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Montagem do Aquário Tanganyika
João Nuno Cruz

Depois de ultrapassadas todas as fases prévias à montagem de um aquário, nomeadamente, no que concerne à sua fauna, flora, decoração e tipo de aquário, estão criadas as condições para a montagem do aquário e de começar a ver ao vivo o trabalho que idealizámos.

Antes de qualquer outro passo, recomenda-se fazer um ensaio de estanquecidade ao aquário para termos a certeza absoluta de que o mesmo não apresenta qualquer fuga de água.

Normalmente coloco o aquário numa zona de menor risco em caso de inundação e encho-o até cima, depois deixo passar 1 a 2 dias para ver se há alguma fuga. Uma boa técnica é colocar o aquário sobre uma folha de papel grande ou cartolina de cor clara para determinar sem margem para dúvidas se existe alguma fuga.

Outro ponto importante a ter em conta antes de se iniciar a montagem é o suporte do aquário. Não poderemos nunca esquecer que um aquário mesmo pequeno, chega com muita facilidade a pesos superiores a 100 kg e, no caso de um aquário de maiores dimensões, 500 ou 600 kg são muito fáceis de atingir.

Assim, o suporte do aquário deve ser suficientemente resistente para poder suportar o peso do aquário sem riscos de colapso. A base de sustentação do aquário deve, também, ser perfeitamente plana para não criar tensões no vidro que possam levar à sua quebra. Um bom princípio é colocar uma placa de esferovite ou outro material macio e maleável entre o aquário e o suporte para atenuar este tipo de situações.

1ªFase - Hardscape

Depois de devidamente limpo o aquário apenas com água e com o objectivo de limpar as maiores impurezas e depois de colocado o aquário no local onde se pretende, chega a hora de começar a montar o nosso biótopo.

Em primeiro lugar dever-se-á colocar uma placa de esferovite no interior do aquário e de dimensão ligeiramente menor que o fundo do mesmo. Será sobre esta placa que irão assentar as rochas prevenindo-se assim possíveis acidentes com as mesmas em contacto com o vidro.

De seguida colocar-se-ão as rochas. Este ponto é extremamente importante pois deveremos ter em atenção à estabilidade das rochas pois uma derrocada acidental pode causar um desastre se partir um dos vidros do aquário. Assim, as rochas devem ser bem assentes e a sua estabilidade deve ser verificada uma por uma. Não nos devemos esquecer que muitos dos ciclídeos habitam nas rochas e alguns devido ao seu tamanho podem facilmente fazer mover uma rocha menos estável.

Só depois de as rochas estarem no seu lugar e bem firmes é que se deverá colocar a areia. Tendo em consideração que muitos dos ciclídeos gostam de remexer a areia, assim evitamos que este processo interfira com a estabilidade das rochas.

No caso de se optar pela instalação de um fundo 3D para o vidro traseiro, a sua colocação deve ser o primeiro passo, antes mesmo da colocação das rochas.

Depois de colocados e montados todos os equipamentos no interior do aquário (aquecedores, tubagens dos filtros, filtros internos,…) passaremos ao próximo passo. Mas não sem antes verificar atentamente todas as ligações de tubagens, mangueiras e válvulas para evitar surpresas desagradáveis.

É importante relembrar que é necessário ter corrente eléctrica próxima e que deveremos ter disponível uma extensão múltipla pois teremos que utilizar, no mínimo, 3 fichas (com facilidade 6 ou 7 no caso de aquários maiores).

Se optarem pela colocação de plantas como os Fetos de Java ou as Anubias, que não poderão ser enterradas, mas antes fixadas às pedras deverão fazê-lo agora antes do próximo passo. A forma mais simples de prender estas plantas é atando-as com uma linha fina 100% algodão que com o tempo se vai desfazendo na água, mas durando o tempo suficiente para que as plantas se fixem no seu local.

2ª Fase - Enchimento

Chegou a hora da verdade!
Meter água no aquário pela primeira vez pode ser um momento de grande ansiedade., pois é quando ele começa a tomar o aspecto mais próximo do que pretendemos.

Das várias formas de encher o aquário (mangueira, balde, garrafão, etc…) o importante é fazê-lo de forma cuidada para não “destruirmos”o que já conseguimos montar.

Uma forma de o fazer sem correr o risco de abrir grandes buracos na areia é derramar a água, lentamente, por cima das rochas ou utilizar um prato para o mesmo efeito. A utilização de mangueiras tem a vantagem de nos permitir direccionar o fluxo de água para onde mais nos convém!

Dependendo do volume do aquário, este processo pode ser demorado pelo que aconselho alguma paciência (especialmente se for utilizada a mangueira) e atenção para evitar potenciais distracções e eventuais transbordos de água sempre inconvenientes.

3ª Fase - Arranque

Uma vez cheio o aquário é chegada a altura de colocar em funcionamento os vários equipamentos. Aqui volto a chamar a especial atenção para as tubagens e ligações dos filtros externos que deveremos observar atentamente e demoradamente após o arranque dos mesmos para determinar se não existe nenhuma fuga de água.

  

4ª Fase - Acabamentos

Após todo este trabalho chegou a hora de fazer os acabamentos finais. Ajustar a posição das tubagens, dar um jeito numa ou outra pedra verificando sempre a estabilidade do conjunto, colocar as plantas que carecem de plantação tais como as Valisnerias e as Ceratophylum demersum. Porque se tratam de plantas altas torna-se mais fácil plantá-las já com o aquário cheio.

5ª Fase - Ciclo do Azoto e Parâmetros da Água

No caso de ser necessário proceder a algum ajuste nos parâmetros da água, nomeadamente pH e Dureza, este é o momento adequado pois o aquário ainda não tem fauna e não se correm riscos desnecessários.

Antes de introduzir a fauna é importante salvaguardar a maturidade biológica do sistema de filtragem, através da verificação da ocorrência do ciclo do Azoto no aquário. Não nos podemos esquecer que os dois primeiros resultados deste processo (Amónia e Nitritos) são tóxicos e letais para a fauna e, sobretudo, quando o pH é superior a 8.

Só depois deste passo é que podemos finalmente… colocar a fauna… devagar e com cautela, acompanhando sempre a evolução dos principais parâmetros da água.

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