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Tanganyika – Um lago de lama (parte I): Pequenos escavadores
Nelson Oliveira

O lago Tanganyika é conhecido pelos seus diversos habitats e diversidade. Zonas rochosas, águas abertas, solos cobertos por conchas, etc...No entanto um habitat pouco conhecido e divulgado no hobbie é a zona composta por solos lamacentos. Este não é de facto o biotopo mais famoso do lago nem o que tem uma maior diversidade ou quantidade de espécies mas ainda assim é nele que encontramos algumas pérolas do lago que dada a especificidade da zona que habitam têm também comportamentos muito próprios.

E que tipo de biotopo é este? Que condições dá aos que nele habitam?
Um solo lamacento em conjunto com gravilha solta forma uma mistura que oferece uma capacidade de moldagem bastante apreciavel sendo que não é complicado abrir pequenos buracos resistentes que se mantém firmes ao longo do tempo.
E é a partir destes pequenos buracos que duas das mais pequenas espécies do Lago Tanganyika se fazem à vida num espaço aberto que tinha tudo para ser o pior local para viver para peixes de pequeno porte.
Falo dos Neolamprologus kungweensis (à esquerda) e dos Neolamprologus signatus (à direita).

 

Estas duas espécies têm a particularidade de, num lago onde a variedade é enorme, serem as únicas que usam a técnica dos pequenos tunéis para procriar e viver em relativa segurança, o que faz delas espécies peculiares e muito especiais.
Ambas as espécies têm um estilo de vida (e não só) bastante similares o que aquando da sua captura e identificação gerou alguma confusão no meio.
Entre 1952 e 1956 foram recolhidos por Poll alguns N. kungweensis na região de Bulu Point e na mesma época pelo mesmo Poll foram colectados na zona de Moba alguns N. signatus. A confusão gerou-se porque todos os N. kungweensis capturados eram fêmeas ao passo que os N. Signatus eram machos o que levou a crer que se trataria de uma única espécie.
Já mais tarde (1988) Ad Konings colectou na Tanzânia  alguns N. kungweensis e verificou que existia um evidente dimorfismo sexual. Nos N. kungweensis a fêmea possui uma macha negra bastante vincada na sua barbatana dorsal ao passo que o macho não tem por seu lado qualquer marca. 
Morfologicamente estas espécies são bastante semelhante e mesmo nessa altura a confusão continuava instalada e só quando finalmente foram capturados N. signatus na Zâmbia é que se verificou em definitivo que se tratavam de espécies distintas.

Recentemente foi descoberta uma possível terceira espécie  que podia ser enquadra neste grupo de pequenos ciclideos que habitam estas zonas.  A espécie em questão é N. laparogramma que foi descrita em 1997 por Bills & Ribbink.
Morfologicamente esta espécie é em tudo semelhante às duas acima descritas sendo que apenas difere dos N. signatus muito ligeiramente em termos de coloração. Ao passo que quando comparamos os N. kungweensis com os N. signatus encontramos algumas diferenças que nos permitem facilmente identifica-los no caso do N. laparogramma isto não acontece quanto comparado ao N. signatus. Para além do mais os N. signatus e os N. kungweensis ocorrem em áreas distintas no Lago.
Uma das poucas diferenças que separam o N. laparogramma dos N. signatus prende-se com o número de barras verticais que os machos ostentam que é de 8 e 13 respectivamente. No que toca às fêmeas não existem quaisquer diferenças visíveis sendo apenas o padrão nas escamas da barriga é diferente. Nos N. laparogramma este padrão é composto por 5 a 9 barras verticais enquanto que as fêmeas N. signatus apresentam um padrão irregular.

Os ictiólogos tendem a não atribuir a classificação de nova espécie quando são encontrados individuos que diferem de alguma espécie já descrita apenas na coloração pelo que até à data não existe razão para considerar o N. laparogramma como nova espécie. Ao invés, deverá sim, ser considerado apenas uma variante cromática dentro da espécie N. signatus.

Quer os N. kungweensis quer os N. signatus podem ser encontrados em superficies planas e abertas e são facilmente identificadas essas zonas dados os numerosos buracos que saltam à vista quando o solo é observado.
Estes pequenos buracos têm normalmente à volta de 1 cm de diametro e cerca de 12 cms de profundidade e são escavados sempre na diagonal. Os buracos são pertença apenas de um individuo sendo que macho e fêmea tem cada um o seu. A distância que separa estas pequenas tocas é normalmente nunca inferior a 50 cms.

Estes pequenos grandes ciclideos são vorazes predadores e alimentam-se essencialmente de zooplankton e de pequenos invertebrados. Pequenos animais que procurem os seus buracos como abrigo podem tambémn ser predados dado que estes ciclideos não são de todo muito selectivos com a comida.

Segundo Bills & Riddink ambas as espécies são monogamicas e formam casal para a vida. Os seus territórios incluem um buraco para a fêmea e outro para o macho.
As desovas dão sempre nas tocas das fêmeas sendo que os ovos destas espécies têm uma particularidade (não são únicos mas é de facto muito raro) que é o facto dos seus ovos não serem adesivos.  Devido a observações feitas em aquário com os N. signatus verificou-se que os ovos depositados em conchas (tipicamente em aquário as conchas são o que me melhor simulam o seu habitat natural) não colam nas paredes das mesmas mas limitam-se a rebolar consoante a inclinação desta.  O facto dos ovos não serem adesivos prende-se evidentemente com o tipo de local onde são colocados pois neste caso o facto de não colarem às paredes dos buracos é uma grande vantagem. Supondo que existe uma derrocada parcial no buraco visto os ovos serem leves acabam por subir com a deslocação da água não ficando deste modo suterrados e sufocados pela terra e lama.
Existe também quem defenda que o facto de os ovos não serem adesivos pode prender-se com a possibilidade de os pais os moverem de buraco em buraco em caso de necessidade e no limite em situações mais complicadas acabarem por encubá-los na boca até que estes se desenvolvam.

Na próxima parte do artigo desenvolveremos uma outra espécie que habitam os terrenos lamacentos do Lago mas com hábitos manifestamente diferentes...

Referências:

Konings, Ad; 1998; "Tanganyika Cichlids In Their Natural Habitat" pp. 329-347.

Fotos:

N. kungweensis Macho N. kungweensis Fêmea
N. signatus Macho N. signatus Fêmea

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