A simples palavra Tropheus carrega sempre um significado especial quando mencionada entre aquariofilistas. Associada a fracasso e desilusão para uns, a sucesso e alegrias para outros e apenas um sonho para outros tantos, a dedicação de quem mantém estes peixes só pode ser descrita como uma paixão. É impossível alguém sentir um aquário de tropheus colocado numa sala como um mero objecto de decoração. Qualquer aquariofilista, que se dedique à manutenção de ciclideos acaba mais cedo ou mais tarde por não resistir ao desafio dos Tropheus.
São considerados por muitos como peixes muito sensíveis e difíceis de manter, pois precisam de aquários muito grande, têm que estar inseridos numa colónia com muitos indivíduos e são caros. São ao mesmo tempo peixes muito fáceis de manter bastando para tal que o aquariofilista tenha uma observação atenta dos peixes e os cuidados básicos indispensáveis neste hobbie.
Depois de se conseguir que os peixes estejam perfeitamente ambientados no aquário a recompensa acabará por chegar naturalmente com o decorrer do tempo.
Se nos focarmos no objectivo de criar uma espécie do complexo Tropheus devemos ter em conta vários aspectos, alguns comuns às regras gerais de uma boa aquariofilia, seja ela com a finalidade de manutenção ou mais virada para a criação. Contudo, é essencial ter em atenção outros aspectos específicos, também comuns à criação em geral ou aos tropheus em particular.
Qualidade da água.
A água deve ter os parâmetros normais a todos os aquários de ciclideos africanos, PH entre 7.5 e 8.5, dura, alcalina e com uma temperatura a rondar os 22ºC, podendo ser aumentada em determinados períodos para estimular a criação. Fazer TPA’s regularmente é uma boa política para manter uma qualidade de água superior. Depois de realizadas as TPA’s, os peixes parece que ganham vida, os machos começam logo a tentar acasalar com as fêmeas. E, claro, uma excelente filtragem é igualmente necessária.
Tamanho do aquário.
O tamanho do aquário está intimamente ligado ao número de indivíduos que formarão a colónia. Tomando como exemplo o número mínimo aconselhado digamos que num aquário de 120x40x40 será de dois a três machos e seis a sete fêmeas.

Número de peixes que vão formar a colónia.
Obviamente ligado ao tamanho do aquário, num aquário standard de 120x40x40, que rondará os 250Lts, o número de peixes a colocar deve andar entre os dez a doze peixes. Caso o aquário seja maior o número de peixes deve aumentar na mesma proporção.
Rácio de machos e fêmeas a manter.
Numa colónia de tropheus, e de modo a haver pouca agressividade, recomenda-se um macho para cada três a quatro fêmeas, os tropheus são peixes de harém e como tal são aconselhados poucos machos e muitas fêmeas.
Alimentação.
Uma boa alimentação é essencial para a boa saúde dos peixes, e peixes saudáveis e bem alimentados são, obviamente, bons criadores. Os tropheus são peixes herbívoros e a sua alimentação consiste essencialmente em tudo o que for vegetal, como, por exemplo algas, flocos ou granulado de qualidade, além de papa caseira e spirulina, esta última é muito apreciada pelos tropheus. Não lhes deve ser dado alimentos com proteína animal pois é prejudicial ao seu organismo podendo mesmo induzir em Bloat e posteriormente à sua morte. Devem ser alimentados em pequenas doses diárias.
Ainda que a aquariofilia não seja uma ciência exacta e onde por vezes se constate que cada caso é um caso, aquilo que por vezes é observado por um aquariofilista não pode ser confirmado por outro, se conseguirmos manter os pontos referidos dentro do razoável, é bastante fácil induzir uma colónia de tropheus à criação.
Os tropheus começam, normalmente, a mostrar interesse pela reprodução a partir do primeiro ano. É preciso ter paciência pois por vezes demoram até começarem. Aí os machos começam a não dar tréguas às fêmeas numa procura constante destas para acasalarem. Por volta desta altura já existem machos dominados e dominantes e claro que os primeiros são normalmente os que conseguem levar as fêmeas a criarem.
Os machos fazem a corte às fêmeas através de movimentos espontâneos e enérgicos chamando-as para o seu território dentro do aquário. As suas cores ficam mais realçadas do que nunca nesta altura. Começa então o famoso ritual do acasalamento em T com o macho a estimular a zona anal da fêmea e posterior fertilização dos ovos.
As fêmeas guardam os ovos durante cerca de 3 semanas. As posturas dos tropheus são normalmente em número reduzido porém as crias nascem já com um tamanho considerável. Quando as fêmeas são novinhas e começam com as primeiras posturas é provável e normal que não as levem até ao fim devido à sua inexperiência, deitando os ovos fora ao fim de alguns dias, no entanto com o avançar do tempo e das constantes investidas dos machos estas acabam por começar a incubar de novo.
Durante o período que estão a incubar os ovos as fêmeas não se alimentam e tendem a ficar mais isoladas da restante colónia para não serem alvo da perseguição dos machos e da própria agressividade das outras fêmeas.
Com o avançar do período de incubação pode surgir uma dúvida ao aquariofilista a qual só ele pode responder: Deixar a fêmea no aquário ou separá-la?
Deixá-la no aquário tem de bom que ela não é deslocada do seu meio ambiente e pode continuar perto da colónia que está inserida, o ponto menos bom é que tende a ficar com os alevins demasiado tempo na boca podendo, ocasionalmente, surgir problemas com os alevins devido a estarem vários durante muito tempo no espaço da boca da mãe. Por outro lado, retirar a fêmea para outro aquário mais pequeno ou maternidade, dá-lhe mais calma e sossego durante o período de incubação mas pode também resultar numa rejeição quando inserida de novo na colónia. Uma vez que está fraca por não se alimentar durante bastante tempo é um alvo fácil de abater.
É possível deixar crescer os alevins num aquário comunitário junto com os pais uma vez que estes não têm a tendência de os comer ou atacar. Há aquariofilistas que ainda assim preferem tirar os alevins da boca das mães e faze-los crescer num aquário à parte. Há ainda quem prefira tirar os ovos da boca da fêmea com cerca de cinco dias e depois fazê-los eclodir com uma pedra de ar numa maternidade preparada para o efeito.
Como já foi dito atrás, a aquariofilia não é uma ciência exacta, e esta descrição é baseada na minha experiencia pessoal, no entanto é possível que não se verifique tudo o que foi aqui mencionado num outro aquário de criação de tropheus.
Para finalizar, fica algo que é comum a todos, a paciência, essa a verdadeira virtude do aquariofilista. Todos aqueles que forem pacientes e deixarem a natureza tomar o seu curso serão a seu tempo recompensados.
