O que são e para que servem os Eggspots Sérgio Tavares
[size=150][b]O que são e para que servem os Eggspots[/b][/size]
Os Eggspots, são especificamente “egg dummies”, que simulam os ovos reais dos peixes quer em forma quer em cor, por isso são redondos e de cor amarela.
O nome egg (ovo) spot (ponto) é alusivo ao acima referido, sendo também vulgarmente conhecidos como ocelos.
Na sua grande maioria, os Eggspots apresentam-se em número compreendido entre um a nove pontos nas barbatanas anais nos machos do grupo de peixes que os possuem, no entanto existem algumas poucas excepções, nomeadamente em algumas espécies, onde podemos observar os Eggspots também nas fêmeas e até ver machos sem eles.
Claro que nem todos os peixes têm Eggspots, isso está reservado essencialmente para os incubadores bocais, pois os Eggspots são um importante aliado que os machos utilização para poderem fertilizar os ovos que as fêmeas já têm na boca. Bom, isto assim dito, parece algo estranho, afinal o tem uma coisa a ver com a outra?
Durante o ritual de acasalamento, e também durante as primeiras corridas que tem lugar por vezes durante horas a fio, antes mesmo do acasalamento propriamente dito, o macho abana o seu corpo em lentos movimentos circulares mostrando a sua barbatana anal, se uma fêmea “morder o isco”, geralmente isso representa que estamos perante uma fêmea madura e pronta a desovar.
É enquanto dura o ritual de acasalamento, que a função biológica deste processo se torna clara, isto porque, é aí que a fêmea ao confundir os Eggspots com os seus próprios ovos, instintivamente tenta apanha-los com a sua boca, então o macho aproveita a proximidade da boca da fêmea junto à sua barbatana anal (onde estão os seus Eggspots ou egg dummies) e lança o seu esperma para a boca da fêmea e com isto vai fertilizando os ovos que a ela entretanto já foi colocando na sua boca, este processo ou ritual pode durar horas.
[b]Foto 1
Nesta foto vemos a fêmea a ser atraída pelo Eggspots do macho.[/b]
Os Eggspots e o seu consequente ritual têm também uma outra relação com os “spawn-robbers”, como é o caso de alguns Synodontis como o Synodontis Grandiops, e mais uma vez podemos achar estranho esta afirmação.
A já referida fertilização com o macho a lançar o seu esperma directamente na boca da fêmea usando os seus Eggspots como “isco”, é de uma extrema importância para o sucesso de uma incubação, isto porque, muitos dos ovos que a fêmea tem na boca não estão fertilizados, pois logo após ela os depositar no solo, apanha-os com a sua boca de uma forma tão rápida que não dá tempo de o macho os fertilizar nesse momento daí a necessidade do ritual atrás referido.
Essa rapidez que a fêmea demonstra em apanhar os seus ovos na boca, é para evitar perdas, pois existe um real perigo dos ovos serem comidos pelos “spawn-robbers”, como é o caso dos peixes gato.
No caso particular dos Synodontis, os mesmo são especialistas em comer os ovos durante o ritual de acasalamento dos ciclídeos, e no muito particular caso dos Synodontis “cucos” que usam uma sistema pérfido que se sobrepõe ao sistema defensivo dos ciclídeos incubadores bocais, tirando vantagens sobre estes para os seus próprios objectivos reprodutivos, sendo que os Synodontis “cucos” conseguem fazer com que os ciclídeos fêmeas estejam a incubar juntamente com os seus ovos, ovos de Synodontis, e no final da incubação serão os peixes gatos a prevalecer na boca dos ciclídeos.
Outra situação que leva as fêmeas a apanharem os seus ovos com extrema rapidez, é o facto de no seu habitat existirem correntes fortes, característica bem conhecida no Lago Malawi, e devido os seus ovos não serem adesivos existe o risco real de eles escaparem com a corrente ou com as águas turbulentas e de serem predados por outros peixes ou de elas não os conseguirem simplesmente apanhar.
Todas as situações até aqui relatadas são incluídas nos peixes que tem Eggspots ou melhor dizendo true eggspots, isto é, Eggspots verdadeiros.
Os Eggpots Verdadeiros, são todos aqueles que tem a cor e o formato de um ovo, amarelos e redondos, tendo ainda uma margem transparente a rodea-los, como facilmente se podem ver na totalidade ou quase dos mbunas e na grande maioria dos haps.
[b]Foto 3
Nesta imagem temos um macho com Eggspots verdadeiros.[/b]
Existem no entanto excepções a estes “standard Eggspots”, como é exemplo disso os Ophthalmotilapia, que não tem Eggspots, mas sim uns pontos nas pontas das suas longas barbatanas ventrais, outro exemplo são os Pseudocrenilabru, que apesar de terem esses pontos na barbatana anal. Tal como os Ophthalmotilapia também estes não possuem Eggspots, mas sim uns pontos amarelos ou vermelhos, na ponta das barbatanas ventral ou anal consoante os casos, e ainda no caso dos Pseudocrenilabru podem ter uma risca colorida nas margens da barbatana anal.
Em ambos os casos funcionam como "egg dummies" tendo por isso a mesma função daqueles que tem os “true Eggspots” ou Eggspots verdadeiros.
[b]Foto 4
Nesta imagem temos aqui um macho com falsos eggspots, mas neste caso muito singular, eles encontram-se em ambas as barbatanas ventrais.[/b]
Outra função dos “true Eggspots” ou Eggspots, como queiram, é a sinalização.
Em contraste com o vestido de namoro, com frequência bastante escuro que os machos apresentam, os Eggspots tem uma cor clara e reflexiva, e com facilidade tornam-se extremamente visíveis à fêmea durante o início da dança de acasalamento, sendo um sinal claro para ela que aqui existe um parceiro potencial de desova.
Uma vez conseguida a atenção da fêmea, o macho intensifica a sua actividade de corte e quando a fêmea se aproxima o macho imediatamente mostra a sua barbatana anal e consequentemente os seus Eggspots de forma a leva-la ao local por ele escolhido para o acasalamento.
Este processo usado pelo macho, também é conhecido como “follow me”.
As fêmeas que estão prontas a desovar, estão aparentemente impotentes para resistir a este “follow me”, devido à sua sua programação genética.
No caso dos peixes que não tem Eggspots, os chamados“false eggspots”, também existe algo a dizer.
Encontramos esses falsos Eggspots nos géneros Aulonocara ou Lethrinops, e muitas vezes em largo número na sua barbatana anal em forma de pontos, mas também de marcas ou listas.
Esses pontos, não são rodeados pelo anel transparente característico dos Eggspots, e muito menos tem a típica coloração de ovo dos Eggspots, bem pelo contrário, frequentemente são claros, metálicos e refletivos, apresentando uma cor dourada.
[b]Foto 5
Nesta foto vemos um macho com vários pontos que não são considerados Eggspots, são os chamados falsos Eggspots, pois não tem o tal anel transparente característicos dos verdadeiros Eggspots.[/b]
Os falsos Eggspots tem como principal característica a técnica do “follow me”, no fundo usando esses pontos coloridos para atrair a fêmea para o território demarcado pelo macho para o acasalamento.
No género Otopharynx, esses falsos Eggspots sofreram uma metamorfose e são agora umas listas coloridas e não são mais ovais ou circulares na sua forma.
[b]Foto 6
Nesta imagem podemos ver um macho com falsos Eggspots, sendo estes alongados e coloridos.[/b]
No género Serranochromis, esses falsos Eggspots, são ovais e relativamente pequenos, sendo rodeados por um anel, mas em vez de ser um anel transparente é um anel colorido e de cor diferente do seu centro.
O facto de estas espécies não terem Eggspots ou os verdadeiros Eggspots, foi verificado em diversas observações que as fêmeas no acasalamento, ao contrário das espécies que os tem, o alvo do abocanhamento não é a barbatana anal, mas apenas à volta da zona genital do macho.
Existem ainda um grupo que apesar de serem igualmente incubadores bocais e tendo o mesmo tipo de ritual de acasalamento que os incubadores bocais “normais”, que puro e simplesmente não tem Eggspots, nem mesmo os falsos Eggspots, sendo este um fenómeno onde se inserem os géneros Cyrtocara e Fossorochromis, no entanto o seu comportamento é muito semelhante aos que tem os falsos Eggspots, nomeadamente no que respeita à atitude da fêmea no acto do acasalamento, pois como ela não tem os verdadeiros Eggspots, o seu comportamento não é condicionado por eles.
No caso dos géneros Copadichromis e Otopharynx, apesar de serem dois géneros com falsos Eggspots, não apresentam grandes diferenças em relação aos demais géneros com os verdadeiros Eggspots, no que diz respeito quer ao ritual quer na atitude das fêmeas.
Uma das coisas sobre este tema dos Eggspots, sobre o qual ainda não existe uma clara justificação científica, é o porquê das fêmeas também terem Eggspots.
Nos casos dos Mbunas do Lago Malawi, esses incubadores bocais, que são todos possuidores dos verdadeiros Eggspots, os Eggspots das fêmeas são rudimentares, eles são quase todos menores, em pequenas quantidades e nenhum tem o famoso anel transparente que os machos apresentam, sendo esta uma não infalível, mas muito acertada forma de sexar os mbunas do Lago Malawi.
[b]Foto 9
Nesta imagem temos um macho, com vários Eggspots na barbatana anal e com o tal anel transparente á volta de cada uma. [/b]
Até à data não existe nada que indique qual a função dos Eggspots nas fêmeas, além de um não funcional subproduto do processo evolucionário, um pouco à imagem dos mamilos em alguns mamíferos machos, como o caso dos seres humanos.
Os Eggspots não se limitam à barbatana anal, eles também existem na barbatana dorsal e até na barbatana caudal, sendo que esses últimos, não são diferentes dos que se encontram na barbatana anal, nem em forma nem em cor, são iguais.
[b]Foto 11
Nesta Imagem vemos um macho com verdadeiros Eggspots em todas as barbatanas.[/b]
Antes dos Eggspots serem alvo de uma investigação profunda pela comunidade científica, nada levaria a acreditar que existia uma diferença significativa entre os Eggspots da barbatana anal e os Eggspots da barbatana dorsal ou mesmo da barbatana caudal.
Em particular as espécies sem os verdadeiros Eggspots, tem muitas vezes vários pontos coloridos nas três barbatanas (anal, dorsal e caudal), isso acontece pela simples razão de tentarem com isso criarem uma melhor impressão geral, tornando-se mais marcantes e com isso tirarem benefícios a que a namoros diz respeito.
Wickler foi o primeiro a explicar as funções dos verdadeiros Eggspots, mais detalhadamente.
De facto, outros já tinham descrito o comportamento reprodutivo dos incubadores bocais Africanos, antes de Wickler, mas nunca tinham chegado a conclusão alguma acerca dos Eggspots
Um caso em concreto é o de Kirchshofer, que apelidou os Eggspots como “eye-spots”, tendo feito alguns avanços na explicação, mas nunca passou de simples especulações.
Ao longo dos milénios, o forte ritual de acasalamento dos incubadores bocais, foi tornando-se cada vez mais estabilizado facto esse que tornou os Eggspots não tão essenciais para o processo reprodutivo. Por isso ao longo do processo evolutivo, algumas espécies foram perdendo os seus Eggspots.
Em termos de conclusão, podemos afirmar que existem três tipos de situações nos incubadores bocais, o que possuem verdadeiros Eggspots os que possuem falsos Eggspots e os que puro e simplesmente não possuem nada, no entanto em qualquer uma das situações o objectivo é claramente a reprodução e a consequentemente propagação das espécies.
[b]Video 1
Neste vídeo podemos ver o ritual de acasalamento e a consequente fertilização, bem com algumas das estratégias que o macho utiliza para o conseguir.[/b]
Os Eggspots, são especificamente “egg dummies”, que simulam os ovos reais dos peixes quer em forma quer em cor, por isso são redondos e de cor amarela. O nome egg (ovo) spot (ponto) é alusivo ao acima referido, sendo também vulgarmente conhecidos como ocelos. Na sua grande maioria, os Eggspots apresentam-se em número compreendido entre um a nove pontos nas barbatanas anais nos machos do grupo de peixes que os possuem, no entanto existem algumas poucas excepções, nomeadamente em algumas espécies, onde podemos observar os Eggspots também nas fêmeas e até ver machos sem eles. Claro que nem todos os peixes têm Eggspots, isso está reservado essencialmente para os incubadores bocais, pois os Eggspots são um importante aliado que os machos utilização para poderem fertilizar os ovos que as fêmeas já têm na boca. Bom, isto assim dito, parece algo estranho, afinal o tem uma coisa a ver com a outra? Durante o ritual de acasalamento, e também durante as primeiras corridas que tem lugar por vezes durante horas a fio, antes mesmo do acasalamento propriamente dito, o macho abana o seu corpo em lentos movimentos circulares mostrando a sua barbatana anal, se uma fêmea “morder o isco”, geralmente isso representa que estamos perante uma fêmea madura e pronta a desovar. É enquanto dura o ritual de acasalamento, que a função biológica deste processo se torna clara, isto porque, é aí que a fêmea ao confundir os Eggspots com os seus próprios ovos, instintivamente tenta apanha-los com a sua boca, então o macho aproveita a proximidade da boca da fêmea junto à sua barbatana anal (onde estão os seus Eggspots ou egg dummies) e lança o seu esperma para a boca da fêmea e com isto vai fertilizando os ovos que a ela entretanto já foi colocando na sua boca, este processo ou ritual pode durar horas.
Foto 1: Nesta foto vemos a fêmea a ser atraída pelo Eggspots do macho.
Foto 2: Nesta foto vemos a fêmea a depositar os ovos em pleno ritual.
Os Eggspots e o seu consequente ritual têm também uma outra relação com os “spawn-robbers”, como é o caso de alguns Synodontis como o Synodontis Grandiops, e mais uma vez podemos achar estranho esta afirmação. A já referida fertilização com o macho a lançar o seu esperma directamente na boca da fêmea usando os seus Eggspots como “isco”, é de uma extrema importância para o sucesso de uma incubação, isto porque, muitos dos ovos que a fêmea tem na boca não estão fertilizados, pois logo após ela os depositar no solo, apanha-os com a sua boca de uma forma tão rápida que não dá tempo de o macho os fertilizar nesse momento daí a necessidade do ritual atrás referido. Essa rapidez que a fêmea demonstra em apanhar os seus ovos na boca, é para evitar perdas, pois existe um real perigo dos ovos serem comidos pelos “spawn-robbers”, como é o caso dos peixes gato. No caso particular dos Synodontis, os mesmo são especialistas em comer os ovos durante o ritual de acasalamento dos ciclídeos, e no muito particular caso dos Synodontis “cucos” que usam uma sistema pérfido que se sobrepõe ao sistema defensivo dos ciclídeos incubadores bocais, tirando vantagens sobre estes para os seus próprios objectivos reprodutivos, sendo que os Synodontis “cucos” conseguem fazer com que os ciclídeos fêmeas estejam a incubar juntamente com os seus ovos, ovos de Synodontis, e no final da incubação serão os peixes gatos a prevalecer na boca dos ciclídeos. Outra situação que leva as fêmeas a apanharem os seus ovos com extrema rapidez, é o facto de no seu habitat existirem correntes fortes, característica bem conhecida no Lago Malawi, e devido os seus ovos não serem adesivos existe o risco real de eles escaparem com a corrente ou com as águas turbulentas e de serem predados por outros peixes ou de elas não os conseguirem simplesmente apanhar. Todas as situações até aqui relatadas são incluídas nos peixes que tem Eggspots ou melhor dizendo true eggspots, isto é, Eggspots verdadeiros. Os Eggpots Verdadeiros, são todos aqueles que tem a cor e o formato de um ovo, amarelos e redondos, tendo ainda uma margem transparente a rodea-los, como facilmente se podem ver na totalidade ou quase dos mbunas e na grande maioria dos haps.
Foto 3: Nesta imagem temos um macho com Eggspots verdadeiros.
Existem no entanto excepções a estes “standard Eggspots”, como é exemplo disso os Ophthalmotilapia, que não tem Eggspots, mas sim uns pontos nas pontas das suas longas barbatanas ventrais, outro exemplo são os Pseudocrenilabru, que apesar de terem esses pontos na barbatana anal. Tal como os Ophthalmotilapia também estes não possuem Eggspots, mas sim uns pontos amarelos ou vermelhos, na ponta das barbatanas ventral ou anal consoante os casos, e ainda no caso dos Pseudocrenilabru podem ter uma risca colorida nas margens da barbatana anal. Em ambos os casos funcionam como "egg dummies" tendo por isso a mesma função daqueles que tem os “true Eggspots” ou Eggspots verdadeiros.
Foto 4: Nesta imagem temos aqui um macho com falsos eggspots, mas neste caso muito singular, eles encontram-se em ambas as barbatanas ventrais.
Outra função dos “true Eggspots” ou Eggspots, como queiram, é a sinalização. Em contraste com o vestido de namoro, com frequência bastante escuro que os machos apresentam, os Eggspots tem uma cor clara e reflexiva, e com facilidade tornam-se extremamente visíveis à fêmea durante o início da dança de acasalamento, sendo um sinal claro para ela que aqui existe um parceiro potencial de desova. Uma vez conseguida a atenção da fêmea, o macho intensifica a sua actividade de corte e quando a fêmea se aproxima o macho imediatamente mostra a sua barbatana anal e consequentemente os seus Eggspots de forma a leva-la ao local por ele escolhido para o acasalamento. Este processo usado pelo macho, também é conhecido como “follow me”. As fêmeas que estão prontas a desovar, estão aparentemente impotentes para resistir a este “follow me”, devido à sua sua programação genética. No caso dos peixes que não tem Eggspots, os chamados“false eggspots”, também existe algo a dizer. Encontramos esses falsos Eggspots nos géneros Aulonocara ou Lethrinops, e muitas vezes em largo número na sua barbatana anal em forma de pontos, mas também de marcas ou listas. Esses pontos, não são rodeados pelo anel transparente característico dos Eggspots, e muito menos tem a típica coloração de ovo dos Eggspots, bem pelo contrário, frequentemente são claros, metálicos e refletivos, apresentando uma cor dourada.
Foto 5: Nesta foto vemos um macho com vários pontos que não são considerados Eggspots, são os chamados falsos Eggspots, pois não tem o tal anel transparente característicos dos verdadeiros Eggspots.
Os falsos Eggspots tem como principal característica a técnica do “follow me”, no fundo usando esses pontos coloridos para atrair a fêmea para o território demarcado pelo macho para o acasalamento. No género Otopharynx, esses falsos Eggspots sofreram uma metamorfose e são agora umas listas coloridas e não são mais ovais ou circulares na sua forma.
Foto 6: Nesta imagem podemos ver um macho com falsos Eggspots, sendo estes alongados e coloridos.
Foto 7: Nesta imagem podemos ver um macho com falsos Eggspots, que não passam de apenas uma lista colorida na margem da barbatana anal.
No género Serranochromis, esses falsos Eggspots, são ovais e relativamente pequenos, sendo rodeados por um anel, mas em vez de ser um anel transparente é um anel colorido e de cor diferente do seu centro. O facto de estas espécies não terem Eggspots ou os verdadeiros Eggspots, foi verificado em diversas observações que as fêmeas no acasalamento, ao contrário das espécies que os tem, o alvo do abocanhamento não é a barbatana anal, mas apenas à volta da zona genital do macho. Existem ainda um grupo que apesar de serem igualmente incubadores bocais e tendo o mesmo tipo de ritual de acasalamento que os incubadores bocais “normais”, que puro e simplesmente não tem Eggspots, nem mesmo os falsos Eggspots, sendo este um fenómeno onde se inserem os géneros Cyrtocara e Fossorochromis, no entanto o seu comportamento é muito semelhante aos que tem os falsos Eggspots, nomeadamente no que respeita à atitude da fêmea no acto do acasalamento, pois como ela não tem os verdadeiros Eggspots, o seu comportamento não é condicionado por eles.
Foto 8: Nesta imagem temos um macho sem Eggspots.
No caso dos géneros Copadichromis e Otopharynx, apesar de serem dois géneros com falsos Eggspots, não apresentam grandes diferenças em relação aos demais géneros com os verdadeiros Eggspots, no que diz respeito quer ao ritual quer na atitude das fêmeas. Uma das coisas sobre este tema dos Eggspots, sobre o qual ainda não existe uma clara justificação científica, é o porquê das fêmeas também terem Eggspots. Nos casos dos Mbunas do Lago Malawi, esses incubadores bocais, que são todos possuidores dos verdadeiros Eggspots, os Eggspots das fêmeas são rudimentares, eles são quase todos menores, em pequenas quantidades e nenhum tem o famoso anel transparente que os machos apresentam, sendo esta uma não infalível, mas muito acertada forma de sexar os mbunas do Lago Malawi.
Foto 9: Nesta imagem temos um macho, com vários Eggspots na barbatana anal e com o tal anel transparente á volta de cada uma.
Foto 10: Nesta imagem vemos uma fêmea com Eggspots, mas se repararmos com atenção, não têm o tal anel transparente à volta do eggspot.
Até à data não existe nada que indique qual a função dos Eggspots nas fêmeas, além de um não funcional subproduto do processo evolucionário, um pouco à imagem dos mamilos em alguns mamíferos machos, como o caso dos seres humanos. Os Eggspots não se limitam à barbatana anal, eles também existem na barbatana dorsal e até na barbatana caudal, sendo que esses últimos, não são diferentes dos que se encontram na barbatana anal, nem em forma nem em cor, são iguais.
Foto 11: Nesta Imagem vemos um macho com verdadeiros Eggspots em todas as barbatanas.
Antes dos Eggspots serem alvo de uma investigação profunda pela comunidade científica, nada levaria a acreditar que existia uma diferença significativa entre os Eggspots da barbatana anal e os Eggspots da barbatana dorsal ou mesmo da barbatana caudal. Em particular as espécies sem os verdadeiros Eggspots, tem muitas vezes vários pontos coloridos nas três barbatanas (anal, dorsal e caudal), isso acontece pela simples razão de tentarem com isso criarem uma melhor impressão geral, tornando-se mais marcantes e com isso tirarem benefícios a que a namoros diz respeito. Wickler foi o primeiro a explicar as funções dos verdadeiros Eggspots, mais detalhadamente. De facto, outros já tinham descrito o comportamento reprodutivo dos incubadores bocais Africanos, antes de Wickler, mas nunca tinham chegado a conclusão alguma acerca dos Eggspots Um caso em concreto é o de Kirchshofer, que apelidou os Eggspots como “eye-spots”, tendo feito alguns avanços na explicação, mas nunca passou de simples especulações. Ao longo dos milénios, o forte ritual de acasalamento dos incubadores bocais, foi tornando-se cada vez mais estabilizado facto esse que tornou os Eggspots não tão essenciais para o processo reprodutivo. Por isso ao longo do processo evolutivo, algumas espécies foram perdendo os seus Eggspots. Em termos de conclusão, podemos afirmar que existem três tipos de situações nos incubadores bocais, o que possuem verdadeiros Eggspots os que possuem falsos Eggspots e os que puro e simplesmente não possuem nada, no entanto em qualquer uma das situações o objectivo é claramente a reprodução e a consequentemente propagação das espécies.
Video 1: Neste vídeo podemos ver o ritual de acasalamento e a consequente fertilização, bem com algumas das estratégias que o macho utiliza para o conseguir.
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