Considerações Iniciais
Conchas vazias de caracol e areia de pequena granulometria. Estes são os ingredientes necessários para que possa manter uma das várias espécies de uns pequenos ciclídeos do Lago Tanganyika – Os Conchículas.
Estes ciclídeos compensam as suas reduzidas dimensões com comportamentos absolutamente fantásticos, que vão desde as suas elaboradas relações sociais, até às suas escavações e os extremados cuidados com a sua prole. São peixes que podem ser mantidos em aquários de pequenas dimensões, e que se mantidos nas melhores condições se tornam bastante prolíferos.
A intenção deste texto é apenas o de referir alguns aspectos interessantes que este conjunto de espécies apresentam, assim como inverter um pouco aquilo que é comum ouvir:
"- Que pena! Tenho um aquário pequeno, com 50cm de frente e não sei que espécies manter!
Após a leitura deste texto, espero que se comece a ouvir:
"- Óptimo! Tenho um aquário com 50cm de frente e só estou indeciso sobre que espécie de conchícula do Tanganyika, devo manter!
A ver vamos!
O Habitat no Lago
Conchas vazias, principalmente do caracol Neothauma tanganyicense, são frequentemente encontradas no Lago Tanganyika sobre fundos lamacentos ou arenosos, e em menor escala entre as rochas. É também comum, particularmente em regiões com profundidades superiores a 10 metros, encontrar grandes acumulações de conchas vazias e partidas completamente agregadas, que acabam por resultar num habitat rochoso de base calcária.
Podem ser identificados três diferentes biótopos que têm como base as conchas vazias:
a. Grandes acumulações de conchas, que constituem grandes áreas, mas ocupadas por poucas espécies de ciclídeos. Estas acumulações podem atingir uma espessura de dezenas de metros por vários quilómetros de extensão; as camadas superiores de conchas encontram-se coladas entre si por meio de depósitos calcários, que podem mesmo cobrir toda a superfície das conchas, fechando-lhes a entrada, e tornando-as assim inúteis para os ciclídeos que nelas procuram abrigo.
b. Grandes aglomerações de conchas (não coladas) encontradas normalmente próximo de zonas rochosas. Estes grupos de conchas são na sua maioria construídos por ciclídeos.
c. Conchas isoladas que se encontram normalmente pousadas e semi-enterradas sobre fundos arenosos ou lamacentos. Este padrão é muito comum em muitas margens arenosas, com conchas a serem encontradas tanto em águas pouco profundas como em grandes profundidades.
Os conchículas no Lago
No que diz respeito aos métodos de procriação, os ciclídeos do Lago Tanganyika podem ser divididos em dois grupos: os que depositam e incubam os seus ovos sobre o substrato e os incubadores bucais. Se nos fixarmos nos primeiros verificamos que estes procuram superfícies duras para depositar os seus ovos e por conseguinte são normalmente encontrados em habitats rochosos; além disso, estes pequenos ciclídeos procuram também abrigo entre os orifícios e fendas típicas das zonas rochosas. Sendo assim, e exceptuando as grandes espécies piscívoras, estes ciclídeos procuram este tipo de habitat não só por questões de procriação, mas também para a sua protecção e da sua descendência.
De uma forma geral, as conchas dos caracóis de água doce, tendem a degradar-se rapidamente após a morte do animal. No entanto, no Lago Tanganyika o alto pH da água tende a preservar as conchas vazias de uma rápida degradação. Pelo contrário, mais calcite é depositada resultando em conchas com paredes mais grossas e duras que podem durar centenas de anos, sendo que a única degradação que surge é de origem mecânica. Com isto, estas conchas resultam em abrigos de longa duração para ciclídeos cuja dimensão lhes permita entrar no seu interior.
Sendo assim, o mais importante pré-requisito para que um ciclídeo beneficie da protecção fornecida por uma concha vazia, é que a sua dimensão seja suficientemente pequena para que possa entrar no seu interior. Como atrás mencionado, as conchas vazias encontram-se sobre áreas abertas de areia ou lama, área essa onde pequenos ciclídeos se tornam presas demasiado vulneráveis. São poucas as espécies em que tanto o macho como a fêmea são suficientemente pequenos para se abrigarem no interior de conchas vazias. Existem também espécies em que somente as fêmeas conseguem encontrar albergue no interior de conchas; dada a grande dimensão dos machos da mesma espécie, estes têm que procurar refúgio noutros locais. Existem também outras espécies que apesar da sua grande dimensão procuram as conchas vazias, não para sua protecção, mas sim para as utilizar como creche para a sua descendência. Esta situação surge nas proximidades de zonas rochosas, onde os progenitores encontram abrigo nas fendas e orifícios entre as rochas, mas onde não existam bons locais para a desova, sendo assim procuradas as conchas para esse efeito. Espécies que usam as camas de conchas como creche e não como seu próprio refúgio são, entre outros, Lepidiolamprologus attenuatus, Neolamprologus cunningtoni, Altolamprologus comprecisseps, telmatochromis temporalis, etc.
Algumas destas espécies desenvolveram formas em miniatura de modo a que possam também eles habitar no interior das conchas. Uma destas espécies é o Altolamprologus sp.”comprecisseps Shell” Sumbu. Uma outra espécie que também se adaptou à vida no interior das conchas é o Lamprologus callipterus, em que normalmente dada a sua dimensão, somente as fêmeas habitam o interior das conchas. No entanto, próximo de Rumonge no Burundi, Ad Konings encontrou uma população desta espécie em que o macho é suficientemente pequeno para se albergar no interior das conchas.
As espécies
Neste capítulo, nem todas as espécies de conchículas do Lago Tanganyika serão referidas; apenas as espécies mais difundidas e com expressão na aquariofilia serão apresentadas.
Da mesma forma, não é intenção aqui fazer um somatório de fichas de espécies; serão apresentadas as principais características de cada espécie assim como aquilo que as diferencia.
Será também aqui abordado o conceito de “puramente conchícula”. Este conceito, poderá não ser consensual, mas só serão aqui consideradas como puramente conchículas, as espécies que se caracterizem pelas seguintes premissas:
- Espécies em que tanto o macho como a fêmea ocupam conchas vazias;
- Espécies que ocupam conchas vazias tanto no Lago como em aquário.
Altolamprologus sp.”Compressiceps Shell” Sumbu
Espécie encontrada no Lago Tanganyika na Baía de Sumbu na Zâmbia, sendo morfologicamente semelhante aos seus familiares Altolamprologus comprecisseps, excepto na sua dimensão reduzida que lhes permite habitar conchas vazias.
É uma espécie que forma casais, sendo o macho com cerca de 8cm mais corpulento do que a fêmea com apenas com 5cm; esta deposita os ovos numa pequena concha onde o macho não consiga entrar, de forma a que este os fertilize desde o exterior da concha. Caso o macho não encontre uma concha com dimensão suficiente para o albergar este irá procurar refúgio entre rochas; daí esta espécie não poder ser considerada como puramente conchícula.
A sua dieta no Lago é baseada em pequenos e crustáceos e tal como os seus parentes A. compressiceps e A. calvus, esta espécie é também um excelente predador de ovos e alevins de outras espécies.

A sua dieta no Lago é baseada em pequenos e crustáceos e tal como os seus parentes A. compressiceps e A. calvus, esta espécie é também um excelente predador de ovos e alevins de outras espécies.
Lamprologus brevis
Espécie encontrada em todo o Lago Tanganyika. Os L. brevis são uma espécie que forma casais monogâmicos e pode ser definida como puramente conchícula, dado tanto o macho como a fêmea habitarem conchas.

Uma particularidade diferencia esta espécie das demais, e resulta do facto de ambos os membros do casal ocuparem a mesma concha. Em aquário esta situação deve ser tida em conta aquando da escolha das conchas; estas deverão ter dimensão suficiente para albergar ambos os membros do casal, sendo que o macho com cerca de 5 cm é mais corpulento do que a fêmea com apenas cerca de 3,5cm. A base da sua alimentação no Lago é o zooplâncton, assim com larvas de insectos e também pequenos crustáceos.
Lamprologus callipterus
Espécie disseminada por todo o Lago e que não pode ser considerada como puramente conchícula. O macho pode atingir um comprimento de 15cm não podendo assim albergar-se em conchas vazias ao contrário das fêmeas que medem cerca de 6cm. No Lago, um macho pode manter um harém de cerca de 20 fêmeas em simultâneo. Os machos que vivem em zonas rochosas criam grandes aglomerações de conchas, que dada a sua dimensão facilmente transportam pela boca. As fêmeas que vivem nas conchas, aquando da desova procuram o ninho de conchas mais atractivo, onde depositam os ovos que serão fertilizados pelo macho desde o exterior. No que a alimentação diz respeito, os L.callipterus baseiam a sua dieta em invertebrados e pequenos peixes.
Lamprologus calliurus
Espécie que apresenta uma distribuição generalizada por todo o Lago Tanganyika. É uma espécie poligâmica em que o macho pode manter em simultâneo um número máximo de cerca de 5 fêmeas. Os machos com um comprimento de cerca de 10cm não se conseguem albergar no interior de conchas, pelo que encontram refúgio em zonas rochosas. Estes irão defender como seu território um grupo de conchas próximo da sua toca entre as rochas, permitindo que sejam ocupadas pelas fêmeas. Estas com uma dimensão de cerca de 4cm habitam toda a sua vida em conchas. Posto isto, e dadas estas características acima apresentadas, esta espécie não pode ser considerada como puramente conchícula. A sua dieta alimentar no Lago é baseada em zooplâncton.
Lamprologus caudopunctatus
Espécie encontrada principalmente em águas Zambianas, sendo abundantes nas zonas do habitat intermédio (rochoso). São uma espécie que forma casais, sendo o macho com cerca de 10cm mais corpulento do que a fêmea com 7cm; outra característica morfológica que diferencia o sexo dos indivíduos desta espécie consiste numa barra amarela que surge no extremo da barbatana caudal dos machos, não sendo a mesma visível nas fêmeas. Como já foi referido esta é uma espécie que vive e se reproduz nos habitats rochosos, sendo os ovos depositados em orifícios escavados sob rochas ou em fendas.

Com isto se conclui, que esta espécie não pode ser considerada como conchícula; a presença dos L.caudopunctatus neste artigo, resulta do facto de em aquário aceitarem conchas para desovar, caso não encontrem melhores locais para o fazer. Baseiam a sua alimentação em zooplâncton.
Lamprologus multifasciatus
Juntamente com os L.similis são os ciclídeos mais pequenos até à data encontrados; os machos pouco excedem os 5cm e as fêmeas 3,5cm. Esta espécie é encontrada em águas Zambianas, junto de leitos compactos de conchas. É uma espécie puramente conchícula e uma sua importante particularidade resulta do facto de formarem colónias que podem chegar a conter cerca de 20 indivíduos e vários casais na sua constituição.

Quando o número de indivíduos começa a ser excessivo para a quantidade de conchas existentes (cada membro da colónia terá a sua própria concha) os jovens membros deslocar-se-ão para outras paragens formando novas colónias. A desova decorre na concha de fêmea, que terá uma reduzida dimensão (de forma a que o macho não consiga entrar), sendo os ovos fecundados pelo macho a partir do exterior. L.multifasciatus é mais uma espécie cuja base alimentar é baseada no zooplâncton.
Lamprologus ocellatus
Espécie puramente conchícula que pode ser encontrada em todo o Lago Tanganyika, excluindo a costa Congolesa entre Kalemie e Moliro. Povoa normalmente zonas com baixa densidade de conchas sobre areia fina ou fundos lamacentos. O macho L.ocellatus habita a sua própria concha e irá ocultar sob a areia as restantes que se encontrem no seu território. Uma fêmea que se queira estabelecer no território de um determinado macho terá, em primeiro lugar, que o convencer a desenterrar uma das suas conchas escondidas. Um macho pode manter várias fêmeas (2 a 5) no seu território, sendo importante manter alguma distância entre as conchas das fêmeas de forma a evitar a agressividade entre elas.

A desova ocorre na concha da fêmea, que induz o macho a se aproximar. A fêmea entrará na concha em primeiro lugar e depositará os ovos; após a sua saída o macho irá também entrar na concha fecundando-os. Pequenos invertebrados são o essencial da sua dieta alimentar no Lago. Resta referir que o macho L.ocellatus atinge os 6cm de comprimento, enquanto a fêmea se fica pelos 4 cm.
Lamprologus ornatipinnis
Devem aqui ser consideradas duas espécies semelhantes, mas de facto distintas; O L.ornatipinnis com uma distribuição por todo o Lago exceptuando águas Zambianas; a outra espécie ocupa por sua vez as águas da Zâmbia e é designada por L. sp."ornatipinnis Zâmbia". É importante referir que na aquariofilia a espécie mais difundida é de facto a L. sp."ornatipinnis Zâmbia".
É uma espécie puramente conchícula, em que o macho mede cerca de 6cm e a fêmea cerca de 4,5cm; é uma espécie que forma casais, em que cada membro do casal ocupa a sua concha. As conchas são normalmente completamente enterradas sob a areia ficando apenas a descoberto a entrada da concha. A desova ocorre na concha da fêmea, que desova no seu interior, sendo os mesmos fecundados pelo macho a partir do exterior. A sua alimentação consiste em pequenos invertebrados que consegue encontrar na areia assim como zooplâncton.
Lamprologus similis
Encontram-se na metade sul do Lago Tanganyika, em zonas não ocupadas pelos seus “primos” L.multifasciatus. É uma espécie puramente conchícula, que vive em colónias; é semelhante aos L.multifasciatus em todos os aspectos, desde a dieta alimentar, o comportamento e a sua morfologia e dimensão.

A característica física que permite, com mais facilidade, distinguir os L.similis dos L.multifasciatus são duas listas brancas que existem na cabeça dos L.similis.
Lamprologus speciosus
Espécie encontrada no Lago na Costa do Congo entre Kalemie e Moliro. L.speciosus é uma espécie puramente conchícula em que o macho forma haréns de Fêmeas, cujo número pode variar entre 2 ou 5. A nível dimensional o macho atinge cerca de 5 cm enquanto a fêmea não ultrapassa os 4cm. O comportamento e hábitos alimentares desta espécie são em tudo semelhantes aos do L.ocelattus.
Lamprologus stappersi
Espécie frequentemente designada na aquariofilia por Lamprologus meleagris. É uma espécie puramente conchícula e encontra-se no Lago Tanganyika, lado a lado com os L.speciosus, em águas Congolesas entre Kalemie e Moliro. É também uma espécie em que macho mantém um harém de fêmeas no seu território. Os L.stappersi têm também um comportamento e hábitos alimentares em tudo semelhantes aos dos L.ocellatus. Ao nível dimensional os machos desta espécie atingem cerca de 6cm de comprimento enquanto as fêmeas se ficam pelos 4cm.
Lepidiolamprologus boulengeri
É encontrado na zona Noroeste do Lago entre o Nyanza no Burundi e o rio Malagarasi na Tânzania. É uma espécie monogâmica em que somente a fêmea que mede cerca de 5cm recorre ao abrigo de conchas em situação de stress; os machos com cerca de 7cm tendem a não as utilizar. O principal uso dado às conchas vazias pelos indivíduos desta espécie consiste em serem o receptáculo para as suas desovas; os machos constroem covas com uma ou mais conchas no seu interior, onde serão depositados e fertilizados os ovos. Desta forma os alevins crescerão sobre a protecção conferida pelas conchas. Com isto se conclui, que esta espécie não tem um comportamento puramente conchícula. Os L.boulengeri são pequenos carnívoros que se alimentam de pequenos crustáceos e outros invertebrados.
Lepidiolamprologus meeli
Espécie que forma casais, encontrada na zona oeste do Lago a sul de Kalemie. Os machos medem cerca de 7cm e as fêmeas cerca de 5cm, sendo a sua alimentação e comportamento em tudo semelhante ao dos L.boulengeri, pelo que não podemos considerar este espécie como sendo puramente conchícula.
Lepidiolamprologus hecqui
Espécie muitas vezes confundida com L.meeli mas com um comportamento significativamente diferente. São encontrados no Lago Tanganyika a sul do rio Malagarasi. Ao contrário dos seus “primos” L.boulengeri e L.meeli, estes são normalmente encontrados em zonas com grande abundância de conchas e não constroem covas para a desova. Esta espécie estabelece haréns em que cada macho pode manter até 4 fêmeas; cada uma irá defender um pequeno conjunto de conchas como seu território. A desova dá-se no interior de uma das conchas da fêmea, e o macho não participará na guarda dos alevins. O macho apesar de poder atingir 8.5cm tende a albergar-se em conchas pelo que podemos considerar esta espécie como puramente conchícula. A sua dieta alimentar é baseada em invertebrados e pequenos ciclídeos (conchículas).
Neolamprologus kungweensis
Espécie de pequenas dimensões em que o macho não ultrapassa os 6cm e a fêmea os 4cm, é encontrada no Lago Tanganyika tanto na costa este a sul do rio Malagarasi como na costa oeste perto de kalemie. Os N.kungweensis são peixes monogâmicos e são tipicamente escavadores. No seu habitat natural alimentam-se de pequenos crustáceos e constroem pequenos orifícios no fundo argiloso, que ocupam como suas tocas; tanto o macho como a fêmea têm a sua própria toca, ou mesmo mais do que uma. A desova ocorre na toca da fêmea, e ambos os membros do casal cuidarão da prole. Uma particularidade desta espécie resulta do facto dos seus ovos não serem adesivos.

Em aquário, os N.Kungweensis aceitam conchas vazias como refúgio, assim como para as suas desovas. Podemos então concluir que não são puramente conchículas.
Neolamprologus signatus
Espécie encontrada no Sul do Lago, em que o macho apresenta um comprimento de 6cm e a fêmea cerca de 4cm. É também uma espécie monogâmica e têm um comportamento em tudo semelhante aos N.Kungweensis, desde a alimentação, a escavação de tocas, os cuidados parentais aos alevins, e mesmo os ovos não adesivos.

Da mesma forma não é uma espécie puramente conchícula, apesar de também aceitar conchas vazias, como refúgio e local de desova.
Telmatochromis bifrenatus
Espécie presente na parte norte do Lago excepto no Burundi. Os machos medem cerca de 6cm e as fêmeas 5cm. É uma espécie comum em zonas rochosas mas também encontrada com frequência sobre conchas, que tanto os machos como as fêmeas podem usar como refúgio. Esta espécie forma casais temporários, visto que após poucos dias da desova, realizada na concha da fêmea, os laços entre o macho e a fêmea se quebram. Em virtude desta espécie não estar somente confinada às conchas, não pode ser considerada como puramente conchícula. Pequenos invertebrados e aufwuchs são a base da alimentação destes ciclídeos no Lago.
Telmatochromis brichardi
Espécie muito comum em zonas rochosas, mas encontrado com a mesma frequência sobre leitos de conchas. São comuns na parte sul do Lago e no Burundi. São peixes de pequena dimensão com um comprimento de 6cm para o macho e 5cm para a fêmea, pelo que ambos conseguem encontrar refúgio no interior de conchas. Tal como os T.bifrenatus os casais desta espécie têm carácter temporário, tendo com validade o momento da desova e posteriores dias. Não é uma espécie puramente conchícula, pois além das conchas também está adaptada à vida em zonas rochosas. A sua alimentação é também constituída maioritariamente por pequenos invertebrados e aufwuchs.
Telmatochromis sp. "temporalis shell"
Espécie puramente conchícula, em que o macho pode atingir os 8cm e as fêmeas cerca de 5cm. Ao contrário dos seus parentes T.temporalis que apresentam maiores dimensões e que estão adaptados à vida em zonas rochosas, esta espécie está perfeitamente adaptada à vida em conchas.

É uma espécie poligâmica, visto que o macho pode manter mais do que uma fêmea no seu território; no entanto as fêmeas aquando das desovas apenas irão tolerar o macho no seu território, pelo que devem ser mantidos somente em casal. A desova ocorre na concha da fêmea, que se tornará bastante agressiva na defesa da sua prole. A sua alimentação consiste em larvas de insecto e outros invertebrados. Esta espécie está disseminada por todo o Lago com maior incidência na Zâmbia.
Telmatochromis sp. "vittatus shell"
Espécie encontrada na parte sul do Lago Tanganyika. Em comparação com os seus “primos” Telmatochromis vittatus apresentam dimensões mais reduzidas; o macho não ultrapassa os 7cm e a fêmea os 6cm, o que faz com que estejam perfeitamente adaptados à vida em conchas.

Como seria de esperar a desova é feita na concha da fêmea. Esta espécie não estabelece relações monogâmicas, pelo que podem ser mantidas várias fêmeas com um macho. Em virtude desta espécie estar confinada à vida em conchas, podemos considerá-la como sendo puramente conchícula. A base da sua dieta alimentar consiste em pequenos invertebrados.
Espécie encontrada na parte sul do Lago Tanganyika. Em comparação com os seus “primos” Telmatochromis vittatus apresentam dimensões mais reduzidas; o macho não ultrapassa os 7cm e a fêmea os 6cm, o que faz com que estejam perfeitamente adaptados à vida em conchas.
| Espécie | Dimensão | Relacionamento Macho/Fêmea | Conchícula no Lago |
| Macho | Fêmea | Macho | Fêmea |
| Altolamprologus
sp."Compressiceps Shell" Sumbu | 8cm | 5cm | Monogâmico | Não | Sim |
| Lamprologus brevis | 5cm | 3,5cm | Monogâmico | Sim | Sim |
| Lamprologus callipterus | 15cm | 6cm | Poligâmico | Não | Sim |
| Lamprologus calliurus | 10cm | 4cm | Poligâmico | Não | Sim |
| Lamprologus caudopunctatus | 10cm | 7cm | Monogâmico | Não | Não |
| Lamprologus multifasciatus | 5cm | 3,5cm | Poligâmico | Sim | Sim |
| Lamprologus ocellatus | 6cm | 4cm | Poligâmico | Sim | Sim |
| Lamprologus ornatipinnis | 6cm | 4,5cm | Monogâmico | Sim | Sim |
| Lamprologus similis | 5cm | 3,5cm | Poligâmico | Sim | Sim |
| Lamprologus speciosus | 5cm | 4cm | Poligâmico | Sim | Sim |
| Lamprologus stappersi | 6cm | 4cm | Poligâmico | Sim | Sim |
| Lepidiolamprologus boulengeri | 7cm | 5cm | Monogâmico | Não | Sim |
| Lepidiolamprologus meeli | 7cm | 5cm | Monogâmico | Não | Sim |
| Lepidiolamprologus hecqui | 8cm | 6cm | Poligâmico | Sim | Sim |
| Neolamprologus kungweensis | 6cm | 4cm | Monogâmico | Não | Não |
| Neolamprologus signatus | 6cm | 4cm | Monogâmico | Não | Não |
| Telmatochromis bifrenatus | 6cm | 5cm | Poligâmico | Sim/Não | Sim/Não |
| Telmatochromis brichardi | 6cm | 5cm | Poligâmico | Sim/Não | Sim/Não |
| Telmatochromis sp. "temporalis shell" | 8cm | 5cm | Poligâmico | Sim | Sim |
| Telmatochromis sp. "vittatus shell" | 7cm | 6cm | Poligâmico | Sim | Sim |
Todas estas referências devem ser encaradas como dimensões médias e comportamentos esperados, visto poderem surgir excepções pontuais.
Considerações Finais
Muito mais haveria a dizer sobre este grupo de pequenos conchículas do Lago Tanganyika, no entanto o que é possível garantir, é que aquilo que podem não apresentar em cores apelativas é completamente superado pelo seu comportamento fascinante e pleno de carácter.
Quem se dedicar a manter pelo menos uma destas espécies, não dará com certeza o seu tempo por mal empregue e dificilmente se conseguirá libertar do “bichinho” causado por estes pequenos ciclídeos.
Divirtam-se com os vossos Conchículas do Tanganyika!
Referências
- Konings, Ad, 2005, Back to Nature Guide to Tanganyika Cichlids 2nd Edition, pp. 53, 54, 89-104, 120, 130, 162-166, , Cichlid Press.
- Konings, Ad, 1998, Tanganyika Cichlids in their natural habitat, pp. 202-222, 255-258, Cichlid Press.