O género Apistogramma abrange variadíssimas
espécies, muitas ainda por descobrir, catalogar e documentar,
no entanto, existe uma em particular que apresenta como
característica física principal, três belas faixas que
percorrem o seu magnífico corpo, o seu nome é Apistogramma
trifasciata e é dele que irei falar. O Apistogramma
trifasciata foi pela primeira vez descrito e documentado em
1903 por Eigenmann e Kennedy, descrito originalmente com o
nome de Biotodoma trifasciatus,
nome que foi mudado mais tarde para o que
conhecemos actualmente. Etimologicamente o nome "trifasciata"
é composto por duas partes distintas, (tri) palavra grega e
que significa três, e, (fasciata) palavra com origem no latim
que tem como significado faixa, claro que se juntarmos as duas
palavras obteremos a palavra "trifasciata" que significara
três faixas.
O seu nome deve-se ao facto de que este
Apistogramma apresenta uma característica muito própria, isto
é, tem uma faixa a mais do que será normal nas espécies de
Apistogramma, ficando esta situada entre a faixa lateral e a
faixa da bochecha, delineando um percurso que será mais ou
menos desde o olho até à base da cauda anal.
Como todos os Apistogramma, o trifasciata é
endémico da América do Sul, sendo encontrado em países como o
Brasil, Bolívia, Paraguai e a Argentina, mais especificamente
o Apistogramma trifasciata poderá ser encontrado no sistema do
Rio Paraguai, no Rio Paraná e também no Rio Guaporé, rio este
que corre até ao Rio Madeira estando assim ligado
indirectamente com o Rio Amazónico. Fisicamente o Apistogramma
trifasciata macho presenteia-nos com um esplêndido corpo de
cor azul metálico, azul celeste e com alguma raridade verde
metálico. Normalmente
os primeiros raios da dorsal são de
dimensões maiores, sendo muitas vezes os raios do 3º ao 5º de
tamanho superior chegando por vezes atingir o tamanho de meia
barbatana dorsal. A dorsal é toda ela de cor azul celeste
sendo que os raios maiores podem ou não ter uma cor
avermelhada, a barbatana caudal apresenta uma forma redonda
sendo muitas das vezes desprovida de cor apesar de alguns
trifasciata poderem ter caudas meio avermelhadas, o crânio
poderá ter alguma pigmentação amarela. Nas fêmeas o padrão de
cor é mais "básico", apesar disso não deixa de ser belo antes
pelo contrário.
As fêmeas têm então um corpo mais amarelado,
amarelo esse que se intensifica quando a fêmea entra em fase
de procriação. A dorsal é também meio amarelada sendo que os
primeiros raios já não se estendem como no caso do macho e
apresentam uma cor preta. Ao nível de tamanho, em média um
macho poderá atingir os 6cm, já a fêmea fica-se em média pelos
4cm. No que diz respeito à sua manutenção deveremos dar
bastante atenção a três factores importantíssimos para manter
em excelentes condições estes magníficos animais, são eles:
água, decoração e alimentação.
A água é algo que deveremos ter sempre
debaixo de olho, pois deve apresentar sempre as
características específicas para o
Apistogramma trifasciata, isto é, ser
ácida e mole. Deverá ter um pH entre 5.8 e 6.5, uma dureza
menor ou igual a 4ºdGH, uma condutividade menor que 150µS/cm e
uma temperatura entre os 20ºC e 29ºC. No que diz respeito à
decoração esta deverá representar ao máximo o habitat natural
deste animal, devido a isso, teremos de dispor de um aquário
com um mínimo de 50 litros de agua, devendo este ter alguma
areia e estar repleto se possível de troncos, raízes, folhas
secas e algumas plantinhas se necessário. Este tipo de
decoração permitirá assim obter de maneira natural as tais
características de água necessárias à manutenção do
Apistogramma trifasciata.
A alimentação será outro dos aspectos super
importantes nunca devendo ser deixada para segundo plano.
Deveremos dar aos nossos animais sempre que possível comida
fresca e viva, apesar destes aceitarem com alguma facilidade e
paciência a comida em flocos e sticks especialmente
confeccionada para ciclídeos anões sul-americanos. Tendo em
vista a sua reprodução o criador deverá ter em mente os
aspectos acima referidos, sendo que a boa qualidade da água e
uma boa alimentação será meio caminho andado para se conseguir
a tão desejada procriação. Para a desova deverá ser
colocado no aquário um coco ou então um
pequeno vaso de barro para que a fêmea possa lá colocar os
ovos.
Na fase de reprodução como já havia sido dito
mais acima a fêmea veste o seu belo vestido amarelo e começa a
fazer o seu ritual de dança tendo como objectivo principal
captar a atenção do macho, quando o macho se sente atraído
pelas danças da fêmea este irá com ela para dentro do coco ou
vaso e lá irão fazer a postura, depois da postura efectuada o
macho é normalmente escorraçado e a fêmea ficará encarregue de
proteger o ninho de amor em conjunto com os seus ovos, o macho
por sua vez ficará na periferia do ninho e tenderá a defender
este de potenciais predadores. No fim de alguns dias se tudo
correr bem a fêmea aparecerá com a sua prole a nadar fora do
ninho, os alevins serão "comandados" pela fêmea com as suas
barbatanas peitorais.
Os alevins deveram ser alimentados sempre que
possível com artémia recém eclodida, vermes de grindal, micro
vermes, etc. É de salientar o crescimento lento do
Apistogramma trifasciata quando comparado com outras espécies
de Apistogramma, por isso o criador terá de ter muita
paciência e não desanimar porque no fim irá ver o seu esforço
bastante recompensado.
É assim o Apistogramma trifasciata, um belo
peixe, de comportamento fascinante, ou não fosse ele um
ciclídeo na verdadeira ascensão da palavra, ao alcance de
praticamente todo o aquariofilo. Espero com este documento
poder ajudar a fazer compreender melhor o Apistogramma
trifasciata.