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Regras básicas da classificação das espécies
Miguel Monteiro

Embora se possam achar os nomes científicos confusos e difíceis de pronunciar, vale sempre a pena familiarizar-nos com eles, uma vez que é a melhor forma de conseguirmos conhecer e obter informações sobre determinada espécie. Há sempre quem prefira utilizar os nomes comuns, muito mais fáceis de memorizar, mas enquanto o nome científico é universal e exclusivo, os nomes comuns podem suscitar muitas confusões. Uma delas é que uma espécie pode ter vários nomes comuns, ou pior ainda, existem espécies distintas com o mesmo nome comum. Além disso, alguns nomes comuns descrevem enganosamente determinadas espécies.

Os “Green Terror” não se livram da má fama graças ao seu nome comum.

Foto 1

 

O sistema de nomenclatura e classificação científica foi criado por Carollus Linnaeus, em 1758, que apesar de ter sofrido algumas alterações ao longo do tempo, o essencial permanece até hoje. Linnaeus classificou os seres vivos em reinos, filos, classes, ordens, famílias, géneros e espécies. Há medida que se desce na escala de classificação mais parecidos os seres vivos vão ficando entre si. Isto significa que as espécies mais intimamente relacionadas estão agrupadas no mesmo género. Por sua vez, os géneros mais próximos estão agrupados na mesma família (como é o caso da família dos ciclídeos)  e assim sucessivamente até chegarmos ao reino Animalia.

Na origem da classificação científica, tinha-se por base a observação das características morfológicas externas, mas o progresso da ciência elevou a classificação para outro patamar, estando agora assente na semelhança genética e molecular, com base em análises ao DNA. Este novo sistema está a revolucionar a classificação de muitas espécies de ciclídeos, aguardando-se grandes novidades num futuro próximo.

Linnaeus convencionou ainda a utilização da chamada nomenclatura binomial, ou seja, as espécies devem ser identificadas pelo seu nome e sobrenome, sendo o primeiro nome o do género, e depois, o da espécie.

Os nomes científicos devem ser escritos em itálico. O género deve começar por uma maiúscula e a espécie sempre por uma minúscula, mesmo quando derive dum nome próprio ou duma designação geográfica. Após o nome da espécie vem o nome da pessoa que a descreveu, seguindo-se depois uma vírgula e data da descrição. Caso este nome e data estejam entre parênteses, significa que o nome científico mudou desde que a espécie foi descrita pela primeira vez.

O nome da população também é muito utilizado no hobby, vindo a seguir ao nome da espécie, com o propósito de se conhecer a sua localização geográfica. Acaba por ser muito útil, uma vez que muitas espécies apresentam uma grande variedade intra-específica entre populações.

Os nomes científicos, por vezes também são alvo de alterações, porque a taxonomia é um processo em constante mutação. Para estes casos existem regras de nomenclatura internacionais (Código Internacional de Nomenclatura Zoológica), das quais destaco apenas algumas:

- O Princípio da Tipificação - todos os géneros contêm uma espécie tipo que os caracterizam, ou seja, para que seja criado um género é necessário haver primeiro uma espécie, cujas características essenciais irão definir as bases próprias do género, com o objectivo de se decidir se outras espécies poderão também ser agrupadas ao mesmo.

- O Princípio da Prioridade – Quanto uma espécie é descrita e só mais tarde se conclui que a mesma já havia sido descrita. Neste caso, o nome a considerar como válido é o mais antigo.

Os Thorichthys ellioti Meek, 1904 tiveram de ser substituídos pelos mais velhos Thorichthys maculipinnis Steindachner, 1864.

Foto 2



- Princípio da homonímia – Duas espécies distintas não podem ter a mesma denominação. Por vezes acontece haverem duas ou mais espécies anteriormente consideradas distintas, que após uma revisão taxonómica, passam a ser classificadas como uma só espécie.


As Viejas synspila e melanura passaram a ser classificadas na mesma espécie e segundo o princípio da prioridade o nome mais antigo é o da Vieja melanura (Günther, 1862), sendo este nome o actualmente válido. O nome Vieja synspila (Hubbs, 1935), passou a ser considerado um sinónimo.

Foto 3

 


O contrário também acontece, pois existem casos em que uma espécie (ou género) é dividido em várias espécies válidas.


Os Hemichromis bimaculatus Gill, 1862 são um exemplo, pois foram divididos em sete espécies distintas.

Foto 4

Por outro lado temos espécies não descritas, por determinar ou por identificar. A cada um destes casos devemos usar as seguintes abreviaturas:

sp. -  quando uma espécie não está cientificamente descrita e o nome é provisório ou comercial. É escrito muitas vezes entre aspas e sem itálico.


Os Geophagus sp. "orange head" são nossos conhecidos, mas ainda aguardam descrição cientifica.

Foto 5

Os Metriaclima sp. "zebra gold", Mundola Point, são outro exemplo das muitas espécies lindíssimas por descrever.

Foto 6

 

aff. – quando não se consegue determinar uma espécie, mas percebe-se que tem grandes semelhanças com outra, ou seja, aff. significa que a espécie está perto de outra conhecida.


cf. – quando se identifica uma espécie, mas não temos a certeza absoluta de que a identificação esteja correcta.

Claro que é mais fácil dizer ou escrever “Jack Dempsey” do que “Rocio octofasciata”, mas vale a pena fazer um esforço e procurar aprender a usar nomes científicos, uma vez que sendo universais facilitam o intercâmbio entre todas as pessoas no mundo, ou seja, são sempre iguais em qualquer língua, evitando-se assim muitas confusões.


Autor:
Miguel Monteiro

Fotos:
Sérgio Tavares;
Fábio Leite;
Miguel Monteiro;
Luís Filipe;
Jacinto Salgueiro.

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