Logo
 Início   |    Artigos   |    Espécies   |    Aquários   |    Galeria   |    Entrevistas   |    Loja   |    Fórum   |    Links

Notícias

2018-09-02
Nova ficha para Lepidiolamprologus attenuatus

2018-08-29
Nova ficha da espécie Placidochromis electra

2018-08-29
Entrevista a Heiko Bleher

2018-08-29
Nova ficha da espécie Metriaclima sp. "dolphin"

Aqualot
Software de Gestão de Aquários
Estatísticas
95 Artigos
283 Espécies
113 Aquários
Visitante nº: 5108605
Online: 45

Artigos



Os Ciclideos Centro e Norte Americanos
Miguel Monteiro

São conhecidos como os ciclídeos do novo mundo. Os primeiros ciclídeos terão aparecido quando existia apenas um grande continente, o Pangeia. Após a separação do grande continente em dois, os ciclídeos também foram divididos. Os do velho mundo ficaram no continente africano e os do novo mundo no continente americano e ao longo de 90 milhões de anos, têm vindo a evoluir em diferentes espécies, adaptando-se ao respectivo meio ambiente.

Os ciclídeos do novo mundo ainda se dividem em Sul, Central e Norte Americanos. O istmo do Panamá é a fronteira entre o sul e o centro, o norte começa no México.  Os ciclideos do Sul apresentam maior variedade e quantidade de espécies, desde os pequenos anões aos grandes amazónicos. Os Central e Norte Americanos apresentam menos quantidade, mas boa variedade, com espécies que podem variar entre os 15 cm’s a 70 cm’s.

Na América Central e do Norte estão actualmente descritas cerca de 110 espécies válidas, distribuídas por Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala e Belize. Também se encontram espécies nativas em Cuba, Haiti e República Dominicana. Na América do Norte, encontram-se no México e Estados Unidos, mais precisamente no estado do Texas, um representante, o Herichthys cyanoguttatus. 

A América Central conta ainda com um representante do género Geophagus, o crassilabrus, no norte do Panamá e outro representante do género Aequidens, o caerulopunctatus, na Costa Rica. 

A escolha destes fantásticos ciclídeos continua muito aquém do que merecem, devido a má reputação, por exigirem mais espaço e também por desconhecimento.  A variedade de espécies existentes permite várias soluções em termos de espaço disponível. Com as condições adequadas, nomeadamente um volume de água ajustado à fauna e à sua compatibilidade é possível descobrir a verdadeira beleza destas espécies e conhecer a sua verdadeira personalidade. 

Há quem diga que são das espécies mais inteligentes do hobby, principalmente os grandes guapotes, dada a que interactividade que podem demonstrar com os donos, sendo por vezes comparados com cães ou gatos, como animal de estimação. De facto algumas espécies parecem ser capazes de responder a diferentes estímulos e conseguem criar um vínculo com os seus donos. 

Taxonomia 
A taxonomia dos central-americanos está numa grande confusão. Ao nível da descrição das espécies tem havido algum equilibrio, mas há muita incerteza relativamente aos géneros a que pertencem. As espécies saltam de género para género, depois são criados novos e outros deixam de existir. Estas alterações regulares têm provocado muita desinformação, as opiniões dividem-se, certos trabalhos apresentados são reconhecidos por uns e ignorados por outros. Há ainda muito trabalho por fazer na triagem e classificação das várias espécies, até chegar o consenso.

As espécies descritas, sem género definido, estão a aguardar no género emprestado Cichlasoma, embora seja um género restringido por Kullander ao grupo de espécies sul-americanas do tipo bimaculatum, enquanto não lhes for atribuído novo género, terão de manter-se naquele sobre o qual foram descritos.

 

Características da água

Na América Central existem diversos biótopos, como lagos pouco e muito profundos de águas estagnadas ou lamacentas, rios lentos e rápidos, pequenos riachos, alguns deles muito rasos e quentes no verão e, ocasionalmente, são encontradas algumas espécies em águas salobras, e até embora raramente, em zonas costeiras marinhas. No entanto, a generalidade destes biótopos caracterizam-se por serem de águas duras e alcalinas devido à forte concentração envolvente de rocha calcária. 

Assim, em aquário são recomendáveis valores neutros a subir ligeiramente para o alcalino, sendo importante a estabilidade dos parâmetros. Se a água da torneira for adequada melhor, se não, podem ser adicionados os mesmos sais que são utilizados para ciclídeos africanos, mas de forma mais suave, adequada aos valores que se pretendem.

A temperatura da água poderá rondar os 20-30 º C. Há quem goste de os manter em temperaturas mais altas, pode aumentar a frequência normal de desovas. Os central-americanos são metabolicamente menos activos com temperaturas mais baixas e em consequência, têm menos apetite, fazem menos sujidade, facilitando significativamente a manutenção e qualidade da água do aquário. Além disso, ficam também mais calmos.


Manutenção
Aquários e espécies de grandes dimensões requerem um sistema de filtragem potente e eficiente em conjunto com mudanças de água regulares. Recomenda-se a utilização de filtros exteriores com boa eficácia em termos de filtragem mecânica e biológica, que efectuem uma rotação de água de pelo menos oito vezes por hora o volume total do aquário. As mudanças de água são essenciais, 40% do volume por semana, com aspiração do fundo. A limpeza dos filtros também não pode ser negligenciada, sempre que pareçam estar a precisar. 

Algumas espécies, como as pertencentes aos géneros Theraps, Paraneetroplus e Tomocichla, estão adaptadas a águas com correntes fortes na natureza e necessitam duma filtragem acima da média, com de muita circulação de água no aquário e com níveis de amónia e nitrito sempre a zero e de nitrato de níveis tão baixos quanto possível.


Tamanho do aquário
Todos os aquários são minúsculos quando comparados com os habitats naturais e a escolha da fauna deve ser feita à medida do aquário. Penso que o mínimo seja um aquário de 1 metro, para um ou dois casais dos mais pequenos, como os Cryptoheros. São ciclideos territoriais, gostam de ter o seu canto, quando falamos em espécies maiores, um aquário de 2 metros torna-se pequeno. A taxa de lotação do aquário com central-americanos é facilmente alcançada. Enquanto são jovens é possível mantê-los em maior número, o espaço adequa-se ao tamanho que têm.


A forma do aquário é também muito importante, devemos olhar para a área útil e menos para a altura, embora existam espécies com uma altura considerável, a divisão de territórios é feita no 'chão'. A harmonia do aquário está muito dependente do espaço em que são inseridos


Decoração 
Um aquário bem decorado, além dos termos estéticos, oferece harmonia aos seus habitantes. Tenho visto muitos aquários praticamente despidos, em que se dá primazia ao espaço aberto. É importante dar-lhes espaço para nadar, mas é essencial que se sintam seguros e para isso precisam do seu refúgio. A segurança é um elemento essencial para uma vida saudável, já que sem ela vem o stress, tornando-os vulneráveis a doenças, reduzindo-lhes a imunidade e enfraquecendo as suas resistências a agentes patogénicos ou a infecções bacterianas, muitas vezes fatais.

Devemos construir esconderijos, delimitar territórios e criar barreiras visuais. Podem ser utilizadas pedras, troncos ou outros materiais. Algumas espécies gostam de escavar buracos, as pedras devem ficar bem seguras, prevenindo acidentes. 

Apesar da maioria não ser propriamente herbívora, alguns gostam de mordiscar plantas e de as desenterrar. Se quiser colocar plantas, terá de as prender em pedras ou troncos para evitar o desenraizamento. As plantas que são comercializadas já enraizadas em troncos ou pedras são uma óptima opção e as que vêm em vasos, devem ser enterradas com eles. Utilize apenas plantas resistentes, como as Anubias, Fetos de java, Vallisnerias, Echinodorus, Microsorums, etc., mas mesmo estas estão sempre em risco de serem comidas. Se colocar apenas uma ou duas plantas no aquário, dificilmente escaparão. A melhor solução é colocar várias duma só vez, fora das zonas mais abertas do aquário e de preferência enquanto apenas se têm jovens. Não há dúvidas que as plantas melhoram e muito a estética dum aquário, criando um ambiente mais harmonioso, além de formarem bons esconderijos, produzirem oxigénio e consumirem resíduos tóxicos produzidos pela fauna.

Quanto ao substrato a maioria das espécies prefere um natural ou de tons mais escuros, mas de preferência de pequena granolometria. Como grandes poluidores, não é recomendável usar muita quantidade de areia, bastando 1 a 3 cm’s de altura, de forma a evitar a acumulação de muitos detritos no fundo e a facilitar a sua limpeza. Além disso, com pouca areia, as escavações nunca são muito profundas, evitando-se desmoronamentos do layout.

Não apreciam aquários muito iluminados, porque na natureza a vegetação abundante proporciona-lhes muitas sombras, bastando uma iluminação que seja suficiente para puxar um pouco pelas suas cores.


Comportamento 
São todos territoriais, mas com diferentes graus de intensidade. É importante escolher bem, existem muitas espécies incompatíveis e que se podem ferir ou matar. O espaço é também fundamental, o comportamento e a incompatibilidade pode também variar consoante o espaço oferecido.


A incompatibilidade dá-se principalmente intra-espécie, mas também entre espécies do mesmo género. Em algumas espécies, não é fácil formar casal, por vezes é necessário separá-lo, o macho pode tornar-se agressivo para a fêmea. A altura da reprodução é sempre critica em termos de agressividade, principalmente na defesa dos ovos e dos filhotes. Caso seja possível, a melhor solução é sempre isolar o casal.

É sempre recomendável colocar todas as espécies pretendidas no aquário na mesma altura, quando ainda são jovens, para definirem logo os territórios, estabelecerem hierarquias e habituarem-se uns aos outros. Devemos optar por manter apenas um género por aquário, por exemplo, uma espécie de Herichthys, uma de Nandopsis, outra de Thorichthys e assim por diante, já que as espécies do mesmo género, estão mais próximas e partilham mais características que podem manifestar-se em termos comportamentais, na forma do corpo, e locais ocupados no aquário. Não é difícil perceber que as semelhanças podem gerar graves conflitos, mas não se admirem por ver espécies mais distantes não serem grandes amigos.

Na ausência de parceiro da mesma espécie, aumentam-se as probabilidades de gerar híbridos no aquário, pois vão escolher o parceiro do lado, principalmente quando há espécies do mesmo género, neste caso o ódio pode tornar-se em amor, por passaram de espécies rivais a um casal.

 

Companheiros ideais
Os ciclídeos de médio e grande porte podem ser mantidos com outras famílias de peixes, mas a selecção das espécies nem sempre é fácil, pois o ideal é que não sejam comidos ou mortos.

Para que não sejam comidos, precisam de ter o tamanho adaptado ao dos ciclídeos.  

Quando são mantidos com os denominados “Dither fish”, sentem-se mais seguros e perdem timidez, saindo mais dos seus esconderijos, pois usam o comportamento dos outros como indicador de segurança. Se utilizarmos espécies mais sociais e extrovertidas, vão andar menos defensivos. Existem enumeras espécies que poderão desempenhar esse papel, desde que haja compatibilidade com a química da água. Por outro lado, para os próprios dither não se sentirem inseguros e manterem um comportamento normal, deverá ser sempre colocado um cardume no mínimo de 10 elementos. Só a título de exemplo, a família dos Ciprinídeos oferece um leque de excelentes opções, já que conta com espécies das mais variadas dimensões.

Também há quem os mantenha com os denominados peixes alvo, muitas vezes confundidos com os Dither fish, mas com uma utilidade diferente. Os peixes alvo são utilizados para dispersar a agressividade de certos casais que não podem ser mantidos sozinhos. No fundo, são outros ciclideos, só que uns são os actores principais e os outros, actores secundários.

Outros possiveis companheiros são os Locarídeos. Além beleza apresentada por muitas espécies são muito úteis para limpeza dos restos de comida deixada pelos ciclídeos. No entanto, não convém alimentá-los apenas com restos, normalmente os ciclideos também os procuram.



Reprodução
São na sua generalidade monogâmicos, existindo uma forte ligação entre os casais formados. A dificuldade na formação de casais varia entre espécies, mas normalmente, com um pequeno grupo de juvenis, consegue-se formar pelo menos um casal. 

O cuidado parental que eles mostram para os seus jovens é digno de se observar. São os melhores pais que um pequeno alevim pode ter, vão protegê-los até aos limites das suas forças. Por vezes é necessário isolar o casal, a agressividade associada à protecção da desova pode levar à morte de companheiros do aquário.

É um privilégio observar o comportamento destas espécies neste período e uma oportunidade de podermos deslumbrar os progenitores dentro duma chuva de centenas de alevins.


Sexagem
A sexagem é normalmente efectuada pela coloração, comportamento ou a forma do corpo e das barbatanas. Os jovens são mais difíceis de sexar, mas os machos costumam ser ligeiramente maiores que as fêmeas, apesar deste método ser falível


Alimentação
A dieta varia de espécie para espécie e em aquário comem praticamente de tudo o que lhes for oferecido. No caso de espécies com necessidades alimentares distintas, ter sempre em atenção às que menos precisam.

Convém variar um pouco e de forma equilibrada a alimentação vegetal e animal. Na natureza a comida não lhes cai do céu e têm de nadar muito para conseguirem alimentar-se. No aquário, nadam pouco e normalmente comem demais. Não é por isso de estranhar, que as espécies de cativeiro possam crescer mais do que as selvagens.

Os alimentos vivos, são sempre uma boa alternativa e mais económica, desde que seja criação própria ou de confiança e sem risco de contaminações.

Relativamente aos hábitos alimentares podemos diferenciá-los por Piscívoros, Herbívoros e Omnívoros. 

No topo da cadeia alimentar temos os Piscívoros, também conhecidos por guapotes, alguns com porte acima dos 30 cm’s, nos quais podemos incluir o género Parachromis e a Petenia splendida. A espécie mais conhecida deste grupo é talvez o managuense (Jaguar). Devem ser mantidos com ciclídeos de maior porte, necesssitam de aquários acima de 2 metros para uma vida saudável.

Depois temos Herbívoros (ou tendencialmente herbívoros), também de dimensões consideráveis, onde se encontram algumas das espécies dos géneros Herichthys, Paratheraps, Vieja e Paraneetroplus . Apesar de não serem totalmente herbívoros, vale a pena lembrar que o seu intestino tem quase o dobro do tamanho dos outros, pelo que a sua dieta deverá ter maior percentagem em matéria vegetal.

As plantas são um petisco para estes meninos, principalmente quando lhes faltam com alimentos de origem vegetal. Deste grupo, a espécies mais conhecida é o Herichthys Carpintis.

Por fim temos os Omnívoros, que compõem a grande maioria dos ciclídeos, já que aceitam praticamente todo o tipo de alimentos, sejam eles de origem vegetal ou animal. Na natureza alimentam-se tanto de insectos e crustáceos, como de plantas e algas. Alguns Amphilophus, são inclusivamente conhecidos como Detritívoros, porque a sua dieta também inclui detritos.

Estas são algumas das espécies que mantenho:

Herichthys Carpintis – É uma espécie lindíssima, que fica bem em qualquer aquário central americano, com uma coloração de rara beleza em tons de azul esverdeado. Em aquário chegam aos 25 cm’s, mas mantidos nas condições ideais são razoavelmente bem comportados em comunitários, já que gostam de ficar sossegados no seu território.

Rocio octofasciatum – Mais conhecido por Jack Dempsey em honra ao campeão mundial de boxe dos anos 1920. O exemplar da foto é normalmente denominado por Blue Dempsey, por se tratar de uma variante azul da espécie. É uma das espécies favoritas de muitos aquariofilistas, pela sua espectacular coloração e pela facilidade de manutenção. Atingem cerca de 20 cm’s e em termos de agressividade existem bons e maus relatos, no meu caso, não os achei muito agressivos a não ser nos períodos de reprodução.

Astatheros robertsoni - É mais uma espécie excelente, relativamente de fácil de manter. Há que denomine este género de serem os Eartheaters da América Central, pelas suas características alimentares se assemelharem com os Geophagus Atingem os 20 cm’s e não são muito agressivos, já que nunca chegam a por em causa a integridade física dos restantes companheiros.

Paraneetroplus bulleri – Trata-se de um jovem ainda com muito para mostrar. A cabeça e barbatanas irão ganhar uns tons vermelhos com uma mistura de amarelo pelo resto do copo. Esta espécie pode chegar aos 30 cm’s e exige um aquário grande e com muita circulação de água, já que provém de Rios e riachos de fluxo rápido. Não são muito agressivos e a dieta deverá ser tendencialmente herbívora.

Thorichthys aureus – Muito bonitos e interessantes, podendo ser perfeitamente mantidos em aquários comunitários. Não precisam de aquários muito grandes, já que atingem no máximo 15 cm’s e normalmente têm um excelente temperamento com outros peixes de igual porte, mas dentro do Thorichthys talvez sejam os mais agressivos, uma vez que são intolerantes intra-espécie A foto é demonstrativa.

Vieja argentea – Mais um jovem em crescimento que irá ficar muito bonito em adulto, com uma de coloração pérola e inúmeras manchas pretas no corpo e umas maiores na zona da cabeça. Pela foto até custa acreditar que este menino vai chegar aos 35 cm’s. Tem fama de ser agressivo, mas oferecendo-lhe condições será facilmente controlada.

Hypsophrys nicaraguensis - Apesar de atingirem 25 cm’s, são peixes relativamente pacíficos, apesar de territoriais e estão dentro dos espécimes mais bonitas do hobby, com cores incríveis que variam muito consoante a população. A foto mostra um casal jovem formado.

Amphilophus nourissati – Outro jovem que promete, pela sua coloração em adulto. Podemos classificá-lo de médio porte, uma vez que atingem no máximo 25 cm’s e não é uma espécie muito agressiva, sendo até um pouco tímida, pelo que necessitam de ser mantidos em aquários com muitos esconderijos.

Cichlasoma salvini – É mais uma espécie super interessante, com uma coloração espectacular e de temperamento de moderado. Não é um ciclideo de grande porte, pois em adultos podem atingir no máximo 20 cm’s. São meio reservados e gostam de permanecer no seu território, onde se sentem mais à vontade

Voltar

Todo e qualquer conteúdo do Ciclideos.com não pode ser reproduzido, copiado ou publicado em qualquer outro local sem autorização expressa dos seus autores e do Ciclideos.com


Copyright © 2019 Ciclideos.com. Todos os direitos reservados.
Site desenvolvido por Karbono.com