-as com
uma linha fina 100% algodão que com o tempo se vai desfazendo na água, mas
durando o tempo suficiente para que as plantas se fixem no seu local.
2ª
Fase - Enchimento
Chegou a
hora da verdade!
Meter água no aquário pela primeira
vez pode ser um momento de grande ansiedade., pois é quando ele começa a tomar
o aspecto mais próximo do que pretendemos.
Das
várias formas de encher o aquário (mangueira, balde, garrafão, etc…) o
importante é fazê-lo de forma cuidada para não “destruirmos”o que já
conseguimos montar.
Uma
forma de o fazer sem correr o risco de abrir grandes buracos na areia é
derramar a água, lentamente, por cima das rochas ou utilizar um prato para o
mesmo efeito. A utilização de mangueiras tem a vantagem de nos permitir
direccionar o fluxo de água para onde mais nos convém!
Dependendo
do volume do aquário, este processo pode ser demorado pelo que aconselho alguma
paciência (especialmente se for utilizada a mangueira) e atenção para evitar
potenciais distracções e eventuais transbordos de água sempre inconvenientes.
3ª
Fase - Arranque
Uma vez
cheio o aquário é chegada a altura de colocar em funcionamento os vários
equipamentos. Aqui volto a chamar a especial atenção para as tubagens e
ligações dos filtros externos que deveremos observar atentamente e
demoradamente após o arranque dos mesmos para determinar se não existe nenhuma
fuga de água.

4ª
Fase - Acabamentos
Após todo este trabalho chegou a
hora de fazer os acabamentos finais. Ajustar a posição das tubagens, dar um
jeito numa ou outra pedra verificando sempre a estabilidade do conjunto,
colocar as plantas que carecem de plantação tais como as Valisnerias e as
Ceratophylum demersum. Porque se tratam de plantas altas torna-se mais fácil
plantá-las já com o aquário cheio.

5ª
Fase - Ciclo do Azoto e Parâmetros da Água
No caso
de ser necessário proceder a algum ajuste nos parâmetros da água, nomeadamente
pH e Dureza, este é o momento adequado pois o aquário ainda não tem fauna e não
se correm riscos desnecessários.
Antes de
introduzir a fauna é importante salvaguardar a maturidade biológica do sistema
de filtragem, através da verificação da ocorrência do ciclo do Azoto no
aquário. Não nos podemos esquecer que os dois primeiros resultados deste
processo (Amónia e Nitritos) são tóxicos e letais para a fauna e, sobretudo,
quando o pH é superior a 8.
Só
depois deste passo é que podemos finalmente… colocar a fauna… devagar e com
cautela, acompanhando sempre a evolução dos principais parâmetros da água.