Os ciclídeos do lago Tanganyika caracterizam-se por possuir uma enorme diversidade de comportamentos reprodutivos. Os três principais tipos de comportamentos são os seguintes: Incubadores bucais; depositores de ovos em conchas e os que depositores de ovos em rochas.
A maioria destes ciclídeos, reproduzem-se facilmente num aquário comunitário, contudo, apenas algumas espécies, conseguem levar avante a postura na presença de outros peixes. Para se conseguir fazer chegar o maior número de alevins a adultos, em muitos casos, é necessária a retirada dos mesmos para um aquário maternidade.
Os géneros Tropheus, Petrochromis e Simochromis, contêm as espécies que, teoricamente, exigem maiores necessidades no que diz respeito a criação de ciclídeos do lago Tanganyika. São espécies bastante ativas, que requerem um aquário com um comprimento considerável, por norma mais 150cm. Os peixes destas espécies devem ser mantido em colónias de vários indivíduos de ambos os sexos, para que as investidas dos machos sejam dispersadas pelos diversos indivíduos de hierarquia inferior, e desta forma não existirem peixes maltratados no aquário.
Visto que, quer os Tropheus, quer os Petrochromis e quer os Simochromis, são todos incubadores bocais, com vista a evitar-se que os alevins sejam predados no interior do aquário, existem duas alternativas: Uma mais invasiva e outra mais natural. A mais invasiva é, após retirada da fêmea do aquário, fazer-se o “parto”, e forçá-la a soltá-los da boca. A forma mais natural será separar a fêmea para um aquário tranquilo, com muitas plantas, para que desta forma possa largar os alevins naturalmente.

Tropheus moorii, Mpulungu
Os ciclídeos de género Neolamprologus pertencentes ao complexo Brichardi são dos mais prolíferos e podem ser mantidos num aquário de criação de pequeno porte, que contenha pelo menos 80 litros de capacidade para acomodar um casal. Os métodos de criação para espécies deste complexo consistem em ter um aquário com muitos esconderijos. Para quem se quer iniciar com algumas destas lindas espécies, o ideal é adquirir um grupo de 5 juvenis e deixar que se formem casais naturalmente. Formado o casal, estes podem ficar juntos em paz, por vários anos, sendo importante não alterar a decoração do aquário, com risco de existir uma separação do casal.

Neolamprologus splendens
Ainda dentro do género Neolamprologus, a espécie leleupi requer cuidados especiais na seleção de um par, isto é, é necessário acertar num par que venha a formar casal. Para além disso, para que a procriação seja feita de forma natural, é importante que a decoração do aquário seja idealizada de modo a dispor de um local adequado para a desova. Depois do nascimento dos alevins, deve-se deixar a prole tanto tempo quanto possível com os pais de modo a reduzir a agressividade do macho uma vez que este pode ficar extremamente agressivo após a remoção dos alevins.
O aquário de criação deve ser bem decorado, de preferência com muitas rochas, dois ou três amontados de pedras separados entre eles para, caso exista uma desavença entre o casal, o macho ou a fêmea terem onde se refugiar. Uma forma de induzir o acasalamento será a introdução de um macho num aquário ao qual a fêmea está ambientada. A melhor altura para a introdução do macho é à noite, pouco antes do final do dia. No dia seguinte o aquário deve ser verificado, pois o macho deverá ser retirado se a fêmea não estiver no seu território favorito, ou não tenha livre acesso ao mesmo. Quando as coisas não correrem bem, a fêmea aparecerá "pendurada" num dos cantos do aquário, ou seja expulsa pelo macho, com o este extremamente agressivo para ela. O mesmo procedimento deve ser repetido cerca de uma semana após a primeira tentativa, e assim sucessivamente, até que os indivíduos se venham a aceitar um ao outro. Quando a fêmea estiver com disposições favoráveis, a mesma poderá resistir à agressão do macho, levando-o até sua toca favorita. Salienta-se que este método não é o mais aconselhado. O ideal é a aquisição de um grupo de 5 juvenis e esperar-se que, quando chegarem á maturidade sexual, os indivíduos se escolham naturalmente o seu par formando casais. Após a postura e fecundação, o macho pode ser removido para garantir um melhor resultado. Um par compatível deve ser deixado com a prole e, se a configuração da reprodução fornecer fêmeas adicionais, condicionadas à desova, o macho poderá ser colocado com uma outra, três dias após a inoculação.
Em aquário comunitário, alguns dos alevins podem ser retirados quando estiverem aptos a nadar livremente. A presença da restante da prole garantirá a harmonia entre macho e fêmea. É, portanto, muito importante nunca retirar uma ninhada inteira.

Neolamprologus leleupi
No género Altolamprologus, a espécie compressiceps distingue-se por ser passível de se obter criação com a utilização de conchas vazias no aquário. Uma vez que a fêmea é de dimensões consideravelmente menores que o macho, é importante que não se inseriram conchas demasiado grandes, pois o macho pode perseguir a fêmea para uma dessas conchas acabando por a matar asfixiada.
Quando a fêmea é observada ao redor da concha, ou esconderijo, é muito provável que esteja guardando uma postura. Se houver intenção em se maximizar a sobrevivência da prole, pode-se retirar a concha para um aquário maternidade de forma a se conseguir alimentar os alevins mais eficazmente. É digno de nota também que este aquário deve providenciar muitos esconderijos, e até conchas, devido á grande agressividade que os alevins têm entre eles, chegando-se mesmo a matar uns aos outros.
O número de alevins por cada postura é em número elevado, havendo posturas de cerca de duzentos ovos. Os alevins têm dimensões relativamente grandes, mas demoram muito tempo a atingir a maturidade. Quando os filhotes são deixados no aquário comunitário, tornam-se vulneráveis aos ataques de predadores e até mesmo do progenitor.

Altolamprologus compressiceps, Sumbu
As espécies do género Julidochromis, apesar de desovarem e possuírem capacidade de manter sua prole num aquário comunitário, devem preferencialmente ser criados num aquário mono espécie, devido á sua agressividade para com outros peixes e de modo a obter-se uma maior taxa de sobrevivência.
Os Julidochromis têm duas estratégias de criação: Um par pode reproduzir grandes ninhadas de 50 a 100 ovos a cada cinco ou sete semanas; um par pode ter pequenas ninhadas de 5 a 20 ovos a cada 2 semanas. Desovam preferencialmente em cavernas estreitas e, assim, no aquário de criação deve providenciar-se um ambiente adequado com estreitas reentrâncias horizontais entre rochas. Estas estreitas cavernas não devem ser superiores a poucos centímetros de diâmetro, propiciando verdadeiras fendas, o ambiente ideal para a desova.
Os ovos são depositados sobre o teto duma dessas cavernas.
Após a formação de um casal não é aconselhado mexidas na decoração do aquário, sobe pena do macho ser rejeitado, e nunca mais ser aceite pela fêmea. Em aquários de boas dimensões, a agressividade da fêmea para o macho não passará de perseguições, mas em aquários mais pequenos o macho será morto, se não for retirado.

Julidochromis marlieri
Os géneros Lamprologus e Neolamprologus contêm muitas das espécies denominadas de “Shell Dwellers”. Para procriarem, estas espécies exigem nada mais que algumas conchas e um substrato de areia. Normalmente criam em aquários comunitários mas, no entanto, a prole pode ser removida retirando-se a concha para um aquário providenciado como maternidade. Não só a prole, como também os adultos, que se escondem nas conchas são difíceis de remover do aquário sem a remoção das respetivas conchas. Os alevins retirados com as conchas para o aquário maternidade são facilmente alimentados com minúsculos pedaços de comida simplesmente esmagados da ração dos adultos. No entanto em espécies mais protetoras, como os Lamprologus multifasciatus, esta remoção não é estritamente necessária, devido aos progenitores serem extremamente defensores da prole, e a colónia ser bastante unida contra invasões exteriores.

Neolmprologus simillis
Outros géneros, como o Xenotilpia e o Callochromis, denominados de “Sand Dwellers” são muito difíceis de sexar em juvenis, especialmente quando se tratam de espécies de pequeno porte. A criação destes habitantes da areia ocorre de forma mais proveitosa num aquário específico de criação, no qual deve ser colocado um grupo de uma única espécie, e as "bocas" (ninhadas) das fêmeas removidas do aquário de criação para aquários maternidade, após decorridas as semanas devidas de incubação.
É recomendável que se evite a captura das fêmeas durante o dia, uma vez que as mesmas se assustam muito facilmente, disparando freneticamente pelo aquário, cuspindo todos os ovos, ou engolindo-os com o susto. A captura das fêmeas deve ser feita preferencialmente à noite, cujas fêmeas “de boca” são levadas suavemente para fora da água e cuidadosamente colocadas no aquário maternidade.

Xenotilapia ornatipinnis
Os géneros Cyprichromis e Paracyprichromis são habitualmente criados em aquários comunitários e a suas proles reproduzidas em números razoáveis. As fêmeas “de boca” devem ser retiradas do aquário comunitário e colocadas num aquário maternidade. Várias fêmeas "de boca" podem ser colocadas juntas nesse aquário. Outro método é fazer-se o parto forçado, coisa que não é muito aconselhável apesar de ser praticado por muitos aquariofilistas que mantém peixes destas espécies.
Outra alternativa é deixar que a procriação suceda de forma natural, sem intervenção do aquarista, fornecendo-se para as ninhadas proteção em forma de plantas aquáticas flutuantes, ou algo similar, de maneira a que os alevins libertados pelas fêmeas no aquário encontrem abrigo nesses locais à superfície. As espécies do género Paracyprichromis podem ter sucesso mesmo sem abrigo para a prole, uma vez que as "schools" podem ficar juntas, num canto, e deixadas em paz pelos machos. No entanto, este método pode não resultar num aquário com um macho Cyprichromis "híper dominante" visto que este pode perseguir os alevins até os levar à morte. Esta prática só pode ser utilizada, em aquários sem peixes predadores.
Nos aquários maternidade, os filhotes devem ser alimentados com comida viva, pequena o suficiente para ser engolida pelos mesmo, como artêmias e micro-vermes , ciclopes, pequenas dáfnias e granulado triturado.


Cyprichromis leptosoma, Mpulungu

Paracyprichromis nigripinnis
Salienta-se ainda que não se deve estimular a procriação de ciclídeos que não são semelhantes aos das suas espécies selvagens, uma vez que, nós aquariofilistas, temos o dever e a responsabilidade acrescida de manter a diversidade da natureza. Por esta razão, devemo-nos abster de híbridos, de indivíduos deformados e de cruzamentos de populações, pois cada espécie de ciclídeo é uma verdadeira joia, e utilizá-las propositalmente para a obtenção de "Franken-fishes" é algo repugnante.
Portanto, sejamos responsáveis por manter as espécies e as populações o mais fiel ao que a natureza nos proporciona.