Os Ciclídeos formam uma família de peixes de água doce com mais de 1500 espécies formalmente descritas, estando estimadas mais de 2000. Estão geograficamente distribuídos em Africa, Médio Oriente (Irão e Síria), sul da Índia, Sri Lanka, ilhas de Madagascar, Cuba e Hispanhola e nas Américas do Norte, Central e do Sul.
Actualmente, a família Cichlidae é um grupo composto por 4 subfamílias: Etroplinae (ciclídeos indianos), Ptychochrominae (ciclídeos de Madagascar), Cichlinae (ciclídeos americanos) e Pseudocrenilabrinae (ciclídeos africanos).
A subfamília Cichlinae reúne todos os géneros de ciclídeos distribuídos através das Américas do Sul e Central e também na região sul da América do Norte, com 61 géneros classificados dentro das três maiores tribos, Geophagini, Cichlasomatini e Heroini, as demais tribos Cichlini, Retroculini e Astronotini com um género, Chaetobranchini , com dois muito próximos.

Os taxonomistas tentam definir os géneros como grupos naturais. Num grupo natural, as espécies compartilham um ancestral comum. Se determinado grupo de espécies está mais relacionado entre si, do que com quaisquer outras espécies de outros grupos, devem ser agrupadas num género próprio.
São à volta de 500 espécies neotropicais formalmente descritas, torna-se mais fácil conhecê-las agrupados em géneros, quando se conseguem reunir espécies mais próximas, o que normalmente acontece. A classificação actual dos géneros, de uma forma geral, respeita as características das espécies que formam os respectivos grupos, há acertos por definir e espécies ainda a aguardar género.
O comportamento reprodutivo está dividido em 2 tipos

A incubação de substrato, os ovos são depositados em ninhos numa superfície plana e ambos os pais cuidam da prole por várias semanas.

A incubação bucal, os ovos são depositados numa superfície plana e são recolhidos na boca dos progenitores quando se aproxima a eclosão. O cuidado da prole é biparental, com excepção a algumas espécies Geophagus e Gymnogeophagus, que apresentam incubação bucal exclusivamente materno.
Tribo Cichlasomatini
Cichlasomatini reúne um dos principais grupos de ciclídeos sul-americanos, incluindo espécies de pequeno porte, com mais de 70 espécies distribuídas em 11 géneros, adaptadas a diversos tipos de habitat, de diferentes cantos da bacia amazónica e que neles evoluíram em linhagens distintas, especialmente em redor das Guianas e nas encostas dos Andes.
Lista de Géneros: Cichlasoma, Acaronia, Aequidens, Andinoacara, Bujurquina, Cleithracara, Ivanacara, Krobia, Laetacara, Nannacara,Tahuantinsuyoa
Cichlasoma
bimaculatum, taenia, dimerus, portalegrensis, microlepis, amazonarum, araguaiense, boliviense, orientale, orinocense, paranaense, pusillum, sanctifranciscense, zarskei

Cichlasoma dimerus - foto Diogo Lopes
Este género foi restringido por Kullander a este grupo de espécies, mais próximas da espécie tipo C. bimaculatum. São sul americanas, estão descritas 14 espécies, distribuídas por toda a Amazónia, algumas adaptadas a clima temperado, com oscilações de temperatura e águas mais frias no período de inverno. Normalmente não chegam aos 20 cm, têm um comportamento bastante tranquilo em aquário, a reprodução em substrato.
Manutenção num aquário mínimo 300L (150x40x50)
Acaronia
nassa, vultuosa

Duas espécies válidas do Brasil, muito raras no hobby, apesar de abundantes na Natureza. São predadores, com a boca altamente protráctil, chegam aos 20 cm. Podem ser mantidos num comunitário, com espécies de porte e temperamento idêntico. A reprodução ocorre em água ácida e com temperatura alta.
Manutenção num aquário mínimo 370L (150x50x50)
Aequidens
tetramerus, filamentosus, diadema, pallidus, viridis, hoehnei, rondon, metae, chimantanus, patricki, plagiozonatus, tubicen, michaeli, epae, gerciliae, mauesanus

Aequidens patricki - foto Miguel Monteiro
Os herdeiros dos Acara, já muitas espécies passaram por este grupo, neste momento são 16 espécies, com algumas a aguardar descrição. A. tetramerus apresenta algumas variantes, poderá vir a ser dividida em várias espécies. Ocorrem no Brasil, Colômbia, Guianas, Perú e Suriname. Reúne espécies de médio porte, podem alcançar 25 cm, mas são relativamente calmos, fora da época de reprodução. São monogâmicos, a reprodução é feita em substrato, excepção feita a diadema e pallidus, são incubadores bucais.
Manutenção num aquário mínimo 370L (150x50x50)
Andinoacara
latifrons, biseriatus, blombergi, coeruleopunctatus, pulcher, rivulatus, sapayensis, stalsbergi

Andinoacara rivulatus - foto Bruno Peixoto
Os Acaras dos Andes, com 8 espécies distribuídas em ambas encostas andinas, na região norte e ocidental da América do Sul, com coeruleopunctatus a chegar mais a norte, Panamá e Costa Rica. A coloração e aparência destas espécies conferiu-lhes alguma popularidade, embora não sejam fáceis de manter com qualquer companhia. A reprodução é em substrato, têm um crescimento rápido até aos 20-30 cm.
Manutenção num aquário mínimo 370L (150x50x50)
Bujurquina
moriorum, vittatus, syspilus, zamorensis, mariae, apoparuana, cordemadi, eurhinus, oenolaemus, pardus

Bujurquina oenolaemus – foto Miguel Monteiro
Dezoito espécies pouco vistas, anteriormente classificadas como Aequidens, estão descritas a partir do Perú , mas também ocorrem no Brasil, Colômbia, Bolívia e Equador. São Incubadores bucais, pacíficos e sociáveis, dentro das medidas de um anão, ficam pelos 12 cm.
Manutenção num aquário mínimo 160L (100x40x40)
Cleithracara
maronii

Cleithracara maronii - foto Gonçalo Silvestre
Género monotípico para maronii, anteriormente incluída no género Aequidens. Encontra-se distribuída nas Guianas e Suriname. Uma espécie tranquila de águas macias. A reprodução em substrato, são monogâmicos, podem ser mantidos em colónia de 5-6 ou apenas um casal.
Manutenção num aquário mínimo 160L (100x40x40)
Ivanacara
adoketa, bimaculata

Ivanacara adoketa - foto Ricardo Fonseca
Anteriormente atribuídas ao género Nannacara, duas espécies anãs do Brasil e Guianas, ficam pelos 10 cm. Não devem ser mantidas com espécies de porte maior, os índices de stress sobem facilmente e com maus resultados. A reprodução ocorre em águas ácidas e em substrato, preferem utilizar uma gruta se disponível.
Manutenção num aquário mínimo 100L (70x40x40)
Laetacara
flavilabris, araguaiae, curviceps, dorsigera, flamannellus, fulvipinnis, thayeri

Laetacara araguaiae - foto Diogo Lopes
Os Acaras alegres, com sorriso marcado na face, um grupo de espécies anãs, ficam com 5- 8 cm, distribuídos no Brasil, Perú, Venezuela, Colômbia. L. dorsiger conta com populações no Paraguai, Uruguai e Argentina, adaptadas a temperaturas mais baixas no inverno . Já foram populares no hobby, têm-se visto pouco nos últimos anos. Conseguem mudar de cor e padrão muito rapidamente. A reprodução em substrato.
Manutenção num aquário mínimo 100L (70x40x40)
Nannacara
anomala, taenia , aureocephalus , quadrispinae

Nannacara anomala - foto Gonçalo Silvestre
Quatro espécies anãs, que não chegam aos 8 cm, distribuídas pela Venezuela, Guianas e Brasil. Apresentam boa coloração, comportamento e resistência, quando mantidas com espécies compatíveis. A reprodução em substrato.
Manutenção num aquário mínimo 100L (70x40x40)
Tahuantinsuyoa
macantzatza, chipi

Tahuantinsuyoa macantzatza – foto Miguel Monteiro
Os Inca Stone Fish, duas espécies nativas do Perú, nas nascentes do Amazonas, rios de águas claras, com fundo rochoso e arenoso, com corrente moderada. O tamanho ronda os 10-12 cm, são Incubadores bucais, com relações intra-específicas pouco amigáveis em aquário.
Manutenção num aquário mínimo 180L (120x40x40)
Krobia
guianensis, potaroensis, itanyi, paloemeuensis, xinguensis, petitella

Krobia xinguensis - foto António Mendes de Almeida
Um grupo de seis ex-Aequidens, assim denominados em muitos livros e páginas, distribuídos nas Guianas, Suriname e Brasil. O tamanho pode variar de 12 a 20 cm, apesar da maioria rondar 15 cm. Não são muito exigentes quanto a parâmetros da água, excepto em periodos reprodutivos, em substrato, onde será melhor manter a água mais ácida.
Manutenção num aquário mínimo 370L (150x50x50)
Tribo Heroini
Heroini é a segunda maior tribo dos ciclideos neotropicais, sendo a mais diversificada das Américas, com espécies morfológica e ecologicamente muitos distintas. Historicamente, todas as espécies desta tribo pertenceram a um único género: Cichlasoma. Apresentam também a maior distribuição, desde a Argentina ao Texas. Com mais de 140 espécies descritas em 29 géneros e com 12 espécies válidas sem género definido.
Lista de Géneros: Heros, Amphilophus, Archocentrus, Astatheros, Australoheros, Caquetaia, Chuco, Cryptoheros, Herichthys, Heroina, Hoplarchu , Hypselecara, Hypsophrys, Mesonauta, Nandopsis, Neetroplus, Nosferatu, Parachromis, Paraneetroplus, Paratheraps, Petenia, Pterophyllum, Rocio, Symphysodon, Theraps, Thorichthys, Tomocichla, Uaru, Vieja
Heros
severus, efasciatus, spurius, notatus, appendiculatus

Heros severus – foto Miguel Monteiro
Actualmente estão descritas cinco espécies, H. efasciatus reúne diversas variantes de onde poderão sair novas espécies. Estão distribuídas populações por toda a Amazónia. Reúne espécies de médio e grande porte, podem variar entre 20 a 30 cm. Aceitam todos os alimentos habituais, incluindo as plantas. São pacíficos, podem coabitar numa colónia e com espécies menores e mais tímidas. A reprodução é em substrato, normalmente na vertical, excepção feita a severus, que é incubador bucal.
Manutenção num aquário mínimo 500L (180x50x60)
Amphilophus
labiatus, citrinellus, trimaculatus, hogaboomorum, lyonsi, zaliosum, sagittae, xiloaensis, amarillo, chancho, flaveolus, astorquii, supercilious, globosus

Amphilophus lyonsi – foto Miguel Monteiro
Catorze espécies válidas, com outras potenciais a aguardar descrição, o grupo mais numeroso em Heroini, formam o complexo Midas, excepção feita a A. trimaculatus e A. lyonsi, parecem deslocados deste grupo. Ocorrem nos grandes lagos da Nicarágua e rios afluentes, com um tamanho médio de 30 cm. Não são muito exigentes, a reprodução é feita em substrato. Podem ser mantidos em colónia ou casais, com espécies de tamanho e temperamento idêntico.
Manutenção num aquário mínimo 700L (200x60x60)
Archocentrus
centrarchus, multispinosus, spinosissimus

Archocentrus multispinosus – foto Miguel Monteiro
Estas três espécies foram agrupadas com base em diagnósticos morfológicos, embora estudos moleculares recentemente publicados, tenham distanciado A. multispinosus de A. centrarchus. O género Herotilapia poderá vir a ser ressuscitado em breve para A. multispinosus. Ocorrem na Costa Rica, Honduras e Nicarágua, são calmos e resistentes, aconselháveis a iniciados. Fazem parte do grupo de anões da América Central, atingem entre 10 a 15 cm, a reprodução é em substrato.
Manutenção num aquário mínimo 150L (100x40x40)
Astatheros
macracanthus, altifrons, longimanus, rostratus, robertsoni, alfari, calobrense, diquis, rhytisma, nourissati, bussingi

Astatheros nourissati – foto Miguel Monteiro
Este género não foi integralmente aceite pela comunidade cientifica, a espécie tipo A. macracanthus, não se identifica com nenhuma das suas congéneres. Nos hábitos alimentares são semelhantes aos eartheaters sul-americanos. Estão amplamente distribuídos pela América Central, a reprodução é em substrato, em adultos o tamanho pode variar entre os 15 e 25 cm, podem ser mantidos em colónias ou casais.
Manutenção num aquário mínimo 350L (150x50x50)
Australoheros
facetus, autochthon, acaróides, tembe, scitulum, kaaygua, forquilha, charrua, minuano, guarani, perdi, ykeregua, angiru

Australoheros facetus - foto Diogo Lopes
Encontramos neste género o nosso conhecido Chanchito, espécie tipo do grupo. São 13 espécies válidas, 16 incertas e algumas a aguardar descrição. Nativas do Paraguai, Uruguai, Argentina e sul do Brasil. Estão adaptados a um clima temperado, podem ser mantidos em lagos no exterior ou em aquários com um período de inverno de águas mais frias. Podem crescer até aos 30 cm, a reprodução é em substrato .
Manutenção num aquário mínimo de 500L (180x60x50)
Caquetaia
myersi, spectabilis, kraussii, umbrifera

Caquetaia myersi - foto Patrício Miguel
Quatro espécies piscívoras com a boca altamente protráctil, são encontradas na Colômbia, Equador, Venezuela e Brasil. C. umbrifera é um dos maiores ciclídeos sul-americanos, cresce até aos 80 cm, acaba por se afastar bastante das suas congéneres, que ficam pelos 20-25 cm. São tranquilos, fora dos períodos de reprodução, em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 500L (180x60x50), para C. umbrífera uma piscina de 2000L (300x100x70).
Chuco
microphthalmus, godmanni, intermedius

Chuco godmanni – foto Miguel Monteiro
Género com três representantes da Guatemala e Honduras, adaptados a águas claras e com correntes moderadas. São exigentes na qualidade da àgua, preferem forte circulação e temperaturas altas a rondar os 28º a 30º C. A reprodução é em substrato, atingem 30-35 cm.
Manutenção num aquário mínimo de 700L (200x60x60).
Amatitlania
O género Amatitlania foi erguido por Schmitter-Soto em 2007, para separar os nigrofasciatus do grupo dos Cryptoheros. Com base em marcações nos flancos dividiu os nigrofasciatus em 4 espécies (nigrofasciata, kanna, coatepeque e siquia). Entretanto foi publicado um trabalho de Zardoya & Doadrio, em 2008, com bases moleculares e morfológicas, colocando C. nigrofasciatus como espécie irmã de C. spilurus, logo dentro de Cryptoheros.
Amatitlania passa a ser considerado um sinónimo júnior de Cryptoheros.
Recentemente, nova revisão taxonómica, desta vez a C. coatepeque espécie endérmica do Lago Coatepeque, foi concluído que se trata de uma população da mesma espécie de C. nigrofasciatus.
C. coatepeque passa a sinónimo júnior de C. nigrofasciatus.
Cryptoheros
spilurus, nigrofasciatus, altoflavus, chetumalensis, cutteri, myrnae, nanoluteus, panamensis, sajica, septemfasciatus, kanna, siquia

Cryptoheros panamensis - foto Gonçalo Martins
Um dos géneros de ciclideos de pequeno porte da América Central, estão distribuídos desde o sul do México ao Panamá, crescem até aos 12 cm. Possui actualmente doze espécies válidas, relativamente calmas e com colorações muito variadas e interessantes. São monogâmicos, muito prolíficos, a reprodução é em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 150L (100x60x50).
Herichthys
cyanoguttatus, carpintis, deppii, minckleyi, tamasopoensis, tepehua

Herichthys carpintis – foto Miguel Monteiro
Os neotropicais do norte, considerados os representantes monofiléticos da família Cichlidae no nordeste do México e sul do Texas, composto por espécies geralmente muito prolíficas, com forte personalidade e uma bela coloração. Apesar da popularidade de algumas espécies, sem as condições de manutenção exigíveis e os companheiros adequados, podem tornar-se agressivos. São omnívoros com fortes tendências herbívoras, normalmente não ultrapassam os 25 cm, a reprodução é em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 350L (150 x 50 x 50).
Nosferatu
pame, molango, pratinus, bartoni, labridens, pantostictus, steindachneri

Nosferatu pantostictus – foto Miguel Monteiro
Um género muito recente (2014) com um nome estranho, atribuído a sete espécies ex-Herichthys, separadas com base na estrutura dos dentes e também da coloração. Reúne espécies endémicas na Bacia do Rio Panuco e respectivos afluentes, no México. Habitat de águas claras de alta dureza, os tamanhos variam entre os 15 e 25 cm, algumas espécies demonstram alguma agressividade em aquário e difícil adaptação a comunitários com outras espécies de porte semelhante. A reprodução é em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 350L (150 x 50 x 50).
Heroina
isonycterina

Heroina isonycterina - foto Ryan Smith
Conhecida como ‘mini-severum’, dadas as semelhanças e devido ao facto de não ultrapassar os 15 cm, ficou atribuída a um género monotípico. Ocorre na Colômbia, Equador e Perú, muito rara no hobby, demonstra alguma agressividade intra-específica , aconselhando-se a manutenção em colónia, para dispersão das atenções. A reprodução é em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 180L (120x50x50).
Hoplarchus
psittacus

Hoplarchus psittacus – foto Miguel Monteiro
O verdadeiro papagaio, único membro do género, um peixe iridescente verde e azulado de olhos grandes vermelhos, muito cobiçado por aquaristas mais avançados, ocorre em águas negras e macias da Colômbia e Brasil. Raramente atingem a maturidade sexual antes dos 4 anos de idade, tornando complicada a formação de casais e a reprodução em cativeiro. Atingem 40 cm, são relativamente pacíficos, mas vão tornando-se mais territoriais à medida que crescem. A reprodução é em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 700L (200x60x60).
Hypselecara
temporalis, coryphaenoides

Hypselecara temporalis - foto Diogo Lopes
Género erguido ao ciclídeo esmeralda e chocolate, sendo este último uma daquelas raridades no hobby. Ocorrem no Brasil, Colômbia, Venezuela e Guianas. São duas espécies robustas, atingem 30-35 cm, adaptadas a ambientes blackwaters, águas macias, preferem iluminação fraca, são pacíficos com outras espécies, no tamanho adequado. A reprodução é em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 600L (180x60x60)
Hypsophrys
nicaraguensis

Hypsophrys nicaraguensis - foto Miguel Monteiro
Uma espécie muito distinta atribuída a um género monotípico, embora um estudo recente tenha revelado uma associação genética estreita aparente com os também monotípicos Neetroplus nematopus, curiosamente encontrados no mesmo local na natureza. Ocorre na Nicarágua e Costa Rica, existem variantes de cor, mas são sempre coloridos. Muito energéticos, circulam por todo o aquário, gostam de movimento e precisam de espaço, atingem os 25 cm. A reprodução é em substrato, os ovos não são adesivos, são protegidos pelos progenitores em buracos na areia ou em pequenas grutas.
Manutenção num aquário mínimo de 350L (150x50x50)
Mesonauta
insignis, festivus, acora, egregius, guyanae, mirificus

Mesonauta insignis - foto Jacinto Salgueiro
Seis espécies válidas distribuídas no Brasil e Venezuela, com cerca de 10 cm, têm um comportamento semelhante ao dos escalares, ocupam principalmente a parte superior do aquário. A reprodução ocorre em folhas ou em outro substrato vertical, com água macia e uma temperatura de 27-28 ° C, podem ser mantidos em colónia ou casais.
Manutenção num aquário mínimo de 240L (120x40x50)
Nandopsis
tetracanthus, haitiensis, ramsdeni

Nandopsis tetracanthus - foto João Silvestre
Género restrito a 3 espécies insulares de Cuba, Haiti e República Dominicana, excluindo a extinção de woodringii, já descrita com base num fóssil. Os N. tetracanthuns são os mais comuns no hobby, ficam com um porte robusto de 25 cm, com o espaço adequado são tranquilos; os N. haitiensis são os maiores, atingem os 40 cm, ganham bloat com relativa facilidade, quando são colocados num comunitário, sentem-se melhor sozinhos; os N. ramsdeni são raros nos aquários e na natureza, onde já tiveram de ser reintroduzidos.
Manutenção num aquário mínimo de 700L (200x60x60)
N. tetracanthus tem cinco subespécies descritas (Eigenmann, 1903), neste caso, respeitantes a cinco populações de Cuba: nigricans, cincta, grisea, lata, torralbasi
Neetroplus
nematopus

Neetroplus nematopus – foto Miguel Monteiro
Conhecidos por ‘Neets’ e comparados com os Tropheus do Tanganyika, atribuídos a um género monotípico, embora as suas semelhanças com H. nicaraguensis, possa resultar um sinónimo de Hypsophrys. Ocorre na vertente atlântica da Nicarágua e Costa Rica ocidental, na drenagem do Rio San Juan, incluindo o Lago Nicarágua e do Lago de Manágua. Habitat com águas rápidas, requerem circulação de água mais forte no aquário. Crescem até aos 12 cm, a reprodução é em substrato, são muito prolíficos.
Manutenção num aquário mínimo de 300L (150x40x50)
Parachromis
managuensis, dovii, motaguensis, friedrichsthalii, loisellei

Parachromis friedrichsthalii – foto Miguel Monteiro
No topo da cadeia alimentar, um grupo de cinco espécies piscívoras , amplamente distribuídas na vertente atlântica da América Central. Muito apreciadas no hobby, podem manter-se num comunitário com espaço, sem problemas, à excepção de P. dovii, ultrapassam os 60 cm e nem sempre gostam de companhia. Habitat de águas lentas, em aquário são um pouco estáticos no seu território. São monogâmicos, a reprodução em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 700L (200x60x60), para P. dovii 2000L (250x100x80)
Paraneetroplus
bulleri, gibbiceps, nebuliferus, omonti

Paraneetroplus gibbiceps – foto Miguel Monteiro
Quatro espécies endémicas do México, que fazem lembrar os mbunas do Malawi, são também raspadores de algas, mas são ligeiramente maiores, cerca de 25 cm. Estão adaptados a rápidos de fundos rochosos, requerem boa oxigenação de água no aquário e uma dieta mais herbívora. Adaptam-se bem a comunitários, evitar espécies maiores e muito temperamentais, a reprodução é em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 600L (180x60x60)
Paratheraps
breidohri, hartwegi, zonatus, bifasciatus, fenestratus, guttulatus, melanurus

Paratheraps zonatus – foto Miguel Monteiro
Grupo com sete ex-Viejas, separados com base no corpo mais alongado e pela faixa preta longitudinal nos flancos. Não foi integralmente aceite pela comunidade cientifica, a descrição inicial não indicava espécie-tipo. O erro foi corrigido mais tarde, com a indicação de P. breidohri, mas a aceitação não é clara. Distribuídos na vertente atlântica do México, Belize, Guatemala e El Salvador, são espécies tendencialmente herbívoras, a reprodução é em substrato, em média chegam aos 30-40 cm.
Manutenção num aquário mínimo de 700L (200x60x60)
Petenia
splendida

Petenia splendida – foto Miguel Monteiro
Mais um género monotípico, apesar da proximidade com as sul americanas Caquetaia (spectabile, kraussi e myersi) que já passaram por este género. O nome “Petenia” deriva do nome do lago Peten, na Guatemala, onde foi colectada pela primeira vez, pode ser encontrada no México e Belize. É uma espécie predadora, consegue projectar a boca de uma forma impressionante, mas pouco agressiva, faz-se valer pelo seu tamanho de 40 cm em aquário, precisam de espaço, são movimentadas, a reprodução em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 800L (230x60x60)
Pterophyllum
scalare, altum, leopoldi

Pterophyllum scalare - foto Claire Moreira
Um género bem conhecido, com uma das espécies mais populares no hobby, sendo uma das primeiras a serem mantidas em cativeiro. Ocorrem na Colômbia, Guianas, Suriname, Peru e Brasil, são encontrados em cardumes na Natureza, em rios de vegetação densa, com raízes e troncos e águas ácidas. Em aquário podem ser mantidos em colónia ou casal, chegam aos 15 cm de comprimento e 20 cm de altura, com as condições adequadas são pacíficos, a reprodução ocorre em folhas ou em outro substrato vertical, com água macia e temperatura alta.
Manutenção num aquário mínimo de 220L (120x40x50)
Rocio
octofasciata, ocotal, gemmata

Rocio octofasciata – foto Miguel Monteiro
Género descrito para albergar mais duas espécies idênticas a R. octofasciata, existindo ainda dúvidas se não serão meras populações da mesma espécie, sendo R. octal endémica da Lagoa Ocotal e R. gemmata conhecida apenas em alguns cenotes e pequenas lagoas a norte do estado de Quintana Roo, no México. R. octofasciata ocorre em toda a encosta atlântica da América Central, desde o México às Honduras. É encontrada em ambientes fluxo lento e águas estagnadas. Apesar do seu apelido "Jack Dempsey" trata-se de uma espécie relativamente calma, desde que lhe sejam proporcionadas condições e espaço. O tamanho padrão é de 25 cm, a reprodução é em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 350L (150x50x50)
Symphysodon
discus, aequifasciatus, tarzoo

Symphysodon aequifasciatus - foto Sérgio Saldanha
Género com um grupo altamente popular, considerados por muitos como os reis dos aquários, graças às suas variadas colorações e comportamento, embora sejam exigentes em relação à qualidade da água e aos companheiros no aquário. Ocorrem em rios e lagos da bacia Amazónica, no Brasil, Peru e Colômbia. Habitat caracterizado por águas macias e calmas, vegetação abundante, troncos e raízes submersos. Atingem em média 15-20 cm, de comprimento e altura, a reprodução ocorre em substrato vertical.
Manutenção num aquário mínimo de 100L (50x50x50)
Theraps
irregulares, coeruleus, lentiginosus, wesseli

Theraps lentiginosus - foto Miguel Monteiro
Quatro espécies distintas da América Central, no México, Guatemala e Honduras. Habitantes de rios de montanha, adaptados a correntes fortes, água fresca e limpa, requerem oxigenação alta no aquário. São muito rápidos, guardam o seu espaço no aquário, evitar manter com espécies maiores e temperamentais. Os tamanhos variam entre os 15-25 cm, a reprodução em substrato, fazem ninhos em buracos nos troncos e por baixo de rochas.
Manutenção num aquário mínimo de 700L (200x60x60)
Thorichthys
maculipinnis, affinis, aureus, callolepis, helleri, meeki, pasionis, socolofi

Thorichthys maculipinnis – foto Miguel Monteiro
Mais um grupo de ciclideos anões da América Central, em média não passam os 15 cm, ocorrem na vertente atlântica no sul do México, Belize, Guatemala e Honduras. Habitam lagos e rios mais lentos e alcalinos, embora em aquário prefiram água bem oxigenada. São pacíficos, raramente representam perigo para qualquer outro peixe no aquário. Gostam de peneirar a areia à busca de alimento, a reprodução é em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 300L (120x50x50)
Tomocichla
tuba, sieboldii, asfraci

Tomocichla tuba - foto Lee Nuttall
Um pequeno grupo com três espécies muito apreciadas no hobby, ocorrem em águas de correntes rápidas na Costa Rica, Nicarágua e Panamá. Requerem oxigenação alta, com forte circulação de água no aquário. Demonstram alguma agressividade intra-específica, a decoração deve contar com refúgios. Em aquário não costumam ultrapassar os 30 cm, são tendencialmente herbívoros, a reprodução é em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 700L (200x60x60)
Uaru
amphiacanthoides, fernandezyepezi

Uaru fernandezyepezi – foto Miguel Monteiro
Género com duas espécies sul-americanas muito interessantes, com um porte de 25-30 cm, pacíficos com outras espécies, menos com plantas, são tendencialmente herbívoros. Podem ser mantidos em colónia, sendo até aconselhável para os U. fernandezyepezi, mais conhecidos como panda, ocorrem na bacia do Rio Orinoco, fronteira entre Venezuela e Colômbia, ambientes de blackwaters , águas com valores de pH 3-4, muito exigentes na qualidade da água. Os U. amphiacanthoides são mais resistentes, ocorrem no norte do Brasil e Guianas, existem relatos de populações em águas mais frias a sul do Brasil e Uruguai. A reprodução para ambas é em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 500L (160x60x60)
Vieja
maculicauda, argentea, heterospila, regani, ufermanni

Vieja argentea – foto Miguel Monteiro
Cinco espécies distribuídas na América central e do norte, desde o sul do México ao Panamá, já albergou muitas espécies, parece estar agora em risco, um estudo publicado recentemente veio demonstrar que Vieja não é um grupo monofilético, ou seja, as espécies não compartilham um ancestral comum, tendo sido propostas diferentes denominações genéricas para os seus membros. Aguardam-se mais investigações e estudos de DNA, para esclarecer a taxonomia deste grupo. Reúne espécies que atingem 30-35 cm, tendencialmente herbívoras, requerem aquários grandes, para um comportamento natural e mais tranquilo, os machos podem ser demasiado insistentes para as fêmeas, a reprodução é em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 700L (200x60x60)
Ex-Cichlasoma
atromaculatum, beani, bocourti, festae, gephyrum, grammodes, pearsei, istlanum, ornatum, salvini, tuyrense, urophthalmus
São 12 espécies a aguardar género, ocorrem no sul, centro e norte das américas. Sendo espécies sem género, seria melhor chamá-los de Heroini, é o grau acima na classificação. Podemos dividi-los em três grupos, pelas respectivas aproximações:
Grupo dos istlanum, beani e grammodes, nativos do México, um pouco tímidos, territoriais e complicados de se adaptarem a um comunitário (especialmente os beani), os tamanhos situam-se entre os 20-25 cm, manutenção num aquário mínimo de 370L (150 x 50 x 50)

grammodes - foto Miguel Monteiro
Grupo dos festae, atromaculatum, gephyrum, ornatum e urophthalmus, que agrupa espécies sul-americanas da Colômbia e Equador, com uma excepção do central americano urophthalmus. Atingem cerca de 30 cm, apresentam agressividade intra-específica, melhor manter em casais, com companhia de outras espécies, num aquário mínimo de 600L (180x60x60)

festae - foto João Silvestre
Grupo dos bocourti, pearsei e tuyrense, ocorrem em Belize, Guatemala, México e Panamá, os primeiros ficam um porte de 40 cm, o terceiro é raro no hobby, muitas vezes atribuído a Vieja, atinge os 25 cm. São tendencialmente herbívoros, tranquilos no espaço adequado, num aquário minimo 800L (200x70x60)

pearsei – foto Miguel Monteiro
Os salvini não se encaixam em nenhum destes grupos, já passaram por alguns géneros, mas não têm semelhanças com nenhum, provavelmente terá um género montípico no futuro. Normalmente não chegam aos 20 cm, apresentam agressividade intra-específica, requerem abundância de esconderijos e a companhia de outras espécies num aquário mínimo de 370L (150x50x50)

salvini – foto Miguel Monteiro
Os urophthalmus têm dez subespécies descritas, respeitantes a várias populações no México, Belize, Guatemala, Honduras e Nicarágua, algumas delas adaptadas a águas salobras: aguadae, alborum, amarum, cienagae, conchitae, mayorum, stenozonum, trispilum, zebra, ericymba (Hubbs, 1938)
Tribo Geophagini
Geophagini reúne o grupo mais numeroso de espécies neotropicais, com mais de 250 espécies, distribuídas em 15 géneros, restritas à América do Sul e Panamá. Reúne os chamados eartheatears, também alguns ciclídeos anões importantes e as Crenicichlas. As diferenças morfológicas das espécies neste grupo levou à sua divisão em três sub-tribos: Acarichthyina, Crenicaratina, Geophagina.
Lista de Géneros: Geophagus, Acarichthys, Apistogramma, Apistogrammoides, Biotodoma, Biotoecus, Crenicara, Crenicichla, Dicrossus, Guianacara, Gymnogeophagus, Mikrogeophagus, Satanoperca, Taeniacara, Teleocichla
Geophagus
Este género contém um grande número de espécies, variedades diversificadas em tamanho (10 a 30 cm), cores e modos de reprodução com 3 tipos: de substrato, incubação bucal larvofilo e incubação bucal ovofilo, que os dividem em três complexos:
Complexo Surinamensis
altifrons, abalios, argyrostictus, brachybranchus, brokopondo, camopiensis, crocatus, dicrozoster, gottwaldi, grammepareius, harreri, megassema, mirabilis, neambi, parnaibae, proximus, sveni, surinamensis, taeniopareius, winemilleri

Geophagus altifrons - foto Jacinto Salgueiro
Os conhecidos eartheatears, com vinte espécies descritas, muitas estreitamente relacionadas, originando confusão entre si. Ocorrem por toda a Amazónia, passam a maior parte no fundo a filtrar a areia à procura invertebrados. São incubadores bucais larvofilos biparentais, podem ser mantidos em colónia, o tamanho varia entre 15-30 cm, as espécies maiores requerem um aquário mínimo de 500L (160x60x50)
Complexo brasiliensis
brasiliensis, iporangensis, itapicuruensis, obscurus

Geophagus brasiliensis - foto Gonçalo Martins
Um grupo distinto dos surinamensis, começando na reprodução em substrato, são biparentais, dois machos num aquário raramente funciona. Existem muitas espécies por descrever neste grupo, a maioria são classificados como brasiliensis, embora existam diferentes populações nos sistemas fluviais do leste e sul do Brasil e Uruguai. Os tamanhos variam também entre 15-30 cm, as espécies maiores requerem um aquário mínimo de 500L (160x60x50)
Complexo crassilabris
crassilabris, pellegrini, steindachneri

Geophagus pellegrini - foto Jacinto Salgueiro
Outro grupo distinto dos reais Geophagus, com um comportamento também diferente, pois reúne espécies que devem ser mantidas em haréns de duas ou mais fêmeas para um macho, sendo os únicos ciclídeos neotropicais incubadores bucais ovofilos imediatos maternos, juntamente com Gymnogeophagus balzanii. Com um representante da América Central, G. crassilabris, nativo do Panamá, as restantes ocorrem na Colômbia e Venezuela. Apesar de não passarem dos 15 cm, é aconselhável um aquário minimo de 200L (140 x 40 x 40)
Acarichthys
heckelii

Acarichthys heckelii – foto Miguel Monteiro
Uma espécie muito distinta com um género próprio, da Colômbia, Perú e Brasil. São tranquilos com outros habitantes, apesar do seu tamanho de 20 cm. Não peneiram a areia como um verdadeiro eartheater, ocupam mais a zona intermédia do aquário. A reprodução em substrato, em águas macias e quentes. Pode-se manter um casal ou um harém de 1 macho para as várias fêmeas.
Manutenção num aquário mínimo de 450L (1500x50x60)
Apistogramma
taeniata, acrensis, agassizii, aguariço, alacrina, allpahuayo, angayuara, arua, atahualpa, baenschi, barlowi , bitaeniata, borellii, brevis, cacatuoides, caetei, caudomaculata, cinilabra, commbrae, cruzi, diplotaenia, elizabethae, eremnopyge, erythrura, eunotus, flabellicauda, gephyra , geisleri, gibbiceps, gossei, guttata, helkeri, hippolytae, hongsloi, hoignei , huascar, inconspícua, iniridae, inornata, intermédia, juruensis, lineata, linkei , luelingi, maciliense, macmasteri, martini ,megaptera, meinkeni, mendezi, mínima, moae, nijsseni, norberti, nororientalis, ortegai, ortmanni, panduro, pantalone, parva, paucisquamis, paulmuelleri, payaminonis, pedunculata, personata, pertense, piaroa, piauiensis, playayacu, pleurotaenia, pulchra, regani, resticulosa, , rositae, rubrolineata, rupununi, salpinction, similis, staecki, steindachneri, trifasciata, tucurui, uaupesi, urteagai, velífera, viejita, wapisana

Apistogramma baenschi - foto Fábio Silva
O segundo género mais numeroso das Américas, contam-se actualmente 86 espécies descritas, um número sempre a crescer, muitas aguardam descrição, fala-se no dobro das existentes. Um grande número de populações distintas, com diferentes formas de corpo e coloração, distribuídos a leste dos Andes, na Argentina, Brasil, Colômbia, Guianas, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Esta quantidade de espécies justificava a divisão do género em subgéneros, de forma a facilitar a identificação das espécies. Têm vindo a ser divididos em grupos, primeiro por Meinken, com base no diâmetro dos olhos e comprimento do nariz, mais tarde Kullander dividiu-os com base na sua distribuição, actualmente os grupos são formados com base nas marcações no corpo e cabeça, forma do corpo, barbatanas e dentição. São quatro linhagens distintas: regani, pertensis, trifasciata, diplotaenia e uma sublinhagem agassizii, divididos em 15 grupos e 18 complexos. Os tamanhos variam entre os 3-12 cm, algumas espécies comuns, outras uma raridade. A reprodução em substrato, com águas macias e sossegadas.
Manutenção num aquário mínimo de 60L (60x30x30)
Apistogrammoides
pucallpaensis

Apistogrammoides pucallpaensis – foto Emanuel Vasconcelos
Espécie separada de Apistogramma, com base nos espinhos nas barbatanas anais. Estudos indicam que está incluída na linhagem regani e está intimamente relacionada com membros do complexo A. linkei. Distribuída na Amazônia Peruana e Colombiana, ficam pelos 5 cm.
Manutenção num aquário mínimo de 60L (60x30x30)
Biotodoma
cupido, wavrini

Biotodoma cupido - foto Sérgio Saldanha
Dois ex-Geophagus de pequeno porte, até 15 cm, do Brasil, Colômbia, Perú e Venezuela, devem ser mantidos em colónia, são um pouco tímidos, ocupam mais a zona intermédia do aquário, preferem blackwaters . A reprodução ocorre em substrato, em água macia e temperatura alta.
Manutenção num aquário mínimo de 300L (120x50x50)
Biotoecus
dicentrarchus, opercularis

Biotoecus opercularis - foto Dams Broocks
Duas espécies pouco conhecidas do Brasil e Colômbia, dos neotropicais mais pequenos, crescem até 4 cm, exigentes na qualidade da água, adaptados a ambientes de blackwaters, com troncos e raízes submersos. A reprodução é em substrato, normalmente os ovos são escondidos em buracos do layout. Podem ser mantidos em colónia, com o espaço adequado.
Manutenção num aquário mínimo de 60L (60x30x30)
Crenicara
punctulatum, latruncularium

Crenicara punctulatum - foto Uffe Lindström
Mais duas espécies pouco vistas no hobby, do Brasil, Guianas e Perú, crescem até aos 12 cm, são pacíficos, um pouco activos, gostam de circular pelo aquário, são melhor mantidos em colónia. Habitat com raízes, folhas, plantas e umas pedras lisas, a reprodução é em substrato. C. puntulatum é conhecida pela capacidade de mudança de sexo, num grupo exclusivo de fêmeas, a dominante torna-se macho.
Manutenção num aquário mínimo de 300L (120x50x50)
Crenicichla
macrophthalmaha, acutirostris, adspersa, albopunctata, alta, anthurus, brasiliensis, britskii, cametana, celidochilus, chic, cincta, compressiceps, coppenamensis, cyanonotus, cyclostoma, empheres, frenata, gaucho, geayi, gillmorlisi, hadrostigma, haroldoi, heckeli, hemera, hu, hummelincki, igara, iguapina, iguassuensis, inpa, isbrueckeri, jaguarensis, jegui, johanna, jupiaensis, jurubi, labrina, lacustris, lenticulata, lepidota, lucenai, lucius, lugubris, maculata, mandelburgeri, marmorata, menezesi, minuano, missioneira, mucuryna, multispinosa, nickeriensis, niederleinii, notophthalmus, pellegrini, percna, phaiospilus, prenda, proteus, punctata, pydanielae, regani, reticulata, rosemariae, santosi, saxatilis, scottii, sedentária, semicincta, semifasciata, sipaliwini, stocki, strigata, sveni, taikyra, tendybaguassu, ternetzi, tesay, tigrina, tingui, urosema, vaillanti, virgatula, vittata, wallacii, yaha, ypo, zebrina

Crenicichla notophthalmus - foto Miguel Monteiro
É o género com mais espécies descritas, actualmente são válidas 90, com muitas a aguardar descrição. A dificuldade na identificação de tanta espécie levou à criação de nove grupos, com base em características físicas que as podem distinguir, de onde se destaca o Grupo das saxatilis, que reune a maior parte das espécies, sendo uma das características a coloração com pontos brilhantes distribuídos pelo corpo. O Grupo das wallacei agrupa os anões, espécies até 15 cm. O Grupo das lugubris reúne as maiores, podem crescer até 50 cm. Os Grupos Missioneira e Scotti , conta com espécies adaptadas a climas temperados e a aquários não aquecidos. Os restantes grupos Reticulata, Lacustris, Acutirostris e Macrophthalma, reúne espécies com marcações e formas de corpo distintas, a média de tamanhos situa-se entre 15-30 cm, ocorrem por toda a bacia amazónica , a norte das Guianas, Venezuela, Colômbia e a sul na Argentina e Uruguai.
São predadores eficazes, de boca grande e corpo alongado. A manutenção é feita de preferência em pares, coabitação intra-específica muito difícil. A reprodução em substrato oculto, numa caverna, com água ácida.
Manutenção num aquário mínimo de 400L (150x40x50) para as mais pequenas, para as maiores 1000L (250x70x60)
Dicrossus
maculatus, filamentosus, foirni, gladicauda, warzeli

Dicrossus filamentosus - foto Samuel Lopes
Género arguido a maculatus, na altura monotípico, as últimas três espécies foram descritas recentemente. Este género chegou a ser sinónimo de Crenicara, sendo assim denominadas muitas vezes. Ocorrem nas bacias do Rio Amazonas no Brasil e do Rio Orinoco na Venezuela e Colômbia. Conhecidos como Xadrezinhos, pela sua coloração e tamanho anão de 10 cm, melhor mantidos em haréns de 1 macho para várias fêmeas, com plantas, esconderijos no aquário e águas macias, a reprodução é em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 120L (80x40x40)
Guianacara
geayi, cuyunii, dacrya, oelemariensis, owroewefi , stergiosi, sphenozona

Guianacara geayi - foto Margarida Lopes
O nome do género resulta da conjunção de Acara e Guiana, género criado para G. geayi, actualmente são 7 espécies descritas de médio porte, atingem cerca de 15 cm, conhecidos pelos ‘ciclídeos bandidos’, pela faixa preta que lhes atravessam os olhos. Ocorrem nas Guianas, Suriname, Brasil e Venezuela. Habitat de águas claras de corrente moderada, a reprodução é em substrato, normalmente escondido em grutas, com água macia e temperatura alta. Podem ser mantidos em colónia ou casais.
Manutenção num aquário mínimo de 300L (120x50x50)
Gymnogeophagus
balzanii, gymnogenys, labiatus, rhabdotus, australe, meridionalis, lacustris, setequedas, che, caaguazuensis, tiraparae

Gymnogeophagus balzanii - foto Diogo Lopes
Os eartheaters do extremo sul, com 11 espécies descritas e muitas mais por descrever, ocorrem no Uruguai, Paraguai, Argentina e sul do Brasil. Estão adaptados a um clima temperado com invernos frios e verões quentes, devem ser mantidos em aquários não aquecidos ou em lagos no exterior. Este género é composto por duas linhagens, os incubadores de substrato monogâmicos (rhabdotus e meridionalis) e os restantes, incubadores bucais poligâmicos. Os primeiros podem ser mantidos aos pares, os segundos estarão melhor em haréns de um macho e várias fêmeas. Os tamanhos podem variar entre os 15-20 cm
Manutenção num aquário mínimo de 350L (150x50x50)
Mazarunia
mazarunii, charadrica, pala

Género reconhecido recentemente com três espécies endémicas do Rio Mazaruni, nas Guianas, muito raras no hobby, há pouca informação sobre elas. São anões, ficam com 6-8 cm, estão adaptados a àguas macias e claras com folhas e troncos submersos. É um género irmão de Guianacara, a reprodução em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 150L (100x40x40)
Mikrogeophagus
ramirezi, altispinosus

Mikrogeophagus ramirezi - foto Sara Garcia
Duas espécies muito conhecidas, embora nem sempre fáceis de manter, preferem águas macias e ácidas, sensíveis a amónia. São ciclídeos anões, crescem até aos 8 cm, ocorrem na Venezuela, Colômbia e Bolívia, a reprodução é em substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 60L (60x30x30)
Satanoperca
acuticeps, daemon, jurupari, leucosticta, lilith, pappaterra, rhynchitis

Satanoperca daemon – foto Miguel Monteiro
Grupo separado dos Geophagus, pelo seu nariz alongado, ocorrem no Brasil, Colômbia, Guiana Francesa e Venezuela, em habitats de águas claras ou negras, macias e ácidas. São verdadeiros eartheaters no que toca a comportamento e hábitos alimentares. Aqui encontramos incubadores de substrato S. acuticeps, S. daemon e S. lilith, colocam os ovos em covas no substrato, os restantes são incubadores bucais, tendencialmente maternos, com cuidados biparentais. Os tamanhos variam entre 15-30 cm, apreciam melhor a vida em colónia.
Manutenção num aquário mínimo de 700L (200x60x60)
Taeniacara
candidi

Esta espécie já foi conhecida como Apistogramma weisei, tem agora um género próprio. É nativa do Brasil, apresenta um comportamento semelhante aos Apistogrammas, tem o corpo mais magro e alongado. Crescem até os 6 cm, são exigentes na manutenção e limpeza do aquário, a reprodução em substrato com águas macias e ácidas, o layout deve contar com plantas e troncos que proporcionem refúgios.
Manutenção num aquário mínimo de 60L (60 x 30 x 30)
Teleocichla
centrarchus, cinderella, gephyrogramma, monograma, prionogenys, proselytus, centisquama, wajapi

Um grupo de ciclídeos anões micro-predadores, especializados a viver nos rápidos, particularmente vulneráveis à construção de barragens, semelhantes às Crenicichla, embora mais pequenos, crescem na média até aos 10 cm. Ocorrem nas bacias dos Rios Xingu, Tocantis e Tapajós, no Brasil. Requerem oxigenação e temperatura alta, com água macia. São espécies de rochas, onde criam os seus territórios, a reprodução é substrato.
Manutenção num aquário mínimo de 150L (100x40x40)
Tribo Astronotini
Astronotus
Tribo com um único género, suficientemente distante dos outros grupos de espécies para uma atribuição exclusiva, os parentes mais próximos estão na tribo Chaetobranchini.
Astronotus
ocellatus, crassipinnis

Astronotus ocellatus - foto Sérgio Saldanha
O grupo do conhecido Oscar, com duas espécies separadas pelas marcações e coloração, estão distribuídas no Brasil, Colômbia, Guiana Francesa, Peru, Paraguai e Venezuela. A química da água não é crítica para a sua manutenção, embora as condições ideais para a reprodução sejam água mole e ácida. Não são muito tolerantes a temperaturas baixas, nem resíduos nitrogenados na água, apesar de serem uns poluidores natos, requerem uma filtração mecânica eficaz. Em média atingem os 40 cm, podem ser mantidos em colónia ou casais.
Manutenção num aquário mínimo de 700L (200x60x60)
Tribo Chaetobranchini
Chaetobranchus, Chaetobranchopsis
Tribo com dois géneros e duas espécies cada, a característica que os distingue dos outros outros grupos de espécies, são os seus hábitos alimentares distintos, à base de plâncon, que filtram na água, com a sua boca altamente especializada.
Chaetobranchus
flavescens, semifasciatus

Chaetobranchus flavescens - foto Uffe Lindström
Um género com duas espécies muito pouco conhecidas, os seus hábitos alimentares torna muito complicada a sua alimentação em aquário. Embora existam poucos casos de sucesso em que foram alimentados com comida viva e congelada, normalmente acabam por definhar e morrer em pouco tempo. C. flavescens ocorre por toda a bacia amazónica, C. semifasciatus está limitado ao Brasil, os tamanhos rondam os 20-30 cm, não há registo de reprodução em cativeiro, um desafio para qualquer aquariofilista, presume-se que seja em substrato. Existem também relatos de agressão intra-específica, entre machos.
Manutenção num aquário mínimo de 350L (150x50x50)
Chaetobranchopsis
australis, orbicularis

Duas espécies muito próximas do género Chaetobranchus, com os mesmos hábitos alimentares e necessidades, separados pelo número de raios rígidos na barbatana anal. C. orbicularis ocorre no Brasil, ficam pelos 15 cm. C. autralis ocorre mais a sul em clima temperado no Paraguai, Argentina e Bolívia, fica pelos 25 cm.
Manutenção num aquário mínimo de 350L (150x50x50)
Tribo Retroculini
Retroculus
Tribo com um único género, reúne espécies aparentemente semelhantes aos geophagines, mas com um ancestral distinto, apresentam uma bexiga natatória reduzida e uma grande e poderosa cauda para a vida em rios de fluxo rápido, ocupam uma posição basal na classificação neotropical, onde estão mais próximos da Tribo Cichlini.
Retroculus
lapidifer, septentrionalis, xinguensis

Retroculus xinguensis - foto Uffe Lindström
Um grupo com três espécies de águas claras e movimentadas do Brasil e Guiana Francesa, requerem oxigenação elevada no aquário, sendo sensíveis a resíduos nitrogenados na água. A reprodução é em substrato, criam ninhos entre os seixos para abrigar as posturas. Podem ser mantidos em colónia, costumam ficar pousados na areia, como se estivessem a agarrar-se para não serem arrastados pelas correntes. Normalmente ficam pelos 25 cm em aquário.
Manutenção num aquário mínimo de 600L (200x50x60)
Tribo Cichlini
Cichla
Tribo com um único género, com espécies visualmente diferentes dos restantes grupos de espécies, estão no topo da cadeia alimentar, restritos à América do Sul, agrupa alguns dos maiores ciclídeos conhecidos.
Cichla
ocellaris, intermédia, jariina, kelberi, melaniae, mirianae, monoculus, nigromaculata, orinocensis, pinima, piquiti, pleiozona, temensis, thyrorus, vazzoleri

Cichla monoculus - foto Ricardo Oliveira
Um grupo de piscívoros da bacia amazónica, na Colômbia, Venezuela, Guianas, Suriname, Brasil, Perú e Bolívia, todas de grande porte, podem chegar a 1 metro e pesar vários quilos. Vão engolir peixes que lhes caibam na boca, mas não são agressivas com outras espécies. As relações intra-específicas são boas, podem ser mantidos em grupo. Há quem entenda que não são espécies para se manter em aquário, devido ao tamanho que atingem. De facto, uma espécie com 100 cm, só se mexe minimamente numa piscina acima de 4000L (400x150x70).
Vai ser interessante vir aqui reler este artigo daqui a uns tempos e verificar a sua desactualização, a taxonomia está em constante evolução, esta é a minha ideia actual sobre a classificação dos ciclídeos neotropicais.
Respeitem e aproveitem os vossos ciclideos.