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O aquário de Mbunas
Jacinto Salgueiro

Quem já observou vídeos da fauna do lago Malawi de certeza que ficou fascinado pela paleta de cores que compõem essas imagens e, ao pensar-se na montagem de um aquário de ciclídeos, esta é muitas vezes uma das primeiras opções. De entre todos os habitats do lago, é nas zonas rochosas onde a biodiversidade é mais abundante e o principal tipo de espécies que habitam estas zonas, são os denominados Mbunas.

Não admira, portanto, que o aquário de Mbunas tenha muitos adeptos. No entanto, as características e tipo de comportamento deste tipo de ciclídeos, exige alguns cuidados na planificação e montagem do aquário.

De um modo geral os Mbunas são peixes que se alimentam e procriam nas zonas rochosas do lago Malawi. Neste habitat existe uma grande competição por alimento e territórios de acasalamento, pelo que os machos são de um modo geral agressivos e territoriais. Para além disso, têm uma alimentação predominantemente à base de algas, que crescem nas rochas, e de pequenos invertebrados que se encontram nessas algas (awfuchs). Ao nível da procriação, todos os Mbunas não incubadores bucais maternais mas, enquanto algumas espécies fertilizam os ovos fora da boca da fêmea, outras fertilizam-nos dentro.

 

Perante estas características, a montagem e manutenção de um aquário de Mbunas deve obedecer, quanto a mim, ao seguinte um conjunto aspetos:

 

1- Ter um aquário com dimensões adequadas.

As dimensões adequadas para um aquário de Mbunas é, pelo menos, 150cm de frente. No entanto, com um aquário de 120cm de frente já é possível montar um aquário com sucesso. Neste caso deve-se optar por espécies menos agressivas e pouco territoriais, uma vez que, face à agressividade dos peixes, as perseguições são constantes e o agressor só desiste da perseguição após mais de 100 cm de “corrida”.

O aquário

 

2- Manter um aquário com uma boa diversidade de espécies e um razoável número indivíduos.

Apesar da agressividade entre eles, os Mbunas são peixes que gostam da companhia uns dos outros, e a presença de muitos peixes é algo a que estão habituados no lago e que lhe dá confiança para perderem o medo da vida no aquário. Isto também permite a dispersão da agressividade dos machos dominantes em diversos indivíduos.

 

 

3- Criar um layout com um habitat rochoso e com areia fina.

No lago os peixes vivem entre as rochas. É aí que eles se sentem em casa e nada mais fácil que montar um aquário com muitas rochas. Nesta montagem há apenas a ter em conta que as rochas não devem ter arestas aguçadas para não ferir os peixes e não criar espaços sem saída para impedir que os peixes perseguidos possam ficar encurralados. É importante também optar-se por areia fina pois os machos dominantes definem os seus territórios escavando buracos na areia e entre as rochas.

 

                        Biodiversidade                                                          Zona rochosa e de areia fina

 

4- Adquirir um bom sistema de filtragem.

Com um número grande de indivíduos a viver num espaço fechado é preciso manter-se uma boa filtragem biológica para manter os níveis de amónia e nitritos a zero. Por isso é fundamental investir-se num bom filtro externo ou numa SUMP. Para além disso é importante não deixar acumular detritos entre as rochas e uma bomba de circulação com um caudal elevado é uma mais valia a esta situação. Os peixes irão sentir-se em casa se isto for garantido pois as zonas do lago em que habitam os das suas espécies ou têm fortes correntes ou são batidas pela rebentação.

Sistema de dois filtros externos com bomba de circulação

 

5- Manter as condições da água com parâmetros próximos dos existentes no lago.

A água do lago Malawi é de um modo geral alcalina e semidura, cujo ph varia ente os 7,8 e 8,5. Em Portugal, de um modo geral, a água que sai das torneiras tem estas características, sendo por isso adequada para a manutenção destes ciclídeos em cativeiro. No entanto, é importante medir os parâmetros da água para garantir a sua adequabilidade. Caso estes não sejam corretos é fundamental recorrer a sais (buffers), de modo a fazer subir o ph para valores dento daquele intervalo. Algumas marcas comercializam buffers próprios para este tipo de águas, mas estes buffers podem fazer-se facilmente e economicamente em casa adquirindo separadamente os respetivos sais e seguindo, por exemplo, a receita constante no portal Cicliceos.com http://www.ciclideos.com/receita-para-buffers-a5.html.

Outro parâmetro da água importante é a sua temperatura. O lago situa-se numa zona tropical onde as temperaturas do ar nunca são propriamente baixas e a água do lago é reflexo deste clima. No entanto, a temperatura da água do lago não é constante ao longo de todo o ano, variando entre os 30ºC na época das chuvas (de Novembro a Abril) e os 20ºC na estação dos ventos (entre Junho e Agosto). Estes são valores medidos à superfície registando-se uma menor amplitude térmica a maiores profundidades, onde a temperatura média varia entre os 23ºC e os 28ºC. Assim, manter o aquário entre os 22ºC e os 28ºC será a melhor opção, mas não haverá problema que por poucos dias a temperatura no aquário baixe até aos 20ºC ou suba aos 30ºC. No entanto não é adequado ter a temperatura constante todo o ano, sendo mesmo aconselhável simular-se a estação do frio (22ºC) para que as fêmeas possam recuperar de sucessivas posturas e não enfraquecerem demasiado, reduzindo-lhe a esperança de vida.

 

                  Cynotilapia afra, Chewere                          Metriaclima sp. "zebra gold", Mundola Point

 

6- Alimentar os peixes regradamente.

Alimentar os peixes regradamente significa, dar uma alimentação adequada e sem exageros.

Sendo, de um modo geral, peixes cuja base da alimentação são algas que crescem nas rochas, enriquecida por alguns invertebrados que apareçam, é fundamental a escolha de comidas com pouco teor proteico. Por outro lado deve-se ser comedido a dar comida, sendo suficiente uma a duas vezes por dia e que os peixes devorem por breves segundos (diria cerca de 15 segundos).

Peixes sobrealimentados é a principal causa de morte de Mbunas em aquário, apesar de raramente os aquariofilistas o quererem assumir. Para além disso, peixes sobrealimentados tendem a ficar com medidas desproporcionadas, vendo-se por vezes peixes com cerca de 18cm que na natureza não passam dos 14cm. Mbunas bem alimentados, devem ter a dimensão adequada, não ter a barriga para dentro nem um peito demasiado inchado.

 

7- Fazer uma manutenção regular do aquário.

Trocas parciais de água (TPA) são fundamentais para manter valores de nitratos baixos e manter os peixes saudáveis, uma vez que, em aquários deste biótopo, dificilmente se conseguem manter plantas a consumir nitratos juntamente com peixes herbívoros adultos. TPAs semanais de 25% é o mínimo recomendável. No entanto, não é recomendável fazerem-se TPAs superiores a 50% para não causar desequilíbrios no aquário.

 

      Metriaclima sp. "elongatus chewere", Chewere                 Labidochromis caeruleus

 

8- Montar o aquário com calma e estudo.

Antes de adquirir os peixes, deve fazer-se uma lista das espécies que se pretende manter. Não se deve adquirir peixes por impulso e sem estarem na lista. A lista deve ser feita a partir do estudo das características das espécies com vista a evitar incompatibilidades entre elas. Escolher espécies dentro de diversos géneros: Metriaclima; Cynotilapia; Pseudotropheus; Labidochromis; Melanochromis; Labeotropheus etc. e não optar por muitas espécies do mesmo género. Optar também por espécies que não tenham muitas semelhanças cromáticas e físicas. Quando se faz a lista das espécies que se pretende manter deve ter-se em conta as espécies disponíveis no mercado e não espécies inacessíveis. No entanto, esta lista pode (e deve) ser reformulada se for necessário, mas sempre fazendo uma ponderação da situação.

 

9- Adquirir preferencialmente peixes jovens.

Montar um aquário a partir de jovens permite que os peixes se habituem uns aos outros, que formem as suas hierarquias e definam territórios sem conflitos graves. Mais tarde, em adultos cada um conhece o seu lugar na hierarquia e as probabilidades de conviverem pacificamente são maiores. Quando o aquário já for habitado por peixes adultos e se tiver de adquirir novos peixes, é também importante que sejam jovens de modo a não serem considerados ameaça pelos adultos. Para além disso, ver os peixes crescer de juvenis a adultos pode ser muito gratificante.

 

     Metriaclima sp. "membe deep", Maingano (juvenil)                   Melanochromis parallelus, Lundu (juvenil)

 

10- Adquirir peixes devidamente identificados.

Os Mbunas são por natureza peixes coloridos e por isso muito bonitos. Manter peixes pertencentes a espécies existentes no lago é um dos lemas da generalidade dos “amantes” dos Mbunas e, para ter a certeza disso, devem adquirir-se peixes devidamente identificados. Deve, por isso, evitar-se a aquisição de peixes que estejam identificados por nomes comerciais e, preferencialmente, deve optar-se por indivíduos que, para além da espécie, estejam identificados pela população. Peixes assim identificados, mesmo que pareçam feios e descoloridos na loja, são (de um modo geral) garantia de que mais tarde serão espécimes com as cores e o formato certo e naturalmente lindíssimos. 

      Metriaclima sp. "zebra chilumba", Maison Reef                     Labeotropheus trewavasae, Chilumba

 

Com este pequeno texto, espero vir a ajudar alguns aquariofilistas que pretendam montar um aquário de Mbunas e que estejam hesitantes quanto à possibilidade de sucesso.

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