Tanganyika vs Malawi...Qual a escolha acertada?
E começando o artigo pelo resposta ao titulo do mesmo...bom...qualquer escolha é a escolha certa!
Apenas temos que definir aquilo que pretendemos e perceber o que vai ao encontro do nosso objectivo.
Ao chegarmos ao momento de optar por um destes biótopos significa com certeza que já descartámos previamente outras hipóteses o que implica já termos de facto efectuado alguma pesquisa.
Assim, já temos em mente aquilo que pretendemos para o nosso aquário, pelo que a decisão deverá agora estar presa por detalhes e pormenores.
E quais os critérios que poderão servir para desempatar esta renhida batalha?
Provavelmente vamos pensar em três áreas principais:
- Estética
- Comportamento
- Manutenção
Começando pela estética...
O que define um peixe bonito? Entra aqui a nossa escala de valores...
É a cor? O padrão? O formato? O tamanho? Vamos por partes...
Cor e padrão:
Quer a escolha recaia em haplochromideos ou em mbunas a cor é um factor predominante em todas estas espécies pelo que com algum critério depressa se replica o arco-íris em casa.
Também em termos de padrões os peixes do Malawi possuem características interessantes dadas as suas fortes listas ao longo do corpo ou as barbatanas coloridas com cores que contrastam fortemente com o restante corpo.
Já nos Tanganyika a cor predominante é o cinzento prata, menos vistoso portanto. Também os padrões são menos evidentes e a tendência é para os peixes terem a sua coloração mais uniforme. Ainda assim, e dada a variedade neste Lago, existem bastantes excepções onde, por exemplo, as listas e amarelos ou azuis vivos dominam.
Formato e tamanho:
Neste particular a vantagem pende para o lado dos Tanganyikas visto que existem peixes desde os 3cms até aos 40 ou 50cms e as formas são de uma variedade imensa ao passo que no Malawi o formato do corpo pouco varia para lá de duas ou três morfologias diferentes e os tamanhos estão também balizados num intervalo menos que rondará os 8cms e os 25cms.
Resumindo no que toca à questão estética podemos dizer que os ciclideos do Malawi levam a melhor em termos cromáticos sendo que a variedade de formatos é o ponto forte nos Tanganyika.
Avançando para a vertente "Comportamento"...
Também aqui existem prós e contras em ambos os casos e mais uma vez caberá a cada um de nós decidir sobre o que quer e sobre aquilo que mais valoriza.
Os habitats? Os níveis de agressividade? A socialização? A reprodução?
Começando pelos Tanganyikas verificamos que a diversidade nos comportamentos é enorme, como aliás seria de prever dado o ponto referido acima quanto às diferentes morfologias das espécies.
Os habitats:
Neste lago temos peixes que habitam exclusivamente a coluna de água, outros que preferem as zonas rochosas, outros que vivem em conchas ao longo de toda a sua vida, espécies que preferem zonas abertas com solo arenoso ou mesmo lamacento entre outras particularidades. Esta enorme variedade de habitats proporciona comportamentos também eles muito distintos pelo que num aquário em nossa casa podemos observar "estilos de vida" diferentes o que pode ser um ponto a favor dos ciclideos do Tanganyika.
No Lago Malawi as diferenças de habitats são menores e mais subtis e de certa forma podemos dividir em dois tipos: ambientes rochosos e ambientes abertos. Em aquário podemos também optar por escolher uma destas variantes e consequentemente as espécies que nela se insiram. Neste particular a escolha é de facto menor.
Agressividade:
Todo e qualquer ciclideo tem por norma índices de agressividade relativamente elevados, quanto mais não seja em época reprodutiva. E partindo deste pressuposto temos que ter especial atenção na escolha das espécies por forma a evitar futuros conflitos e mesmo baixas.
No Malawi a agressividade pode ser medida em três níveis:
- Baixo (peixes por norma calmos que apenas se mostram agressivos em situações de stress ou época reprodutiva)
- Normal (peixes que pontualmente e regularmente resolvem atacar outros com alguma corrida mais viril e que metem mais vigor na defesa dos seus territórios)
- Elevado (espécies que atacam violenta e constantemente os parceiros de aquário chegando mesmo a matar os peixes mais fracos)
No nível baixa incluiria todos os haplochromideos e alguns Mbunas mais pacíficos. No nível normal cabem a maioria dos Mbunas ao passo que no nível elevado inserem-se alguns dos Mbunas mauzões conhecidos pelo seu temperamento pouco social.
No Tanganyika torna-se mais complicado fazer uma divisão deste género já que tem mais que ver com as espécies, caso a caso. A ressalva que fica é que existem espécies bastante sociais e existem outras que são de uma violência extrema.
Assim, o que importa salientar é que todo o cuidado é pouco aquando da escolha das espécies e que todos os factores deverão ser levados em conta por forma a criar um aquário equilibrado e saudável.
Socialização:
E o que se entende por socialização? A forma como lidam dentro da mesma espécie, com espécies diferentes e até com os humanos pode caber neste ramo.
No caso dos Tanganyika temos que são por norma peixes mais tímidos e desconfiados quer entre eles quer com o próprio contacto com o dono.
Já os Malawi são peixes que têm uma interacção maior entre eles nadando e convivendo juntos no aquário sem fazer distinções entre espécies.
Não raras vezes temos relatos de Mbunas que comem à mão e se deixam tocar pelos donos ao passo que no Tanganyika este tipo de interacção é menor, não esquecendo porém que existem sempre excepções.
Reprodução:
Não é este o expoente máximo da aquariofilia? Conseguir dar aos nossos peixes condições para que, tal como na Natureza, criem descendência.
Neste aspecto temos que no Malawi, à excepção da Tilapia rendalli, todos os outros ciclideos são incubadores bucais. Quer isto dizer que as fêmeas transportam durante um mínimo de 21 dias os ovos (que entretanto se transformam em alevins) e findo esse tempo libertam os alevins completamente formados e independentes, não tendo daí em diante grandes preocupações ou cuidados parentais.
No Lago Tanganyika por cada habitat podemos observar formas de reprodução diferentes, tais como: os incubadores bucais, à imagem do que acontece no Malawi com a particularidade de algumas espécies serem incubadores bi-parentais, os depositores de ovos (rochas, conchas ou solo), existem espécies que fazem ninhos de areia, outras que cavam túneis, outras que fazem todo o acto em pleno "voo", etc...
Em termos de dificuldade é bastante relativo pois existem espécies muito fáceis de reproduzir e outras nem tanto. Ainda assim é reconhecido que os peixes do Malawi têm uma enorme facilidade de reproduzir em cativeiro. No Tanganyika é impossível generalizar pois mesmo dentro de cada "tipo" existem as espécies fáceis e as muito difíceis. A titulo de exemplo verificamos que apesar de serem ambos conchiculas de casal os L.ocellatus criam com muita facilidade ao passo que os N.kungweensis continuam sem relatos de reprodução em cativeiro com sucesso.
Abordando a última área vejamos as principais diferenças na sua manutenção...
Neste campo as diferenças não são assim tantas...
Qualquer ciclideo proveniente de um dos Lagos é um peixe resistente e que apenas, tal como qualquer outro ser vivo, requer alguns cuidados básicos que deverão sempre ser tidos em linha de conta.
Os cuidados a ter deverão ser portanto os mesmos quer com um Mbuna quer com um conchicula, quer com um Aulonocara quer com um Tropheus.
As especificidades na manutenção de ciclideos deste lagos são poucas e saliento essencialmente o cuidado com a alimentação já que se mantivermos Mbunas a alimentação é basicamente igual para todos, assim como no caso dos Haps do Malawi, mas no caso dos ciclideos do Tanganyika existem diversas dietas e convém que sejam respeitadas.
Também em termos de layout dos aquários no caso do Tanganyika poderemos ter que definir diferentes áreas particulares para determinadas espécies ao passo que nos aquário do Malawi os aquário são pensados como um todo em que qualquer animal possa ocupar qualquer zona.
Este é um resumo das maiores diferenças entre os ciclideos que habitam os dois lagos e que visa essencialmente deixar algumas pistas e ideias gerais para quem se encontra indeciso na altura de optar por um biótopo.
Aqui é relatada uma visão que deverá ser encarada como um ponto de vista pessoal, ainda que tenha existido um esforço para manter a imparcialidade e objetividade necessárias.
Não deverá, ainda assim, este artigo ser interpretado como uma verdade absoluta ou um guia a seguir.
Esperemos que sirva essencialmente para ajudar na hora das decisões ou no limite que sirva para complicar ainda mais a vida a quem escolhe dado o enorme potencial dos ciclideos do Lago Malawi e do Lago Tanganyika.