Os mbunas são peixes essencialmente herbívoros. Em estado selvagem, passam a maior parte do tempo a raspar algas das rochas. O sistema digestivo dos mbunas é composto por intestinos bastante longos, adaptados a extrair proteínas e hidratos de carbono dos alimentos disponíveis no habitat natural – algas e plantas muito ricas em fibras, mas com baixo valor nutricional.
Pela minha experiência, a dieta mais equilibrada para estes peixes fascinantes, deve ser baseada num granulado específico para herbívoros, complementado por comida caseira. Ocasionalmente, os mbunas poderão ser alimentados com comidas congeladas – mysis, krill e cyclops. Devido ao elevado valor proteico, e ao ambiente em que são criadas, as larvas de mosquito são completamente desaconselhadas para mbunas.
A receita base abaixo indicada foi-me aconselhada por um grande aquariofilista, tendo algumas adaptações pessoais:
- 150 gr camarão com casca (cortar a cabeça e a cauda)
- 150 gr miolo de mexilhão
- 100 gr espinafres
- 200 gr ervilhas
- 20 gr alga Noori
- 3 dentes de alho
- 8 comprimidos spirulina
- 1 colher sopa de agar-agar
- 1/2 litro de água
Deixar descongelar ligeiramente, e picar todos os ingredientes. Dissolver uma colher de sopa de agar-agar em 1/2 litro de água e deixar ferver durante 10 minutos. Depois de desligar o lume, juntar os ingredientes picados na mistura de água/agar-agar e envolver tudo. Colocar dentro de sacos de plástico, espalmar bem e congelar. Depois de congelado, poderão cortar a comida em cubos, com uma faca afiada.
A principal dificuldade que senti com esta receita foi picar as ervilhas! Como não tenho 1/2/3, piquei tudo no copo picador de gelo da varinha mágica. Os outros ingredientes descongelaram (muito) ligeiramente, e correu tudo bem... Quanto às ervilhas, tive de esperar que descongelassem por completo, e mesmo assim foi uma grande dificuldade. Sempre que possível, tentem usar ervilhas frescas, ou descongelem-nas por completo.
Consoante a proporção de peixes herbívoros/omnívoros que mantiverem, poderão ir tentando algumas variações na receita. Se mantiverem essencialmente peixes omnívoros – géneros Labidochromis, Melanochromis, etc. – poderão aumentar a quantidade de mariscos, e diminuir a matéria vegetal. Outra hipótese é substituir um dos mariscos por igual quantidade de peixe branco (pescada, maruca, perca do Nilo, etc.).
Mantendo apenas espécies estritamente herbívoras, poderão diminuir a quantidade de mariscos, e aumentar a matéria vegetal. Poderão ainda diversificar a receita com outros vegetais tão do agrado dos mbunas: brócolos, pepino, cenoura (o betacaroteno é excelente para melhorar a coloração dos peixes), nabiças, etc.
Importa reter que os mbunas são peixes herbívoros, com um sistema digestivo adaptado a alimentos ricos em fibra, e baixo valor nutricional. No meio natural, têm de passar a maior parte do dia a comer, para conseguir os nutrientes essenciais à sua sobrevivência. Em cativeiro, o excesso de comida, ou as dietas ricas em proteínas e/ou hidratos de carbono, são-lhes extremamente prejudicais, podendo causar graves problemas ao nível do sistema digestivo.